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Valéria Guerra

Historiadora, artista (atriz) sob DRT 046699-RJ. Jornalismo UMESP-SP, término neste ano corrente. Bióloga e professora da Rede Estadual do Rio de Janeiro. Colaboradora textual do Site Brasil 247 há 4 anos. Escritora com livros publicados e textos para inúmeras Antologias, inclusive concursos de textos teatrais. Mestrando em psicologia da Educação. Escreveu o livro “Eu preciso de um Hulk” que se transformou em peça homônima

Sectarismos

Oito de janeiro: o dia que ainda não terminou

Um país nem tão independente viu nascer uma república de brinquedo com a espada na mão, e seguimos daí, de golpe em golpe, até chegarmos em 1964, ano fatídico e torturante

O termo “golpe” significa soco, bofetada. Estamos sendo esbofeteados, há tempos; e vivemos sob a égide de golpismos. Somos resistentes, e já provamos isso, através de tantas sublevações de renome: Canudos, Comuna de Manaus, Cabanagem, Revolta da Chibata e tantas outras, sejam nativistas ou separatistas.

 Em 15 de novembro de 1889 foi proclamada a República, que, na verdade, foi tardia no Brasil e funcionou como um soco na Monarquia (próspera?). A questão religiosa foi relevante para que acontecesse a mudança. As forças militares, com exceção da Marinha, foram também interessadas nesta situação. E a Abolição da Escravidão, foi outro marco de esta proclamação.

A aristocracia rural descontente (sob os ideais positivistas) conspirou junto às forças armadas para que ocorresse o golpe de Deodoro da Fonseca. Derrubar a Monarquia foi uma questão de tempo: com tudo planejado, inclusive a geração de uma massa de escravos (já libertos) que ficaram descalços e à deriva, como mendicantes.

 Há uma versão historiográfica de que os abolicionistas, que realmente visaram a liberdade dos seres humanos escravizados por trezentos anos, eram monarquistas. A quartelada de Quinze de Novembro foi necessária no xadrez dos interesses mundiais. Trocou-se a coroa pela cartola, segundo Gilberto Freire. Já que o imperador Pedro II, iniciou um processo de desleixo em relação ao comando imperial…

Um país nem tão independente viu nascer uma república de brinquedo com a espada na mão, e seguimos daí, de golpe em golpe, até chegarmos em 1964, ano fatídico, que transformou o povo aqui gestado, em “oprimidos vigiados” dentro de um pedaço de chão encharcado de tortura e morte. Na verdade, os golpistas trabalham contra o povo. Sim, a burguesia, a elite, ou o que o valha obedece ao capital, na toada do “manda quem pode e obedece quem tem juízo”.

Há clichês sobre o golpe de 1964, os militares e o regime também vão sendo abandonados, como a ideia de que só após 1968 ter havido tortura e censura; a suposição de que os oficiais generais não tinham responsabilidade pela tortura e o assassinato político, a impressão de que as diversas instâncias da repressão formavam um todo homogêneo e articulado, a classificação simplista dos militares em “duros” ou “moderados” etc. Por tudo isso, se pode falar de uma nova fase da produção histórica sobre o período.

Por isso o que aconteceu no dia 08 de janeiro de 2023, pode representar para certos historiadores, o que “atualmente” a imprensa de direita, de cativeiro, ou similar insiste em classificar apenas como uma atuação planejada pela Esquerda, inclusive com a participação governista, vamos repensar leitores, pois este fato acontecido no dia supracitado na Esplanada dos Três Poderes, lá em Brasília, poderá ser o dia que não acabou… e sem dúvida entra já, para a galeria dos “socos” (ou golpes) contra a reconquista do estado democrático de direito de cada cidadão brasileiro.

Sem dúvida que o bolsonarismo plantou sua semente ultrajante no âmago de uma parcela da população, que passou a destilar ódio por todos seus poros direitistas e sectários, porém há incautos soltos no pasto das pseudodemocracias…

* A opinião dos colunistas não reflete, necessariamente, a opinião deste Diário

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