Religião

Lula deve deixar de dialogar com 25% da população?

Representando algo em torno de 1/4 da população, os evangélicos precisam ter suas reivindicações atendidas pelo governo

Durante a conferência eleitoral do Partido dos Trabalhadores (PT), realizada em Brasília no último dia 8 de dezembro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou sua preocupação em relação ao diálogo da militância petista com os evangélicos. 

Lula falou sobre a necessidade de os candidatos do partido, de uma forma geral, mas em especial àqueles que disputarão  as eleições municipais de 2024, se esforçarem para aprender a dialogar com o segmento evangélico.

“Será que nós estamos falando aquilo que o povo quer ouvir de nós? Será que nós estamos tendo competência para convencer o povo das nossas verdades? Ou será que nós temos que aprender com o povo como é que a gente fala com ele?” (Carta Capital online, 08/12), indagou o presidente.

A colocação do presidente acontece logo após a divulgação, pelo Datafolha, de uma pesquisa que evidenciou a reprovação ao atual governo, que permanece maior entre os evangélicos. De acordo com o levantamento, 38% dos integrantes desse segmento não aprovam a gestão do petista.

Ora, a preocupação de Lula é procedente, pois os evangélicos representam hoje um contingente em torno de 42 milhões de pessoas, a maioria de origem humilde, pobre e trabalhadora. Gente normal, do povo, que tem necessidades e que precisa ter suas demandas sociais e econômicas atendidas pelo governo. 

Desta forma, o debate sobre a questão dos evangélicos no País não pode assumir contornos de uma discussão abstrata, religiosa, filosófica ou doutrinária, como querem fazer crer alguns “notáveis”.

É o caso do apresentador e compositor Ricardo Nêggo Tom, que em artigo intitulado Por que Lula erra ao propor mais diálogo com os evangélicos”?, publicado em 09/12 no Portal 247, advoga a ideia absurda de que “onde há dogma não há raciocínio lógico que sustente um debate“. 

Ora, essa não é, sob nenhum aspecto, por qualquer ângulo que se queira ver o problema, uma questão de natureza abstrata, alheia à realidade concreta do dia a dia das pessoas, evangélicas ou não. 

Vejamos o que diz Nêggo Tom em uma das passagens do seu artigo: “Antes de propor mais diálogo com qualquer segmento religioso que tenha uma doutrina absolutista, como é o caso do segmento evangélico, precisamos entender que onde há dogma não há propensão ao diálogo, nem ao raciocínio a respeito de ideologias ou visões de mundo que possam colocar tal dogma em questionamento. Perguntamos: “a doutrina absolutista do segmento religioso” faz com que pessoas desse mesmo segmento deixem de ser sujeitos que vivem no mundo real, com demandas e necessidades sociais? Óbvio que não. 

Sim, discordamos 100% do que diz Nêggo Tom; nos opomos pelo vértice aos seus argumentos, em especial quando afirma que “onde há dogma não há diálogo”. Será que parte da comunidade evangélica do País foi atraída pelo discurso de setores da direita em função de algum dogma, de alguma doutrina especial, encantadora? A resposta, obviamente, é não. As pessoas são atraídas para o que quer que seja, primeiro em função das suas necessidades reais, concretas, e não por qualquer discurso sedutor, alheio às suas demandas sociais. A questão religiosa pode ter a sua importância, não se trata de desconhecer isso, mas não é o determinante, nunca foi.

Ao rejeitar a ideia de que Lula tenha que dialogar com os evangélicos, Nêggo Tom está, simplesmente, propondo que algo em torno de ¼ da população continue aprisionada ao discurso da direita e da extrema-direita, que nada tem a oferecer de concreto ao segmento evangélico, a não ser discursos vazios e palavras abstratas, além de preconceitos e ataques virulentos à esquerda, em especial ao presidente Lula. 

No entanto, para arrancar os evangélicos da esfera de influência da direita e da extrema direita, não basta apenas a disposição de dialogar. Faz-se necessário, por parte da esquerda e em especial do PT adotar um conjunto de medidas que vá ao encontro das necessidades mais sentidas desse segmento que, repetimos, são pessoas que habitam o mundo real, necessitam de condições dignas de vida, salário, emprego, transporte, saúde, educação, moradia.  

O governo Lula patina nessa questão, não somente com os evangélicos, mas está em falta com o conjunto da classe trabalhadora. Lula e seu governo devem, imediatamente e sem perda de tempo, colocar em marcha um plano para o atendimento das reivindicações populares, dos trabalhadores, contemplando a maioria da população que hoje se vê desamparada, desassistida diante do agravamento da crise.

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