"Ataques" do PCC

Lula está certo, Moro é um farsante

Em rápida entrevista coletiva concedida no Rio de Janeiro, presidente da República minimizou o escândalo que o ex-juiz fez sobre um suposto plano para executá-lo

Durante sua visita ao estaleiro de Itaguaí, onde está sendo desenvolvido o Programa de Submarinos da Marinha do Brasil, o presidente Lula respondeu a algumas perguntas feitas pela imprensa. Entre elas, sua opinião sobre a operação deflagrada ontem (22) pela Polícia Federal, que resultou na prisão de nove pessoas acusadas de integrarem a facção PCC (Primeiro Comando da Capital) e de planejarem o assassinato do ex-juiz e atual senador Sergio Moro (União Brasil).

Quando perguntado sobre o ocorrido, Lula riu e afirmou:

“Eu não vou falar porque eu acho que é mais uma armação do Moro. Mas eu quero ser cauteloso, eu vou descobrir o que aconteceu, mas é visível que é uma armação do Moro”.

E não é para menos. A suspeitíssima operação aconteceu exatamente um dia após Lula ter criticado duramente o senador, que, embora tivesse rebatido, saiu ainda mais desmoralizado, tachado como um funcionário do Departamento de Estado norte-americano responsável por inúmeros ataques à economia e à política nacional. Na ocasião, Lula denunciou que a Operação Lava Jato, comandada por Moro, atuou conscientemente para destruir empresas nacionais — o que já foi provado inclusive documentalmente — e ainda confessou que, durante o período em que ficou preso injustamente, pensava a todo instante em como “foder” — isto é, se vingar — do ex-juiz.

Se de fato a operação não foi exatamente uma “armação”, como disse Lula, no mínimo foi extremamente conveniente para o senador. Assim, conseguiu diminuir o impacto das denúncias de Lula dizendo-se vítima de um “perigoso plano” que poderia levar à sua execução ou ao sequestro de familiares. Um “plano” sem qualquer prova robusta e que em nada se compara aos milhares de planos que o Departamento de Estado norte-americano, a quem Moro responde, organiza todos os anos para executar aqueles que se rebelam contra a dominação imperialista.

Diz-se que Fidel Castro sofreu 638 tentativas de assassinatos por parte da CIA. Lula, por sua vez, foi vítima de um processo de perseguição colossal, que envolveu, segundo ele mesmo denuncia, nove horas de um único programa televisivo — o Jornal Nacional —, mais de 50 capas de revistas e fomentos a grupos de extrema-direita. E o motivo viria se tornar evidente: a tentativa fracassada de excluí-lo do regime político, que inclusive levou à sua prisão por 580 dias.

Por que alguém iria querer matar Moro? Ninguém sabe. O juiz alega que seria odiado entre os “bandidos” e, por ser incorruptível e implacável, estaria sofrendo sério risco de vida. Incorruptível chega a ser piada: Moro foi agraciado com o cargo de ministro da Justiça após prender Lula e, depois, com um bom emprego nos Estados Unidos após deixar a pasta. Implacável tampouco: conforme seria revelado pela Vaza Jato, a operação comandada pelo hoje senador só era capaz de encontrar os “crimes” que diziam respeito a Lula, ao PT ou a setores da indústria nacional. Fernando Henrique Cardoso, por exemplo, foi deliberadamente protegido pela operação.

Não se sabe se existe o tal “plano” para assassinar Moro. Mas que haja gente que o odeie a tal ponto seria a coisa mais natural do mundo. Moro foi responsável direto pela morte de Marisa Letícia, então esposa de Lula, submetida a forte estresse pela perseguição da Lava Jato, levou importantes empresas à falência e até mesmo pessoas ao suicídio, como o ex-reitor Luiz Cancellier, e propôs, enquanto ministro, uma série de medidas para liquidar os sindicatos e massacrar ainda mais a vida da população carcerária e do povo pobre.

E para tudo isso, Moro sempre recorreu aos mesmos métodos: a farsa, a fraude, a mentira, a intriga. Foi capaz de condenar o maior líder popular do País a quase uma década de cadeia sem apresentar uma única prova. Torturou sabe-se lá quantas pessoas usando o método da delação premiada, sob o pretexto da “luta contra a corrupção”. Arruinou empresas e vidas inteiras, garantindo a mais completa “imparcialidade”. Imparcialidade essa que aprendeu já com o seu pai, fundador do PSDB de Maringá…

Moro é tão farsante que até suas falas são uma fraude. O juiz que foi alçado a grande herói nacional sequer sabe falar. Passou vergonha falando em inglês, idioma que — acredita-se — usa para receber suas ordens. Passou ainda mais vergonha falando em português. É uma besta-fera de toga — hoje em dia, de paletó.

A mais nova farsa de Moro foi a farsa de sua reação à fala de Lula de que era um farsante. À CNN, o senador se mostrou escandalizado, sendo que Lula foi até diplomático, visto tudo o que sofreu nas mãos do juiz. Ainda distorceu completamente a fala do presidente, que falou que iria olhar o processo. Lula não disse que iria prender Moro por ter mentido, não negou proteção à sua família, não fez absolutamente nada: simplesmente debochou de um cidadão que é um deboche por si próprio.

Antes de levar a sério o escândalo que o senador fez contra o “plano” de uns pobres coitados que objetivariam sua morte, é preciso levar a sério os crimes que Moro cometeu contra todo o povo brasileiro.

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