Na última sexta-feira (18), a Polícia Civil do Mato Grosso do Sul prendeu mais uma liderança Guarani-Caiouá que está na linha de frente da luta pela terra no estado. O cacique Valdir Martins deslocava-se para buscar ramas de mandioca para plantá-las na retomada com servidores da Fundação Nacional do Índio (Funai), quando foram abordados por policiais civis que deram voz de prisão para o Cacique e o levaram na viatura policial.
A emboscada foi montada pela Força Tática da Polícia Militar do município de Naviraí, que montou uma abordagem e “descobriu” um mandado de prisão contra o cacique, expedido no ano passado, caracterizando ainda mais uma perseguição politica contra os índios e a luta pela terra.
Isso porque, Valdir é cacique da retomada Curupi, localizada as margens da BR-163 no município de Naviraí e que vem sofrendo diversos ataques do governo do estado do Mato Grosso do Sul, comandado pelo latifundiário e organizador da pistolagem, Eduardo Riedel (PSDB), e do governo anterior, o também tucano Reinaldo Azambuja.

Campanha realizada pelo Conselho Aty Guassu em defesa do Cacique Valdir
Os índios que estavam há décadas na beira da rodovia aguardando a justiça e o Estado, ocuparam o latifúndio chamado Tejuí e tomaram a sede da fazenda. Os ataques dos pistoleiros tiveram início na mesma noite da retomada e não cessaram desde então, deixando um clima de terror na comunidade, forçando os índios a voltarem para o acampamento na beira da estrada.
A polícia militar chegou a montar uma base para monitorar os índios e realizaram diversos tiros durante a noite para aterrorizar a comunidade indígena e, também, como uma forma de proteger a ação dos pistoleiros, disfarçados de empresas de segurança, que atacam constantemente.
Há denuncias de que os policiais militares e civis realizam uma caçada contra os índios e suas lideranças numa tentativa de expulsar o acampamento e deixar a terra indígena para os latifundiários.
E foi nesse período que o juiz da 1° Vara Criminal de Naviraí expediu mandado de prisão contra a principal liderança da retomada Curupi, o cacique Valdir.
Prisões políticas proliferam-se no Mato Grosso do Sul
A prisão do Cacique Valdir não é um equívoco ou fruto de perseguição de um pequeno grupo de latifundiários dentro do Mato Grosso do Sul. Valdir se soma a pelo menos outras 13 prisões de lideranças indígenas realizadas de maneira intencional pelo governo do estado, contra índios que estão na luta pela demarcação de suas terras.
Além de diversas ações ilegais da polícia do estado a mando do governador e de seu secretário de justiça e segurança pública, o ex-delegado Antônio Carlos Videira, como tentativas de despejo sem ordem judicial contra a retomada Curupi em Naviraí, Laranjeira Nhanderu em Rio Brilhante e Iwu Vera em Dourados. Também foram 13 prisões sem nenhuma prova, indício, testemunha ou qualquer ação que justificasse suas prisões. Três dessas prisões ilegais ocorreram em Rio Brilhante, 10 em Dourados e agora a décima quarta: Valdir, da retomada Curupi.
Parte da esquerda, como o PSOL e setores do PT ligado ao ex-governador Zeca do PT, apoiaram Eduardo Riedel e sua política de ataque aos índios em troca de cargos e benefícios pessoas, ajudando a causar ainda mais confusão política entre os trabalhadores e, de maneira criminosa, tentar passar um governo da extrema direita latifundiária, como um governo “democrático” e do “diálogo”.
É preciso impulsionar as retomadas contras as prisões ilegais e a perseguição política realizada pelo estado do Mato Grosso do Sul, comandando pelos latifundiários e uma campanha pela liberdade imediata do Cacique Valdir e imediata demarcação de suas terras.
Tradução fala de Nhandesy Verônica Veron do Tecorrá Curupi, no Município de Juti MS Brasil: “Estamos aqui nós mulheres sozinhas, sozinhas porque já mataram todos os meus irmãos, mataram meus sobrinhos e agora hoje dia 18 de agosto de 2023, os delegados da polícia civil de Caarapó, Juti e Naviraí (municípios do Mato Grosso do Sul), prenderam meu filho. O Cacique Valdir quando ele foi no carro da Funai junto com servidor Adão da Funai, buscar rama de mandioca pra plantarmos aqui no nosso Tecorrá Curupi, venho hoje enquanto Matriarca de nosso povo Caiouá e Guarani pedir a Ati Guaçú (Grande Conselho), a todas as guerreiras e todos os guerreiros do Conselho que se dirijam até aqui no Tecorrá Curupi, os não Indígenas latifundiários tem nós perseguido de dia e noite pra nós exterminar, tentaram até nos enterrar vivo com ordem judicial e não conseguiram e agora venho pedir apoio, porque amanhã pode ser a minha vez de ser presa e ser morta. Avajeguakarendy (dr Jonatas e dr Anderson cimi) Avaraperendy peço socorro mais uma vez.