Jones quer mais censura

Jones Manoel apoia PL da censura e repressão nas redes

Apesar de fazer dois vídeos enrolando seu público, Jones Manoel apoia e faz propaganda da política imperialista para as redes sociais

Jones Manoel Malabarista

Jones Manoel publicou em seu canal no YouTube dois vídeos nos quais pretende analisar o “PL das Fake News: o que está em jogo”. No entanto, além de ficar desviando do assunto, o youtuber, no essencial, concorda com o projeto de lei que a burguesia quer emplacar a toque de caixa.

O autor dos vídeos diz que após doze horas de muito estudo, de ler o PL, assistir a debates etc., conseguiu formar uma opinião sobre o assunto. Segundo ele próprio, já teria publicado vários conteúdos falando sobre a necessidade de se controlar as big techs (monopólios das redes sociais), e se ‘buscar medidas econômicas e legislativas para paulatinamente as banir do Brasil, mas não proibir”. Jones se diz ‘contra’ a proibição. Mas o PL das Fake News não tem nada a ver com a presença dessas empresas no País, isso não está em discussão.

O vídeo, do nada, começa a falar de neoliberalismo e de como se prejudicou a formação de uma indústria da informática no Brasil, e também nos países atrasados, para se consolidar a dominação da comunicação desse setor pelo imperialismo. Ocorre que o PL não toca nisso, não se interessa pelo fato de haver monopólios da comunicação.

Jones passa a falar do poder da Google e viaja por hipóteses dessa empresa podendo controlar a Petrobrás, a formação do Congresso. Chega à necessidade de se debater a criação de um complexo nacional, científicio-tecnológico que desenvolva uma internet própria. Empresas próprias de comunicação reguladas nacionalmente. Mas que esse debate não faz sucesso na esquerda. Já estamos na metade do primeiro vídeo e nada de tocar no assunto proposto: o PL das Fake News.

Jones fala que nós chegamos a um consenso de que é necessário regular as redes sociais. Nós quem? E reforça que o debate é “regular a atividade de monopólios estrangeiros no Brasil”. E, de novo, insiste nesse tema que o PL não toca.

A favor da censura

Finalmente, Jones Manoel diz que é preciso regulamentar as essas empresas porque favorecem a “propagação de discuso de ódio e no fortalecimento da extrema-direita, na fragilização da soberania nacional etc. A questão é que Jones acha que uma regulação ainda é pouco, que ‘não vai na raiz do problema, tenta mitigar os aspectos mais dramáticos’, o que o coloca na mesma posição do imperialismo, que quer censurar ainda mais a internet.

A questão de acompanhar o raciocínio de Jones Manoel, é que, após dizer que é a favor de se controlar o que deve ser dito na internet, da censura, começa a falar de Fernando Haddad, Banco Central, a China como modelo de controle das big techs. Tudo isso apenas pode confundir aqueles que por algum motivo costumam seguir seus vídeos.

No segundo vídeo, quando promete tratar finalmente do PL, Jones diz que “é mentira que vão proibir versículos da Bíblia, piadas, que o governo vai poder retirar conteúdos da internet, censurar individualmente seu post, que tudo isso é mentira”.

Se é mentira que o governo poderá retirar conteúdos da internet – Alexandre de Moraes que o diga –, é verdade que o governo forçara as empresas a fazê-lo sob ameaça de multas e processos. O governo está aumentando o poder desses monopólios de censurarem. A lei considerará que se um conteúdo considerado ofensivo for publicado, as redes sociais serão co-responsáveis. Portanto, para evitar problemas com a justiça, essas empresas vão, sim, proibir piadas etc. Para quem não se lembra, o deputado direitista, Nikolas Ferreira, foi duramente combatido e ameaçado por ter feito uma ironia.

Malabarismo

Para enganar seu público, Jones Manoel recorre a um malabarismo retórico e diz que parte da esquerda progressista (que combate o PL) está equivocada (Jones defende o PL); pois, segundo ele, os projetos de lei são genéricos, não detalham ‘todas as possibilidades, exceções, ou novidades que possam surgir’. Esse argumento é um absurdo. Para ele, o debate tem que se dar se houver pontos vagos ou determinadas questões que não foram contempladas. Para piorar, ele acha que o PL das Fake News não ficou vago!

Se criarem um projeto de lei propondo a pena de morte, não podemos criticar? Vamos ter que ficar esperando o ‘detalhamento’, ‘questões vagas’?

De repente, Jones Manoel começa a falar do favorecimento de empresas como a Rede Globo e prejuízo das ‘mídias’ independentes. Para concluir: “vale a pena por isso defender a reprovação do PL? Eu acho que não. Eu acho que é preciso fazer um debate para retirar esse artigo”.

Em vez de debater o PL, Jones Manoel muda de novo de assunto e passa a falar da remuneração do YouTube para quem produz conteúdo.

Concluíndo seus vídeos, Jones Manoel reitera sua posição que, sim, é preciso aprovar o PL das Fake News e reforça o que diz no seu primeiro vídeo, “é muito pouco” pois estamos regulando uma situação colonizadora, de dependência, o que não tem absolutamente nada a ver com o PL.

Conclusões

É uma tarefa árdua acompanhar os vídeos de Jones Manoel, mas é necessário. Temos que destacar que o debate não foi feito de maneira honesta. O conteúdo, as consequências do PL não foram praticamente abordados.

Isso que está sendo feito no Brasil segue um padrão internacional, trata-se, portanto, de uma política imperialista que quer que esses monopólios, que já censuram a internet, censurem ainda mais. Como as big techs estavam receosas de aumentar a censura, pois isso pode tornar o negócio menos lucrativo. O imperialismo está usando os judiciários dos países para forçarem a adesão das plataformas.

A proposta verdadeira não é regular as empresas, mas os usuários, é um outro nível, uma outra camada de censura, pois os termos de uso de hoje já são bastante restritivos.

Os governos estão aumentando e não diminuindo o poder desses monopólios.

O que temos que denunciar é que Jones Manoel está engando seu público e fazendo propaganda de uma política fascista, extremamente repressiva, que vai atacar os direitos das pessoas como um todo e particularmente da esquerda.

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