Afonso Teixeira

Tradutor, formado em Letras pela USP e doutorado em Linguística com tese em tradução. Tem formação como músico, biólogo e cientista político.

Demagogia

Os drones da vergonha

Grande parte das pessoas na Ucrânia não sabe falar a língua ucraniana e usa o russo para a comunicação diária. O ucraniano funciona mais como um dialeto

Alguns dias atrás, um drone aquático francês atingiu, no Mar Negro, um navio petroleiro russo. A imprensa imperialista comemorou, deixando de lado a euforia ambientalista. Não importa que se derrame petróleo ao mar, desde que esse petróleo seja russo. 

Ontem, entretanto, chegou a notícia de que os Estados Unidos estavam enviando tanques Abrahams para a Ucrânia, equipados com munição de urânio empobrecido. Não se trata de tanques novos, de última versão, mas de tanques reformados. Mais uma vez, nenhuma crítica por parte da imprensa. Sabe-se que esse tipo de munição propaga radiação que compromete o ambiente, provocando câncer em pessoas e animais que passam ou vivem em áreas atingidas. 

Também não se fala muito das bombas de fragmentação. São artefatos que espalham diversas bombas, como se fosse uma granada, mas, em vez de espalhar fragmentos de ferro, espalha bombas. Ocorre que muitas dessas bombas não detonam e ficam expostas no terreno, podendo vir a explodir quando tocada por alguém desavisado, por uma criança ou por um pedestre. Tudo o que a imprensa disse a respeito dessas bombas foi como elas funcionam e que estão proibidas por uma certa convenção internacional, da qual não fazem parte os Estados Unidos, a Rússia e a própria Ucrânia. 

Parece que a OTAN, diga-se Estados Unidos, já se deu conta de que a Ucrânia jamais conseguirá retomar os territórios ocupados pela Rússia. Sendo assim, planeja, agora, tornar esses territórios inabitáveis. É o que está parecendo. 

Se esse for o plano da OTAN, a Rússia terá de acautelar-se em relação a Zaporíjia, onde se encontra a maior usina atômica da Europa, já diversas vezes bombardeadas pela Ucrânia, a qual, via de regra, acusa a Rússia de ter bombardeado a usina controlada por ela. 

Dessa forma, devemos recordar da represa que rompeu no Sul, limitando o fornecimento de água para a Crimeia. Não haveria dúvidas de que a imprensa acusaria a Rússia de tê-lo feito. No entanto, teve cautela e disse não saber quem o havia feito e limitou-se a informar que um lado acusa o outro pelo desastre. Em seguida, mostra o estrago dando a nítida impressão de que os culpados foram os russos. 

Assim já é demais. 

O fato é que quem vive nas regiões ocupadas, povos de maioria russa, vem levando uma vida desgraçada desde 2014, quando a Ucrânia colocou em marcha uma campanha xenofóbica contra os russos, e grupos paramilitares, como o Batalhão Azov, passaram a atacar os habitantes de Lugansk. A ideia era eliminar todo o mundo que tivesse qualquer afinidade étnica com os russos. O próprio presidente-fantoche, o senhor Zelenski, proibiu o uso do russo nas escolas. Ele próprio que, até há pouco tempo, não sabia falar o ucraniano. 

Grande parte das pessoas na Ucrânia não sabe falar a língua ucraniana e usa o russo para a comunicação diária. O ucraniano funciona mais como um dialeto e é usado sobretudo dentro das casas. A língua predomina apenas no oeste do país onde tem forte influência do polonês. 

E o próprio Zelenski, em sua carreira de comediante, fazia um programa de comédia falado totalmente em russo. 

*A opinião desta coluna não reflete, necessariamente, a opinião do Diário Causa Operária

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