Francisco Weiss

Militante do PCO em São Paulo. Juntou-se ao partido em 2018, em meio à campanha da luta contra o golpe e pelo “Fora Bolsonaro”. É membro da coordenação do Grupo por uma Arte Revolucionária Independente (GARI), além de dirigente do PCO em São Paulo. Apresenta de segunda a sexta o programa Reunião de Pauta na COTV e outros programas do Canal e também da Rádio Causa Operária.

Decadência cultural

Imprensa age conscientemente para enterrar música brasileira

Todos os jornais saíram em defesa das cantoras Marina Sena e Luisa Sonza, contra as críticas que elas receberam do público. Pra que promover uma música tão ruim?

O sucateamento e a destruição da cultura nacional não são impressões de pessoas que não conseguem se adaptar às mudanças na produção artística das novas gerações, tampouco são obras do acaso. No entanto, é preciso, primeiro, assumir, sem medo de errar, que isso é uma realidade palpável e evidente. Comparar, por exemplo, a música brasileira de hoje com a que era produzida 50 anos ou 100 anos atrás, é exercício interessante. Aí, é possível ver o abismo em que nos encontramos agora.

Tudo isso tem causas políticas e econômicas, a decadência do capitalismo, que já está podre sem querer morrer, o neoliberalismo, que submete todo o planeta a uma impiedosa ditadura de um imperialismo culturalmente decadente, a ausência de um movimento revolucionário para criar um ambiente propício para os movimentos artísticos e outras causas.

O Brasil possui a mais importante e mais diversa música popular de todo o planeta, rivalizando, talvez, apenas com os Estados Unidos da América. Em território nacional surgiram uma infinidade de ritmos diferentes, e toda influência estrangeira que aqui chega é modificada e transformada também em música brasileira, conforme as mudanças. No entanto, há algumas “entidades” agindo de forma bem consciente para enterrar o que já foi uma das maiores riquezas culturais das Américas.

Duas das artistas brasileiras mais propagandeadas pela imprensa burguesa, Marina Sena e Luisa Sonza, protagonizaram verdadeiros vexames no recente festival de música internacional ocorrido na capital paulista, o The Town. No caso de Marina Sena, o escândalo foi até maior porque a cantora se propôs a reinterpretar canções que ficaram famosas na voz da veterana e já falecida, Gal Costa. O fiasco foi total. Um vídeo da jovem desafinando numa execução pavorosa de “Meu nome é Gal” tomou toda a internet e virou motivo de chacota e de críticas de boa parte dos usuários das redes sociais.

Não é preciso ser nenhum acadêmico para perceber que se trata de uma interpretação lamentável e não há muito como contra-argumentar com o problema. No entanto, em meio à chuva de críticas de fãs insatisfeitos, a imprensa burguesa se levanta e procura livrar a cara da cantora. Todos os jornais, do Globo ao Estadão, soltaram matérias sobre o tema, sempre passando a mesma mensagem, de forma mais ou menos incisiva: as críticas são de pessoas que não compreendem a modernidade e a música das novas gerações. O que é absurdo, é evidente que as cantoras são terríveis.

Por que esse interesse, então, da imprensa fazer esse coro para defender e tentar empurrar “goela abaixo” das pessoas algo que claramente desagradou? Os interesses são econômicos e também políticos. É preciso promover um tipo de arte de péssima qualidade e cujo principal atrativo consiste na (falta de) roupa de suas intérpretes. Não se trata de algo que é do gosto da nova geração, mas sim uma tentativa de uma imprensa que odeia a cultura e a arte de impor sua péssima produção para toda a população.  

* A opinião dos colunistas não reflete, necessariamente, a opinião deste Diário

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