HISTÓRIA DA PALESTINA

Israel expulsou crianças, matou homens e explodiu vila no Líbano

Massacre no Líbano contra civis desarmados e rendidos é uma amostra do funcionamento do Estado fascista de Israel desde seu começo

Durante a guerra iniciada com a criação do Estado sionista de Israel, os militares israelenses perpetuaram uma grande quantidade de massacres contra civis, de fato dezenas de massacres. Aqueles que ironicamente foram aceitos na ONU como pertencentes a um “Estado amante da paz” se mostraram o exato oposto disso ao promover verdadeiros banhos de sangue de civis palestinos. Um desses massacres foi realizado no Líbano entre 31 de outubro e 1º de novembro de 1948 na aldeia de Hula.

Ocupada apenas por civis, a aldeia inteira foi capturada em 24 de outubro pela Brigada Carmeli, uma das muitas brigadas das Forças de Defesa de Israel. Os registros oficiais dão conta de que as mulheres e crianças foram expulsas da aldeia e todos os homens com idades entre 15 e 60 anos foram assassinados. O número varia entre 34 e 58 mortos, no melhor estilo sádico dos nazistas. Após serem confinados e executados dentro de uma casa, o local foi explodido e os corpos ficaram embaixo das ruínas.

Um dos principais testemunhos oficiais foi de um dos líderes da Brigada Carmeli que discordou da ação. Dov Yermiya teve seu relato publicado no jornal israelense Al Hamishmar, num protesto contra a indicação de Shmuel Lahis para chefiar a Agência Judaica para Israel, órgão criado pela Organização Mundial Sionista para estimular a migração de judeus para a Palestina. Lahis teria sido um dos oficiais que comandou o massacre dos civis libaneses e a expulsão das mulheres e crianças, que foram obrigadas a sair andando da aldeia em direção ao oeste. Leia:

“Recebi um relatório informando que não houve resistência na aldeia, que não havia atividade inimiga na área e que cerca de cem pessoas permaneciam na aldeia. Elas se renderam e solicitaram ficar. Os homens entre eles foram mantidos em uma casa sob guarda. Fui levado até lá e vi cerca de 35 homens. [Yermiya não se lembra do número exato hoje, e na verdade havia mais de 50 homens lá] na faixa etária de 15 a 60 anos, incluindo um soldado libanês em uniforme [que não foi morto]… Quando retornei à aldeia na manhã seguinte com uma ordem para enviar os habitantes para longe, descobri que, enquanto eu estava ausente, dois oficiais das tropas haviam matado todos os prisioneiros que estavam na casa com uma metralhadora e, em seguida, explodido a casa sobre eles para ser o túmulo deles. As mulheres e crianças foram enviadas para o oeste.”

A justificativa apresentada a Yermina foi de que se tratava de uma vingança “pelo assassinato de seus melhores amigos no massacre da refinaria de petróleo de Haifa”. O evento citado havia ocorrido cerca de um ano antes e começou justamente com o assassinato de seis árabes, numa ação da milícia paramilitar sionista Irgun, que ainda deixou 42 feridos. Coisa de uma centena de trabalhadores árabes se concentrava em frente ao portão da refinaria em busca de trabalho quando foram covardemente atacados com granadas. Como reação, os trabalhadores árabes entraram em confronto com trabalhadores judeus, matando 39 deles e deixando outros 49 feridos. A retaliação imediata foi operada pela principal organização paramilitar sionista na época, o Haganah, que realizou o massacre da aldeia de Balad al-Shaykh onde entre 21 e 70 homens árabes foram assassinados, além de pelo menos duas mulheres e cinco crianças.

Para se entender como funciona esse estado fascista, basta ver como o caso de Lahis se desenvolveu após o crime brutal que realizou. Julgado por um tribunal militar israelense, foi condenado a 7 anos de prisão. Após recurso, ela foi reduzida para um ano e já estava em liberdade em 1950. Em 1955 recebeu anistia presidencial em relação ao crime. No final dos anos 1970, foi premiado com a nomeação para diretor-geral da Agência Judaica para Israel. Lahis morreu em 2019 aos 93 anos de idade. Uma vida que coroa o cinismo da sociedade israelense, que produz aberrações como os “sionistas de esquerda” e ditos progressistas em geral que apoiam um estado que exalta aqueles responsáveis por assassinatos de civis. Lahis é apenas um dentre muitos.

Um dos que denunciou o massacre de Hula, o parlamentar israelense Shmuel Mikunis, denunciou alguns dos crimes operados pela milícia Irgun: como o assassinato de 35 árabes rendidos, que haviam apresentado a bandeira branca da rendição militar; a execução de civis, incluindo mulheres e crianças, após ordená-los a cavar a própria cova, destacando o fato de haver até uma mulher com criança no colo; o fuzilamento de crianças árabes entre 13 e 14 anos, que brincavam com granadas no cenário apocalíptico da destruição operada por Israel; e o estupro de uma garota entre 19 e 20 anos de idade, que posteriormente foi apunhalada com uma baioneta e empalada. Isso que os sionistas até hoje chamam de uma luta de autodefesa dos judeus.

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