Histeria, vigilância e censura

Para que serve a “transfobia”?

Caso ocorrido na UFBA entre professora e um aluno que se considera mulher mostra que a histeria identitária tem como função criar um clima repressivo entre as pessoas

O identitarismo é uma espécie de retorno à barbárie, mas com cobertura progressista. A histeria substitui a razão, o bom senso, a boa vivência. E tudo isso é transferido para o aparelho repressivo do Estado, que justifica a censura e a perseguição com a bondosa e cínica justificativa de que é tudo para defender os oprimidos.

Esse clima repressivo, de tipo inquisitório, é um verdadeiro câncer social nos meios em que o identitarismo está mais aflorado, como as universidades.

Recente caso na Universidade Federal da Bahia mostra que esses grupos que dizem defender os direitos dos oprimidos são, na realidade, os principais defensores de um método repressivo contra as pessoas.

Uma professora da universidade, Jan Alyne Prado, está sendo acusada de “transfobia” por ter “errado o pronome” de um aluno que se considera mulher.

O problema já seria absurdo por si só, mas é bem pior. A professora nunca tinha visto o aluno na vida. Era a primeira vez que ele frequentava a sala de aula.

Os identitários, além de quererem obrigar que as pessoas se enquadrem nas ideias alucinadas que eles têm sobre sexo, querem que as pessoas tenham o dom de ler pensamentos. Em entrevista ao G1, a professora se defende dizendo que:

“Eu não a conhecia, nunca a tinha visto e não fiz a chamada no início da aula. Ela não foi identificada como mulher trans para mim. Eu confundi a minha interpretação, de fato. Eu poderia ter identificado ela tanto como um homem gay, tanto como uma mulher trans.”

Vejam só a que ponto chegamos com a loucura identitária. Pelo relato da professora, não estaríamos diante de um transsexual totalmente identificado como tal, ou seja, já bem definido em sua aparência como tal. A professora seria obrigada, então, a descobrir qual o pronome certo a ser usado, ainda que isso contrarie a própria gramática.

Esse detalhe foi o suficiente para que o trans se sentisse no direito de ofender a professora e procurar a polícia. Vejam só, a democrática polícia foi procurada para resolver um suposto caso de “transfobia”.

Sabemos que a relação entre professores e estudantes nas universidades nem sempre são as melhores. Não são poucos os casos em que estudantes são tratados como uma espécie de casta inferior na universidade. Mas não parece ser esse o caso. Primeiro porque a estudante trans, se estivesse preocupada com algum abuso da professora, não teria procurado a polícia, mas procuraria resolver a questão politicamente, ou por meio do movimento estudantil, ou por meio das próprias vias institucionais da universidade. Segundo porque não precisaria usar o problema do pronome para acusar a professora.

Se houvesse um abuso de autoridade por parte da professora – que parece não ter havido – seria preciso denunciar isso.

Tudo indica que a origem do problema foi que o estudante trans ficou ofendido simplesmente porque a professora errou seu pronome.

O clima de vigilância e controle difundido pelo identitarismo está tornando a convivência insuportável.

Há um agravante nisso tudo. Esse clima está voltando a população contra os identitários. A população identifica no identitarismo uma política opressiva, ou seja, o que era para ser uma defesa do oprimido, vira o próprio opressor.

E isso não está totalmente errado. O identitarismo é uma ideologia impulsionada pelo setor mais opressivo do capitalismo mundial. Por isso, os identitários se sentem à vontade para calar as pessoas, acusar, cancelar, porque eles têm a ilusão de que estão no domínio do mundo. O que eles não entenderam é que o imperialismo que os impulsiona agora não faz nada mais do que demagogia, não está interessado nos direitos de ninguém. E quando a fúria da população contra essas palhaçadas identitárias ficar fora de controle, o imperialismo não estará lá para ajudar.

Por isso, a esquerda não deve apoiar nem um milímetro sequer essas pautas identitárias. Elas são reacionárias e não tem nada a ver com o direito desses grupos oprimidos.

O que o imperialismo quer com o identitarismo é der uma cobertura progressista a uma política reacionária que envolve repressão, controle social, vigilância, censura e perseguição. Tudo isso, alimentado pela histeria do tipo da que ocorreu na UFBA. Outro exemplo recente foi o caso do trans barbado no banheiro feminino da UnB.

A tal da “transfobia” é apenas um instrumento para servir de justificativa para a repressão e a perseguição de inimigos políticos.

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