CPI do MST

Para defender o MST, mobilizar trabalhadores da cidade e do campo

Enquanto a direita avança nos ataques ao MST e aos sem terra como um todo, esquerda faz palhaçadas na CPI do MST

No dia 17 deste mês, a Câmara dos Deputados instalou a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do MST. A comissão tem previsão de funcionar por 120 dias, com reuniões regulares que acontecem nas terças e nas quintas-feiras. O foco da CPI seria o de investigar a onda de ocupações de terra que ocorreram por parte do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) desde o começo do governo Lula. Um grave ataque não só a Lula, que pode ser acusado de financiar diretamente o MST, como à esquerda como um todo, que pode ter um dos seus principais movimentos sociais colocados na ilegalidade.

A composição da comissão mostra que se trata de uma organização voltada para atacar os direitos dos sem terra, é um ataque venal ao MST. O tenente-coronel Zucco (Republicanos-RS) e Kim Kataguiri (União Brasil – SP), duas figuras da direita, foram apontados como presidente e vice-presidente, respectivamente, da comissão. Enquanto isso, Ricardo Salles, ex-ministro do Meio Ambiente de Bolsonaro, foi escolhido como relator do colegiado.

Até o momento, a esquerda parece não perceber o tamanho da ameaça que a CPI do MST representa para a luta dos trabalhadores sem terra e do povo no geral. Os parlamentares dos partidos de esquerda não estão se empenhando em realizar nenhuma grande mobilização contra a CPI, que deve funcionar, a princípio, por 120 dias, algo que está na ordem do dia. Antes, é mais uma ocasião na qual a esquerda pequeno-burguesa acredita cegamente que a “luta” no Congresso pode surtir um grande efeito frente às investidas dos golpistas.

Vejamos alguns dos grandes feitos da esquerda que fazer parte da CPI: na terça-feira (23), a deputada Camila Jara (PT-MS) deu suco de uva orgânico produzi por membros do MST aos congressistas presentes na comissão. “O conhecimento liberta e fiz questão de servir suco de uva produzido pela agricultura familiar aos nobres deputados da CPI do MST”, disse Jara em sua conta no Twitter. Além da deputada, Marcon (PT-RS) também distribuiu um saco de arroz do MST para parlamentares da base de Bolsonaro.

Mais adiante no mesmo dia, Sâmia Bomfim (PSOL-SP) entendeu que ler uma reportagem afirmando que o deputado federal tenente-coronel Zucco, presidente da CPI, havia acabado de se tornar alvo de investigação por parte da Polícia Federal (PF) por suposto “incentivo” a atos bolsonaristas no Rio Grande do Sul; seria algo efetivo para defender os direitos do sem terra frente aos ataques que estão sofrendo por meio da instauração da comissão.

Na mesma sessão, Talíria Petrone (PSOL-RJ) chamou Ricardo Salles de “bandido” e de “marginal”, o que causou um alvoroço. Já na quinta-feira (25), ela pediu um minuto de silêncio pelos seis anos do massacre de Pau D’Arco, no qual 10 trabalhadores sem terra foram assassinados pelas polícias militar e civil. Éder Mauro (PL-PA) se negou a fazê-lo, o que iniciou um bate-boca na sessão.

Ou seja, fica claro que a política da esquerda em relação à CPI do MST é uma farsa, uma aberração que consiste em fazer bravatas no parlamento. Se continuar dessa maneira, a direita passará por cima da esquerda e dos movimentos populares, cercando ainda mais o governo Lula e a sua base.

Finalmente, a esquerda precisa parar de fazer palhaçadas, como entregar suco e arroz aos parlamentares, e denunciar os latifundiários. Deve apoiar o movimento dos sem terra e mobilizá-los em torno das reivindicações desse setor. Afinal, o Brasil possui uma população de sem terra que atinge a casa dos milhões. É uma força política absolutamente essencial para derrotar de vez o golpe e emplacar os direitos dos trabalhadores apesar do poder que a direita possui no Congresso. Força que deve, portanto, ser defendida com unhas e dentes dos ataques dos aliados dos latifundiários no Parlamento.

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