América do Sul

Não repetir a derrota de Nabuco, Essequibo é Venezuela!

A imprensa pró-imperialista brasileira faz campanha para que os EUA controlem todo e qualquer território como queira. Defendem a subserviência completa dos países atrasados

No último sábado, 9 de dezembro, o sítio Poder 360 publicou artigo de opinião intitulado “A derrota de Nabuco”, assinado por Marcelo Tognozzi. Aparentemente histórica, a matéria utiliza Joaquim Nabuco para atacar a Venezuela e, como não poderia deixar de ser, tratando-se da imprensa burguesa, o próprio Brasil. Sob um falso verniz de nacionalismo, o articulista se utiliza das posições do diplomata brasileiro de maneira oportunista. Um breve panorama histórico inicia a coluna:

“Nabuco, sempre elegante, um lorde, perfeito cavalheiro, dessa vez não consegue esconder a decepção: o Brasil perdera parte do que hoje é Roraima para os ingleses. A mão treme quando ele assina o recibo da decisão do rei.

“Desde 1898, Brasil e Inglaterra disputavam um pedaço de terra conhecido como Pirara […] Mesmo sendo um monarquista ferrenho, aceitou o convite do presidente Campos Salles e encarou o desafio. Seu fiador era o Barão do Rio Branco, que o municiou de informações, mapas e documentos capazes de sustentar sua defesa.

“Nessa mesma época, a Venezuela disputa com os mesmos ingleses parte do território da Guiana conhecido como Essequibo. Por decisão de uma arbitragem internacional, a Inglaterra venceu e ficou com 90% do território em disputa. Em 1948, foram descobertos documentos revelando uma negociação secreta entre os árbitros para dar a vitória aos ingleses, fazendo com que os venezuelanos passassem a questionar a validade da arbitragem. O Brasil, apesar de Nabuco nunca ter confiado na isenção do rei Vitorio Emanuel no julgamento de 1904, jamais a questionou por absoluta falta de provas.”

Enfim, chegamos ao ponto em que o autor objetivava. Vejamos de maneira detalhada os argumentos:

“Agora a chapa começa a ferver novamente e a Venezuela quer tomar o Essequibo da Guiana, um país independente, fora do controle inglês […] Maduro iniciou sua marcha da insensatez quando promoveu um plebiscito pelo qual o povo venezuelano decidiria sobre a anexação do Essequibo. A ameaça de invasão começa a render e os Estados Unidos já iniciaram a militarização da área onde empresas americanas exploram petróleo. A embaixada dos Estados Unidos em Georgetown anunciou manobras militares conjuntas. O objetivo, segundo a embaixada, é garantir a segurança e a capacidade de responder a ameaças.”

A Guiana, ex-colônia inglesa e totalmente artificial, seria um país independente do país ao qual deveria pertencer. Então, para legitimar este ponto, o autor cita o governo dos EUA.

Os EUA militarizaram a área, onde empresas americanas exploram petróleo e a embaixada dos Estados Unidos em Georgetown anunciou manobras militares conjuntas, cujo objetivo foi definido pela própria embaixada dos EUA. Algo parece estranho, não?

Além desta farsa total, a realização de um plebiscito pelo governo venezuelano seria uma marcha da insensatez. Um procedimento democrático e pacífico, utilizado para restaurar um território histórico ao país. O que há de insensato? A Venezuela não se utilizou de expedientes militares, quem leva a uma escalada das tensões na região são os próprios EUA, que utilizam a Guiana como se a eles pertencesse. A situação é evidente pelas colocações do próprio colunista.

“Maduro voará para Moscou ainda em 2023 para encontrar Vladimir Putin e trazer a Rússia para dentro da crise sul-americana.”

Ou seja, os EUA, os norte-americanos podem adentrar o que seria a “crise sul-americana“, e isso não rende comentário algum por parte do artigo no Poder 360. Chega a aparentar que o veículo está, ele mesmo, a serviço dos EUA, apesar de se mostrar como brasileiro. Outro ponto, vista a ameaça do imperialismo, é natural que a Venezuela se encontre com os países não-alinhados que possam lhe fornecer armas. O encontro, porém, não configura uma escalada militar, tal fator se dá pela atuação dos EUA.

“O Brasil, como país mais importante da região, deve liderar os esforços para que o mapa da América do Sul não seja modificado por uma guerra de conquista. Há inúmeras formas de resolver conflitos sem banhos de sangue e a diplomacia brasileira sempre foi craque na arte do entendimento.”

Em que momento, contudo, esteve colocada uma guerra de conquista? O próprio governo venezuelano já emitiu declarações de diálogo com o “governo” da Guiana. Um banho de sangue, além disso, seria impossível. A Guiana, enquanto colônia, não tem forças próprias, de fato, mas apenas as da sua metrópole, os EUA.

“A região norte da América do Sul foi ocupada por ingleses, franceses e holandeses que nunca conseguiram se estabelecer nos domínios portugueses e espanhóis. Até hoje a França controla a Guiana Francesa.”

Ora, precisamente. Não deve haver lugar para governo gringos em nosso continente. Governos coloniais, que dominam nossas terras e esmagam nosso povo. É igualmente legítimo que o Brasil clame soberania sobre a Guiana Francesa, o Suriname, e a outra região da Guiana. Tal como é legítima a soberania brasileira sobre esses territórios, também o é qualquer escalada militar para controlá-los, contra o imperialismo. O redator novamente se denuncia:

“E se os Estados Unidos intensificarem a presença militar na região, o que parece ser inevitável? Será que o Brasil tem como barrar uma eventual invasão da Guiana pela Venezuela?”

O que os EUA estão fazendo na região? – deveria ser a primeira pergunta. A América do Sul, em sua totalidade e em qualquer ponto, não é parte e nem sequer faz fronteira com o território norte-americano, a presença militar dos Estados Unidos na região não é uma ameaça apenas à Venezuela, mas a todos os países do continente, em particular ao Brasil, que tem fronteira com a Venezuela e com a Guiana. Nesse sentido, o Brasil não deve despender esforço algum para “barrar a Venezuela”, mas deve se unir ao governo bolivariano para expulsar quaisquer tropas coloniais do continente, e resgatar todos os territórios ainda mantidos como colônias pelo imperialismo.

Sobre Joaquim Nabuco, o artigo ainda afirma, de maneira completamente contraditória com sua posição política:

“A derrota para a Inglaterra deixou [sic] uma ferida aberta, conforme ele mesmo escreveu: ‘Tenho feito todo o meu dever, estou com a consciência tranquila, mas o coração sangra-me; parece-me que sou eu o mutilado do pedaço que falta ao Brasil‘”.

Em outras palavras, o diplomata jamais superou o roubo do território brasileiro orquestrado pela Inglaterra. Seguindo tal lógica, nem a Venezuela e nem o Brasil devem aceitar as ações coloniais em terras que são suas, e ao lado de suas fronteiras. Essequibo é Venezuela.

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