Assassinato de Jovem

O povo toma conta das ruas da França novamente

Novo estopim faz o povo francês se revoltar e tomar conta das ruas do país, mostrando que as manifestações anteriores não eram apenas pela reforma da previdência

Na última terça-feira (17), a polícia francesa assassinou um jovem de 17 anos de idade, chamado Nahel Merzouk. O crime aconteceu na cidade de Nanterre, durante uma blitz. Conforme pode ser visto nas filmagens, o policial estava na janela do motorista, com a arma apontada para Nahel. Tendo ciência do caráter fascista da polícia francesa, e com o receio de ser mais uma vítima, o jovem tenta fugir e, assim que dá uma leve arrancada, o policial dispara a queima-roupa, assassinando-o a sangue-frio.

De forma cínica e falsificando a realidade, assim como fazem todas as polícias ao redor do mundo quando cometem crimes contra a população, a polícia francesa alegou ter agido em legítima defesa, algo que fica cabalmente refutado pelas filmagens.

Nahel, que tinha origem argelina, era morador de um bairro operário de Nanterre, e trabalhava como entregador.

Cumpre aqui abrir um parênteses: o que a imprensa imperialista e pró-imperialista estaria dizendo se esse crime tivesse sido cometido pela polícia Venezuelana? Estariam dizendo, uma vez mais, que a Venezuela é uma ditadura, e que Maduro deveria ser condenado por crimes contra a humanidade. Contudo, como ocorreu na França, nada é dito. O país ainda continua sendo propagandeado como uma democracia.

Mas o povo francês sabe que vive sob uma ditadura. Assim, no mesmo dia em que o crime foi cometido, centenas de pessoas saíram às ruas de Nanterre em protesto contra o aparato de repressão. Não demorou, e os protestos se espalharam para várias das mais importantes cidades francesas, tais  como a capital Paris, mas também Lyon e Marselha.

Esta não é a primeira vez este ano que as ruas da França são tomadas pela revolta das massas.

Nos cinco primeiros meses desse ano de 2023, vimos as ruas da França serem tomadas pelos trabalhadores e pela população. Aquelas mobilizações tiveram como estopim da reforma da previdência de Emmanuel Macron, o presidente neoliberal. Contudo, não se resumiam a essa questão. A proposta da reforma (que eventualmente fora aprovada, virando lei) foi apenas a fagulha para uma revolta que já estava imanente no seio do povo francês. Os trabalhadores já não estavam mais tolerando serem governados por um representante dos banqueiros (Macron), que sempre aproveitava qualquer oportunidade que tivesse para retirar direitos da população.

Com a guerra na Ucrânia, o imperialismo tentou subjugar a Rússia com sanções econômicas. Contudo, o tiro saiu pela culatra e os países imperialistas, em especial os da Europa continental viram a crise econômica se aprofundar exponencialmente em seu próprio quintal.

Inflação alta, salários baixos, tudo isto acumulou, até que veio mais um ataque contra os trabalhadores, qual seja, o aumento da idade para aposentadoria. O povo não aguentou e explodiu em revolta. Durante meses as ruas francesa foram tomadas pela classe operária, que voltara à cena.

A população demonstrou alto nível de politização, e passou a pedir o fim do governo Macron, mostrando que sua revolta não se limitava à questão da previdência.

Contudo, as direções sindicais não souberam liderar as massas e, nem mesmo, acompanhá-las. Através de uma política conciliatória, contribuíram para haver um refluxo das mobilizações do povo.

O refluxo, porém, foi relativo, pois nenhum dos problemas que haviam dado origem às manifestações chegaram a ser resolvidos. Pelo contrário, novos problemas surgiram com a aprovação da reforma da previdência.

Assim, a revolta continuou acumulada no íntimo dos trabalhadores e do povo francês.

Os protestos que se seguiram imediatamente à morte de Nahel mostram claramente que as massas não haviam sido derrotadas. As manobras burocráticas e a repressão da burguesia, ademais da política capituladora dos sindicatos franceses, não foram suficientes para conter o ímpeto do povo à revolta, o qual volta novamente à cena, agora mais radicalizado, com mais disposição de luta.

Já são cinco dias de protestos, e, desde o primeiro momento, os manifestantes demonstram alto nível de radicalização, resultando em cerca de 250 policiais feridos, 1.350 veículos incendiados ou depredados, mais de 50 ataqueas a delegaciais de políciais e quarteis da gendarmeria, e 1.234 edifícios incendiados, dentre os quais várias das delegacias que foram alvos da revolta popular.

Mostrando seu caráter ditadorial, o governo francês colocou nas ruas cerca de 40 mil agentes do aparato de repressão, a fim de conte a revolta popular. Cerca de 1.600 pessoas já foram presas, a maior parte delas jovens.

Há vídeos não confirmados que mostram manifestantes andando armados pelas ruas, após saquerem lojas de armas. Inúmeras vias foram bloqueadas. Vários governos locais ordenaram que ônibus e bondes parassem de circular, instituindo toque de recolher, em alguns casos. Ademais disto, a casa do prefeito de L’Hay-les-Roses foi invadida por um veículo em chamas.

E os protestos não se contiveram na França, espalharam-se pela Bélgica.

Toda essa situação mostra que uma nova fagulha incendiou pradaria. É possível que estejamos de uma situação pré-revolucionária.

Assim, cabe novamente às organizações dos trabalhadores os guiarem nessa revolta, mas agora com uma política correta, direcionada à derrubada do regime político. E, caso não consigam, os trabalhadores e a juventude devem saber ultrapassá-las, criando novas organizações que possam ser a vanguarda necessária a guiar às massas nesses tempos de revolta, no sentido da tomada de poder pela classe operária.

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