Perseguição política

Julgamento de Bolsonaro só favorece ao “centro” pró-imperialista

A esquerda não se favorece em nada com o julgamento político de Bolsonaro

O portal Esquerda Online, do grupo Resistência, do PSOL, publicou no dia 21 de junho um artigo sobre o julgamento de Bolsonaro no TSE. Com o título “Bolsonaro inelegível é bom ou ruim?”, o artigo, assinado por Luis Felipe Miguel, defende punição para o ex-presidente, posição que a maioria da esquerda pequeno-burguesa está adotando, seguindo as orientações do setor da burguesia que, nesse momento, persegue Bolsonaro.

Mas antes de explicar porque o julgamento é muito ruim para a esquerda, vejamos alguns argumentos do texto:

“Não é um caso muito complexo, já que, quando estava na presidência ele agiu abertamente para desacreditar o resultado das eleições – e, com isso, viabilizar uma tentativa de virada de mesa depois que perdesse. As provas contra Bolsonaro são abundantes.”

Segundo o autor, que inacreditavelmente escreve para um portal de um grupo que se diz marxista e trotskista, o caso seria simples porque Bolsonaro agiu para “desacreditar o resultado das eleições”. Isso seria prova de que o ex-presidente é um criminoso, contestar a ilibada, sagrada e democrática eleição brasileira.

Contestar politicamente uma eleição, segundo esse “marxista” agora virou crime. O que será, agora, da esquerda que tradicionalmente sempre foi quem contestou as eleições controladas pela burguesia?

É muito interessante notar como a ideologia da burguesia penetra na mente do esquerdista que o impede de entender o óbvio e defender uma coisa que vai contra ele mesmo. Essa alegação como principal para punir Bolsonaro é a prova, é a demostração quase de laboratório de que ele está sofrendo perseguição política.

O esquerdista de classe média, que acompanha a Globo, a Folha e o Estadão, dirá: “que absurdo dizer que um político da extrema-direita está sofrendo perseguição!”. Histeria à parte, de direita, de centro ou de esquerda, qualquer um está sujeito a ser um perseguido político e isso não torna a política do perseguido pior, nem melhor. É apenas uma constatação.

O artigo continua levando hipótese de porque não seria bom o julgamento de Bolsonaro:

“O primeiro é que ele apresentaria a decisão como prova de que é mesmo perseguido pelo sistema. Será que isso é um grande problema? Muda algo? Afinal, Bolsonaro se faz de vítima sempre.”

Parece que a propaganda ideológica da burguesia faz o esquerda perder inclusive o bom senso. O autor do artigo até pode achar que é um crime criticar as eleições, mas se o aparato do Estado (ou o “sistema”) está julgando e pode punir um ex-presidente é mais do que óbvio que ele será considerado um perseguido por esse aparato.

E, se Bolsonaro se faz de vítima sempre, isso não importa muito. Apenas importa que ele de fato está sendo perseguido.

O autor escreve para um portal que se diz marxista, mas é ele mesmo um conservador. Esse conservadorismo revela-se no escândalo que causa no autor a contestação da eleição e na seguinte frase: “é bom que a direita entenda que deve se civilizar um pouco”.

Qual seria exatamente o interesse da esquerda em querer que a direita “se civilize”. Segundo a lógica do autor, se a extrema-direita fingir-se de “civilizada” seria bom, ou seja, seria melhor se ela enganasse mais o povo.

Outra coisa: que “civilização” é essa que quer o autor? Seria transformar a extrema-direita nos “civilizados” do PSDB? Não está claro no texto, mas a julgar pelo conservadorismo do autor, ele deve acreditar mesmo que os tucanos, aqueles que destruíram o País em tudo o que colocaram as mãos, que inclusive foram os responsáveis principais do golpe de 2016, são civilizados.

Ao final do texto, revela-se o desejo do autor, que diz que teme que a “inelegibilidade esgote as punições de Bolsonaro”.

“ele tem que ser julgado e condenado por seus inúmeros crimes, cometidos antes e depois de ser eleito presidente. Crimes contra o erário, crimes contra o Estado de direito e crimes contra a vida dos brasileiros. Para retomar a construção da democracia, é imprescindível mostrar à extrema-direita que suas ações têm consequências.”

O autor quer justiça. Dos trabalhadores? Não, do Tribunal da burguesia!

Ele quer resolver os problemas da luta de classe por meio do Judiciário controlado pela burguesia. É um julgamento político e esse mesmo método foi, é e será usado contra a esquerda.

Como dissemos, essa perseguição contribui mais para fortalecer o bolsonarismo do que enfraquecer. Não apenas porque Bolsonaro está se fazendo de vítima, mas porque de fato, um julgamento político como esse serve como instrumento de mobilização da extrema-direita.

E do ponto de vista da efetividade, vale a pena? Também não. Com a mesma facilidade que a burguesia agora monta um julgamento político pode precisar de Bolsonaro para conter alguma e crise e trazê-lo de volta.

A esquerda que fica favorável a isso está dando um tiro no próprio pé apenas para sustentar manobras de bastidores. No fim, o resultado será o seguinte: Bolsonaro aparece como perseguido político e a esquerda e Lula como os repressores. Os bolsonaristas, que não são bobos, já dizem que o TSE está a “serviço de Lula”

É preciso falar de uma vez por todas que Bolsonaro não está sendo combatido pelo movimento operário ou camponês, mas pelo Judiciário golpista, controlado pela direita pró-imperialista.

Por trás disso tudo não está nem o combate à extrema-direita, nem o favorecimento da esquerda. O interesse é ressuscitar o chamado “centro” político que perdeu todo o apoio. É isso o que quer o autor do artigo no Esquerda Online ao pedir uma “civilidade” da direita. O “centro” é o PSDB golpista, os setores pró-imperialistas que não tem apoio popular, mas ainda controla as instituições anti-democráticas do regime político.

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