Henrique Áreas de Araujo

Militante do PCO, é membro do Comitê Central do partido. É coordenador do GARI (Grupo por Uma Arte Revolucionária e Independente) e vocalista da banda Revolução Permanente. Formado em Política pela Unicamp, participou do movimento estudantil. É trabalhador demitido político dos Correios e foi diretor da Fentect (Federação Nacional dos Trabalhadores dos Correios)

O cinismo da Folha de S. Paulo

“Imperialismo brasileiro” seria culpado pelo golpe no Chile?

O Brasil é tão vítima do golpe quanto os chilenos, o único vilão nessa história é o imperialismo norte-americano

A Folha de S. Paulo publicou, no último dia 9/9, um artigo chamado “É hora de o Brasil reconhecer seu papel na destruição da democracia do Chile”, assinado por Roberto Simon, que se apresenta como pesquisador da Universidade de Harvard, um “especialista” das ditaduras militares no Brasil e no Chile.

Segundo o próprio título da matéria, o Brasil deveria fazer uma espécie de mea culpa sobre seu apoio à ditadura de Pinochet no Chile.

O interessante é que essa posição, expressa nas páginas da Folha, vem quando se completam 50 anos do golpe de Pinochet e, ao mesmo tempo em que documentos mostram o envolvimento dos Estados Unidos no golpe. Não que seja muito necessário documentos para mostra o que todo o mundo já sabe. Mas lá estão eles.

O interessante do artigo da Folha é o cinismo e a perfídia. A origem da ideia de que o “Brasil” deveria reconhecer seu papel é o imperialismo. Não apenas pela origem do pesquisador que assina o artigo, mas pelo próprio caráter da Folha de S. Paulo, um jornal pró-imperialista.

Primeiro, não existe “Brasil” em abstrato. Quando a reportagem diz isso ela quer dar a entender que o papel do Brasil na ditadura de Pinochet seria igual ao dos Estados Unidos. Funciona mais ou menos assim: tudo bem que os norte-americanos, esses reconhecidos safados internacionais, foram responsáveis pelo golpe, mas o Brasil também foi.

O cinismo é incrível. Que Brasil foi esse que apoiou o golpe no Chile? O “Brasil” governado pelos militares que foram colocados no poder pelos mesmos norte-americanos.

O Brasil não é vilão nessa história. O Brasil é tão vítima quanto o Chile.

Mas a Folha de S. Paulo, esse jornal muito democrático que emprestava seus carros para que militantes fossem levados para a tortura, quer que o Brasil parece um grande vilão.

Devemos explicar que os vilões brasileiros em primeiro lugar estavam a serviço dos norte-americanos. Em segundo lugar, os vilões dessa história são os militares e a Folha de S. Paulo junto com os demais órgões da imprensa que apoio esse golpe.

No final das contas, quem deveria reconhecer seu papel na ditadura de Pinochet é a próprio Folha de S. Paulo.

Esse jornal está programado para fazer propaganda imperialista. Os EUA querem limpar um pouco a sua barra mostrando que não foram só eles os culpados pelo golpe no Chile. E a Folha, uma imprensa que mais parece um cachorrinho de madame do imperialismo, repete isso.

Qual o objetivo dessa ideia expressa no artigo? Não é reparar os danos da ditadura – nem a de Pinochet, nem a dos militares brasileiros. É atacar o Brasil enquanto nação, tentando mostrar que os brasileiros seriam vilões nessa história toda. Só faltava mesmo a Folha falar em “imperialismo brasileiro”, vejamos o desenrolar dessa questão…

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