Durante o cessar-fogo na Faixa de Gaza, com a libertação de reféns tanto pelo Estado de Israel quanto pelo Hamas, tornou-se público o tratamento dispensado às pessoas no tempo em que ficaram sob cárcere. Curiosamente e desmentindo a propaganda imperialista, os reféns do Hamas não eram torturados, estuprados, aterrorizados ou ficavam sem água e comida, como se evidenciou pelas reações dos libertos. Já os prisioneiros dos sionistas, sim.
Presos pelos militares israelenses, palestinos contaram para o jornal do catar Al Jazeera como eram tratados dentro das prisões. Conforme os homens e crianças às quais o jornal teve acesso, os prisioneiros eram despidos, vendados, numerados e torturados sem motivo nenhum. As informações e as imagens mostram claramente o terror que enfrentaram esses palestinos. “Algumas pessoas não voltaram das sessões de torturas, ouvimos seus gritos e depois nada” – afirma Nader Zindah.

Zindah é um pai que teve sua casa invadida pelos israelenses quando os militares chegaram no bairro de Zeitoun, na Faixa de Gaza. O palestino lembra que ao ver-se cercado, rasgou um lençol branco e entregou um pedaço para cada membro de sua família. Mesmo com o pano branco em mãos, os soldados invadiram sua casa, separaram as crianças pequenas com as mulheres e homens com os adolescentes. A partir daí começou o inferno.
Pessoas do sexo masculino eram obrigados a se despirem, eram empurrados e roubados. “Eles nos obrigaram a esvaziar nossas malas no chão e nos impediram de pegar nosso dinheiro ou o ouro de nossas esposas”, lembra Nader. “A pouca comida que tínhamos, eles também jogavam fora. Eles levaram nosso dinheiro, identidades e telefones.” Segundo Zindah, outros 150 homens das casas vizinhas também foram presos, vendados e algemados.
Levados para um armazém onde o chão era coberto por arroz, sem roupas, eles foram interrogados e severamente torturados. O arroz no chão não era acidental. Enquanto se mantiveram sentados e despidos, os grãos de arroz cortavam a pele, privando-os do sono. “O desprezo deles por nós não era natural, como se fôssemos seres inferiores” afirma Mohammed Odeh, de 14 anos, levado do mesmo bairro de Wadi al-Arayes, em Zeitoun.

“Quando eles falavam conosco em hebraico e não entendíamos, eles nos batiam”, continua ele Mohammed Odeh.“Eles me bateram nas costas, onde estão meus rins e minhas pernas. Eles levaram minha família e não sei onde eles estão”. Antes de serem forçados a entrar no armazém, mulheres soldados israelenses vieram e cuspiram nos homens, afirma o jovem para a Al Jazeera.
No armazém, eles ficaram de olhos vendados e algemados por cinco dias. Eventualmente, entravam grupos de militares que escolhiam alguém aleatoriamente e o espancava enquanto os outros ouviam os gritos de dor. Se alguém cochilava, os militares jogavam água fria. Interrogados e ameaçados de morte o tempo todo, qualquer pergunta feita por um soldado a um prisioneiro já era motivo para eles apanharem.
“Alguns deles falavam árabe. Cada vez que você tentava conversar, pedindo para ir ao banheiro ou querendo beber água, eles vinham e nos batiam, usando a coronha de seus rifles M16. Eles têm um racismo inacreditável. Eles realmente nos odeiam. Isto não é sobre o Hamas. Trata-se de acabar com todos nós. Trata-se de um genocídio, assinado pelo [presidente dos EUA] Biden.” Diz Nader Zindah.
É mais do que claro que esse tipo de tratamento dado aos civis palestinos presos é abertamente nazista. A imprensa tenta acobertar os crimes de guerra do Estado de Israel, justificando os ataques aos hospitais e escolas na Faixa de Gaza, sob a alegação mentirosa de que seriam esconderijos do Hamas. A pergunta que fica é: o que justifica esse tratamento na prisão com tortura e até mesmo possíveis assassinatos de crianças e civis?





