São Paulo 

O vício que impede o PT de lutar efetivamente contra a direita

Mesmo falando sobre a luta contra a extrema-direita, o PT de SP se alia aos bolsonaristas da ALESP desmoralizando o partido em um momento crítico do governo

O PT do estado de São Paulo está prestes a cometer mais uma vez um grande erro, apoiar o PL, partido de Bolsonaro, à presidência da ALESP. Não é a primeira vez que se forma essa aliança PT-bolsonarismo no legislativo, houve o caso da presidência do Senado e outro ainda mais semelhante no Rio de Janeiro, onde André Ceciliano, PT, foi presidente da ALERJ apoiado pelo bolsonarismo, este chegou a fazer campanha para o candidato do Bolsonaro ao governo do Estado. O PT, assim, apesar de toda a retórica contra a extrema direita (punição exemplar, sem anistia etc) na prática sustenta o governo de extrema direita do Estado de São Paulo. Um erro grave que fortalece a direita.

O acordo foi costurado entre o PT do estado de São Paulo e o novo governador bolsonarista Tarcísio de Freitas, PL, e o secretário de governo, Kassab, PSD. O PT ficou com a 1ª secretaria da ALEP e assim o deputado André do Prado, PL, ganhou a presidência da ALESP. A direita e a extrema direita unidas selaram um acordo com o PT que em troca ganhou mais cargos. Esse é um exemplo do “toma-lá-dá-cá” da esquerda que existe e que não é atacada pela direita pois a beneficia.. É um fenômeno que contradiz os interesses das bases populares do PT, que enfraquece a própria esquerda.

O caso do Rio de Janeiro é emblemático, no segundo estado mais importante do Brasil o PT aderiu ao governo da direita há mais de 20 anos, apoiou o MDB diversas vezes. Quando o governo passou para Claudio Castro, PL, o PT do estado manteve o seu apoio ao governo do estado, tamanho era o fisiologismo do partido. A militância de base que se manteve todo esse tempo nas ruas apesar da desmoralização odeia essa política mas não é ouvida. O último caso é o da prefeitura de Eduardo Paes, o golpista que virou “aliado” de Lula na eleição e que provavelmente terá apoio formal do PT, apesar das críticas das bases do partido que querem já iniciar uma campanha por uma prefeitura petista.

Em São Paulo o fenômeno será parecido, o PT acabará por sustentar o governo bolsonarista. Que combate então será travado pelo PT do estado contra o bolsonarismo? Nas próximas eleições estaduais, por exemplo, os 2 meses de campanha conseguirão combater os 3 anos e 10 meses em que o PT na prática apoiou o bolsonarismo do governo? Essa briga de foice no escuro por cargos é um dos fenômenos que sempre destroem a esquerda a empurram para o colo da direita, que sempre detém o controle da maioria dos cargos. Foi assim que, na época do impeachment de Dilma, dos 69 deputados do PT a esmagadora maioria não foi vista nas mobilizações contra o golpe de Estado.

Dos 19 deputados estaduais do PT eleitos em São Paulo, que aceitaram esse acordo escuso de apoiar um bolsonarista para a presidência da ALESP, quantos será que mobilizarão a luta contra o bolsonarismo e em defesa de Lula nos próximos meses e anos? Só o tempo responderá mas essa realidade é um péssimo indício. Esse fenômeno é na verdade uma capitulação do PT a direita que abandona a luta política para ganhar cargos fáceis. É o desenvolvimento da capitulação do PT (e da esquerda em geral) no estado de São Paulo que abandonou a luta séria contra o PSDB nos últimos 28 anos, com acordos idênticos. O mais interessante é que Lula ganhou na capital, o que é um indício que o PT poderia ter uma força muito maior no legislativo caso tomasse políticas mais à esquerda, indicasse candidatos operários ao governo e não representantes da sombra da burguesia.

Esse fato também é importante para combater a tese de que o povo de São Paulo é direitista. Esse povo que foi a vanguarda da luta contra o golpe de Estado, pela liberdade de Lula, por Lula presidente e que de fato elegeu Lula (São Paulo foi o estado com maior crescimento relativos de votos para Lula) não é direitista. Pelo contrário, é a classe operária de São Paulo o principal foco de toda a esquerda nacional que está ligada a essas direções direitistas e capituladoras que seguram o seu potencial. O mesmo é válido em menor grau para o Rio de Janeiro e Minas Gerais, no sentido do potencial e não das direções que também são muito direitistas.

A política do PT de alianças com a direita sempre tem um resultado negativo para os trabalhadores, impede a sua luta de avançar. Contudo na atual conjuntura que se forma um bloco golpista contra o presidente Lula qualquer aliança do PT com a direita se torna muito perigosa. Nos estados do sudeste, os mais importantes da política nacional, o bolsonarismo ainda tem muita força e precisa ser combatido pela militância. Se o PT se alia a um governo bolsonarista, como no Rio de Janeiro e agora em São Paulo, isso enfraquece muito essa luta. Esse tipo de aliança deve ser combatido, assim como a direita que compõe o governo Lula, por meio da mobilização das bases da esquerda em defesa de um governo dos trabalhadores.

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