Identitarismo

O “racismo” de Monteiro Lobato e a extinção da literatura

A insistência em detratar um dos grandes escritores brasileiros serve aos interesses daqueles que querem atacar as conquistas nacionais

A Folha de S. Paulo publicou uma reportagem sobre uma entrevista com a escritora de literatura infanto-juvenil, Ruth Rocha, que está lançando um novo livro.

Na maior parte do artigo, apenas a divulgação do novo livro e causos da vida da escritora. O que chamou a atenção, no entanto, foi o destaque dado a uma declaração de Ruth Rocha sobre Monteiro Lobato:

“Parou de presentear as pessoas com a obra de Monteiro Lobato depois que a filha de sua funcionária se queixou de uma história em que havia a expressão ‘negra beiçuda’. ‘Falei pra ela: ‘Você tem toda a razão de não gostar. Tá tudo errado, isso é muito feio mesmo'”.

A primeira coisa que chama a atenção é a preocupação da Folha de S. Paulo em destacar a acusação de racista contra Monteiro Lobato. Um dos grandes escritores da literatura nacional e um dos maiores escritores de literatura infantil do mundo é constantemente avacalhado como sendo racista. 

Além do identitarismo ignorante, com sérias deficiências de interpretação de textos, a política por trás dessa campanha é avacalhar um importante personagem da história e da cultura brasileiras.

É o que explica a insistência de um jornal burguês como a Folha, acostumado a atacar qualquer posição de esquerda, a parecer preocupado com o racismo.

Pelo contexto do artigo, podemos concluir que Ruth Rocha era uma admiradora de Monteiro Lobato a ponto de presentear os amigos com os livros do escritor paulista. Devemos crer também, segundo a reportagem, que a opinião da filha da funcionária da escritora teve um peso muito grande na opinião de Ruth Rocha, em seus 92 anos de idade e uma carreira literária de mais de 50 anos. Tudo muito estranho, mas a Folha faz questão de mostrar: “Lobato era racista”, ou melhor, o que ele escreveu era “feio”, como di a reportagem.

Segundo a reportagem, a expressão “negra beiçuda” seria a prova do racismo. Se Monteiro Lobato estivesse vivo, a filha da funcionária de Ruth Rocha talvez pudesse ensina-lo a escrever mais “bonito”: “mulher afro-descendente com lábios grossos”. Será que essa expressão satisfaz aos patrulheiros da literatura de Lobato.

O problema é que, no fim das contas, o conteúdo é o mesmo. E se o conteúdo é o mesmo, não pode haver racismo, nem no primeiro caso, nem no segundo. Achar a primeira expressão “feia” é um direito de cada um. Já a insinuação de racismo, que é o real motivo para a afirmação de que a expressão é “feia”, não procede de jeito nenhum.

Se Monteiro Lobato escrevesse como no segundo caso, ele não seria Monteiro Lobato. Lobato foi um dos principais defensores do uso da linguagem popular em sua literatura. Seus biógrafos afirmam que os estudos de expressões regionais feitos por Lobato e usados em seus livros ajudou a aumentar os verbetes dos dicionários da época.

A expressão “negra beiçuda” pode não ser nenhuma novidade, mas com certamente é a maneira que o povo fala nas ruas. Negra é uma mulher de pele escura, beiçuda é uma pessoa de beiços ou lábios grandes, grossos ou carnudos, como queira. Qual seria o problema da expressão, a princípio nenhum.

Outra alegação dos detratores de Lobato é que expressões desse tipo colaboram para criar uma caricatura do negro. O problema é que preocupações como essa mostram que o melhor seria extinguir toda a literatura, afinal, grande parte dos personagens literários, senão todos, são um tipo de caricatura.

Outras teses absurdas como essa são apresentadas contra Monteiro Lobato. A realidade é que toda essa campanha serve apenas para desmoralizar um grande nome da literatura brasileira. Mais ainda, serve para esconder o caráter nacionalista e progressista desse escritor.

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