Camilo Duarte

Militante do PCO e colunista do Diário Causa Operária. É formado em Física pela UFPB.

Mulheres proletárias

Identitarismo, o ataque às lutas minoritárias

Identitarismo, a política atual do imperialismo para desorganizar os oprimidos

Não é a primeira vez, não sem razão, que teço críticas à política identitária nesse espaço. Ocorre que o meio político de esquerda e sindical, que é geral é dominado pela pequena-burguesia, essa política tornou-se uma pandemia.

A origem das lutas “minorias”

Um primeiro ponto que no geral é ocultado, ou simplesmente ignorado, geralmente pela pequena-burguesia, que na alta autoconcepção, não concebe a possibilidade de erro no seu julgamento e acaba reproduzindo todo tipo de disparate, como o fazem alguns da extrema-direita, mas de forma mais sofisticada. As lutas de setores oprimidos da sociedade, que hoje tenta ser colocado como luta das “minorias”, termos que não se adequam à realidade brasileira onde mulheres e negros são maioria, evoluio com a luta de classes.

O fator desses setores mais oprimidos serem a maioria na classe operária, fez com que a luta pelos seus direitos acabasse evoluindo plenamente onde apenas a organização da luta operária tinha atingido o seu ápice. Por exemplo, foi através da Revolução Russa de 1917, que as mulheres conquistaram direito ao divórcio e ao trabalho; a legalização do aborto; a igualdade de salários de homens e mulheres; a licença-maternidade; a substituição do trabalho doméstico por lavanderias, creches e refeitórios públicos; etc.

O interessante é que na Revolução Russa, que mais beneficiou as mulheres, o feminismo era um aspecto secundário, o ponto principal era a luta de classes. Apenas onde a luta de classe encontrava-se mais esmorecida o feminismo tinha um maior papel.

Contra Revolução e “domesticação”

O fato de muitas vertentes feminista não tocarem na luta de classes e na incapacidade do capitalismo de atende todas as perspectivas democráticas, verdadeiro amargo da situação da mulher, não evitou que os capitalistas da época reprimissem esses movimentos encarnadamente, como fizeram igualmente com alguns movimentos reformistas. Hoje o próprio Lula segue acossado em todas as frentes, imagino esses movimentos em tempos passados.

Ocorre que com a Contra Revolução o impulso revolucionário foi bastante debilitado, abrindo espaço para uma burocracia domesticada pela burguesia. Stalin em seus flertes com o imperialismo, deve ter exterminado ao menos duas gerações mundiais de comunistas.

Esse fenômeno de absorção e direcionamento, pela sociedade capitalista não se deu apenas na política internacional, mas na esfera ideológica, com reflexos na política em geral. Aqui temos o identitarismo, algo que falsamente alegam ter surgido da luta por direitos democráticos, mas, na verdade trata-se de uma arma contra eles.

A luta em nome das mulheres contra as mulheres

No geral, as políticas identitárias apresentam-se como mecanismo de defesa da democracia e colocam-se como o oposto. Ela não tem um critério definido, estando na baía da vez o que for mais conveniente à pequena-burguesia que o clama.

Essa característica dogmática do identitarismo, permite tanto refutação, quanto reconhecimento de uma proposição considerando apenas o autor. Ou seja, na propaganda identitária, tal posição é errada por criticar o identitário, ou é melhor tendo sido defendida por um identitário.

Já tive algumas vezes o desprazer de esmiuçar uma posição contrária à política defendida por uma mulher identitária, e acabar tendo todo o discurso ignorado, e ganhar a alcunha de machista por discordar dela. São inúmeros também as ocasiões onde a única qualidade apontada do indivíduo erra ser identitário, sendo o mais recente que me vem à mente o de Antonella Galindo. Em toda repercussão dada ao caso, aparenta que o professor Torquato de Castro Jr. convidou Antonella apenas pela sua orientação sexual.

Falsa moral em vez de luta de classes

A luta de classes deixou de ser a bússola política dessa esquerda identitária, que passa a formular sua política sobre uma base moral. Curioso que esse lastro político sempre compromete a luta de classe e favorece os interesses individuais dos principais defensores dessa política.

Interessante é o viés comercial que esses setores identitários apresentam, em grande escala, quase sempre são bons negócios, não apenas para a figura central, como para investidores capitalistas. Em escala menores, essa política acaba por ser a nova base da burocracia estatal, principalmente nas universidades.

Luta da mulher proletária

Ocorre que nas lutas democráticas como as das mulheres o primeiro e principal critério político tem que ser o de classes. Qualquer demagogia a parte disso acabará por ser utilizada pela burguesia contra os setores oprimidos.

Hoje há na pequena-burguesia uma discussão absurda, impensável para setores mais proletários. “Mulheres trans”, reivindicam o direito de usar banheiro feminino, ocorre que essa reivindicação não resolve o problema de segurança dessas “mulheres trans”, mas cria uma imposição vil ao restante das mulheres.

Engels no Anti-Dühring, tece a seguinte crítica: “Não é bastante que me resolva eu a classificar uma escova de sapatos na classe dos mamíferos, para que a mesma, como que por encanto, apresente glândulas mamárias.”

Socialmente não é diferente, não é porque o indivíduo se identifica como parte de um grupo, que ele o será, para fazer parte deste, o mesmo também deve ser aceito pelo mesmo. Na UFPB, por exemplo, temos uma comunidade próxima a uma centena de indivíduos trans, tentando impor sua vontade sobre os banheiros femininos, um espaço reservado aos 20 mil indivíduos, sem ao menos uma consulta. 

Em resumo, utiliza-se uma desculpa moral, baseada no sofrimento de uma minoria, para destruir objetivamente direitos de setores oprimidos, no caso em tela das mulheres.

* A opinião dos colunistas não reflete, necessariamente, a opinião deste Diário

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