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Oportunismo pequeno-burguês

Para o PSTU, foram bandeirantes que fizeram a chacina do Guarujá

PSTU utiliza-se do massacre da população brasileira para atacar a história nacional

As terríveis chacinas promovidas pelas polícias militares nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia no começo do mês expuseram a política profundamente confusa, e em geral conservadora, da esquerda, desde a abertamente reformista até a pretensamente revolucionária, acerca do problema do Estado capitalista e das polícias. O assunto tomou contornos de maior confusão devido ao infeliz pronunciamento do presidente Lula acerca do tema, servindo de bom pretexto para atacar o governo por parte dos agrupamentos de esquerda pequeno-burgueses centristas, como, por exemplo, o PSTU. No entanto, ainda que haja, na matéria Chacinas: Independência dos governos é questão de vida ou morte, publicada ontem, dia 18 de agosto, elementos que sejam corretos, o diabo está nos detalhes. Precisamente nos erros reside a concepção reformista do partido pretensamente revolucionário.

De fato, “a polícia é muitíssimo ‘bem-preparada’ para fazer o que faz”, tal qual indica o primeiro intertítulo da matéria; ou seja, a polícia é treinada para ser um instrumento de guerra contra a população brasileira, em particular contra a classe operária e o campesinato pobre. Por outro lado, a evidência escolhida pelo autor da matéria, Israel Luz, é das mais ridículas e cômicas, não fosse o fundo profundamente reacionário: mais uma vez a esquerda pequeno-burguesa, em coro com a política identitária pró-imperialista de destruição da história nacional, repete o mito de que a polícia militar de São Paulo seria herdeira dos bandeirantes. Em seguida, o autor discorre acerca do que são as 18 estrelas, nada particularmente interessante; interessante, no entanto, é a sua conclusão:

Ostentar no brasão o orgulho desse passado, indica que instituições como esta não mata negros, indígenas e pobres massivamente por puta incompetência, no sentido dado pelo presidente. É indício, mais do que simbólico, que a Segurança Pública foi e continua sendo concebida como defesa do Estado brasileiro. Estado entendido como um ‘quartel general’ ou ‘um comitê para gerir os negócios comuns de toda a classe burguesa”, como escreveram Marx e Engels, no Manifesto Comunista.”

Primeiramente, utilizar símbolos como evidência de qualquer coisa é uma bobagem. O menino “nazista” bahiano, ou um careca do ABC, é muito menos “nazista” que o Partido Democrata norte-americano. Segundo, procura-se colocar no mesmo balaio a repressão de diversas revoltas populares e até mesmo o golpe de 1964 (!) e o bandeirantismo. Utiliza-se das monstruosidades da polícia militar paulista para atacar um pilar da história nacional de maneira um tanto rasteira.

A maneira idealista de raciocinar caminha para a próxima frase “(…) concebida como defesa do Estado brasileiro”, ou seja, o problema é como a Segurança Pública é concebida.Uma mudança de concepção e teríamos acabado com a violência policial extrema, ou ainda, seria possível dentro dos marcos do Estado capitalista haver algum outro tipo de polícia. Reformismo do mais risível.

De fato, em momentos específicos em que a luta de classe arrefece, pode persistir uma ilusão de que a polícia cumpre alguma outra função que não seja a de corpo armado a serviço da burguesia, particularmente em países mais desenvolvimentos em que chegou a vigorar um verdadeiro “Estado de Direito”. No entanto, como mostra o desenvolvimento da crise do regime político francês atual, conforme a luta entre a classe operária e a burguesia se acentua, mais evidente fica o fato de que a polícia é, e só pode ser, um instrumento em defesa da classe dominante cuja função é esmagar as classes oprimidas. Não se trata de um problema de “concepção”.

É irônico que para dar algum tom de autoridade às bobagens escritas, o autor cite Marx e Engels, precisamente naquilo que negara na frase anterior. Mais irônica é a posição conservadora do PSTU acerca do pleno armamento da população, pauta revolucionária defendida de maneira consequente somente pelo PCO. Talvez a outra concepção de Segurança Pública seja uma polícia desarmada e um latifúndio desarmado (junto à população desarmada) tal qual defende o PCB, outro partido pequeno-burguês centrista. Como chegaremos lá, ninguém sabe dizer.

De fato, como já tratado neste Diário, a posição do Presidente Lula, e de boa parte da camarilha petista, é muito conservadora quando o assunto é a questão do Estado. O autor explora este fato para colocar Lula no mesmo balaio que o governador bolsotucano do Estado de São Paulo; uma “quase nada verdade” com aparência esquerdista que, se levado em conta o histórico de atuação do PSTU, particularmente no golpe de 2016, pode indicar o surgimento de uma ala golpista “pela esquerda”. É curioso que a matéria nada fale de Flávio Dino e Sílvio Almeida e de suas verdadeiras apologias às chacinas, algo particularmente escandaloso no caso do Ministro dos Direitos Humanos — ou não, tendo em vista os serviços prestados ao Carrefour. O que os blinda de críticas por parte da esquerda pequeno-burguesa? O fato é que boa parte da esquerda pequeno-burguesa segue a política da direita “tradicional”, do famoso “centro político”, mas com um verniz esquerdista. Finalmente, analisemos a conclusão do texto:

E em meio a tudo isto, resta apenas uma certeza: venham de onde venham, as balas do Estado acertam sempre os mesmos. São as famílias pretas, indígenas, trabalhadoras e periféricas que choram. Ter independência política dos governos neste caso é, com perdão da frase feita, uma questão de vida ou morte.”

Apesar da chatíssima fraseologia identitária, não aparenta haver nada de errado com esta conclusão, pelo menos à primeira vista. O diabo está fora do texto, na política de conjunto do PSTU. “Independência política” de quais governos? Do que se trata a tal independência política? O PSTU pede o “Fora Tarcísio!”, no que estamos de acordo. Pedirão também o “Fora Lula!”? Desenha-se novamente a política do “Fora Todos!.” O problema é que, de novo, esta política nada mais será do que o “Fora PT!”. Estas movimentações da esquerda pequeno-burguesa revelam que os direitistas dentro do governo e a posição conservadora do Presidente acerca da questão do Estado são um verdadeiro calcanhar de Aquiles da política de Lula.

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