Trégua Israel-Palestina

Hamas emancipa as mulheres palestinas

Articulista bolsonarista da Folha de S.Paulo apresenta ex-prisioneira que não cumprimentou o Hamas como "exemplo"

Após o vitorioso acordo de trégua, em que o Hamas forçou o Estado de Israel a trocar 240 reféns palestinos por 105 prisioneiros israelenses, Becky S. Korich, articulista da Folha de S.Paulo que admitiu publicamente ter votado em Jair Bolsonaro (ex-PSL) nas eleições de 2018, escreveu um artigo repulsivo de título A mulher que peitou o Hamas. O texto, repleto de mentiras e ataques virulentos aos militantes da causa palestina, conta a história de Rimon Kirst, uma israelense que “se recusou a participar do teatro armado pelos militantes do Hamas ao ser entregue à Cruz Vermelha”.

Não é possível “se recusar” a algo que não lhe foi pedido. Korich não apresenta qualquer prova de que exista o tal “teatro armado”: o que é fato, no entanto, é que vários prisioneiros, ao serem libertos pelo Hamas, apresentaram uma conduta extremamente cordial com os combatentes do partido. Essa conduta, por sua vez, apareceu já após a libertação, e não em um momento em que os prisioneiros ainda estariam sob a ameaça dos militantes do grupo armado.

O maior indício de que não se trata de um “teatro armado” está no tratamento dado por Israel aos próprios cidadãos e aos prisioneiros palestinos. O Estado sionista tem proibido os prisioneiros libertos de darem entrevista. Os prisioneiros palestinos, por sua vez, não apareceram, em momento algum, agradecendo aos soldados de Israel. Pelo contrário! Um artigo do jornal norte-americano The New York Times, porta-voz dos financiadores de Israel, declarou que:

“Para alguns palestinos que vivem sob ocupação militar na Cisjordânia, os prisioneiros libertados se tornaram um símbolo poderoso da capacidade do Hamas de obter resultados tangíveis e de sua disposição de lutar pela causa palestina. Todas as noites em Ramala, à medida que novos lotes de prisioneiros eram libertos, um refrão ecoava entre as multidões: ‘O povo quer o Hamas! O povo quer o Hamas!'”.

A articulista bolsonarista da Folha de S.Paulo segue, então, narrando o que considera um ato de heroísmo da moça israelense:

“Não acenou o tchauzinho compulsório, não deu o sorriso amarelo, não se deixou abraçar, como fizeram alguns reféns desnorteados depois de sair do inferno. Pérfidos e terroristas até o fim, os militantes do Hamas têm explorado a entrega dos reféns para se apresentarem como ‘bons anfitriões’ e criar um clima de volta de férias dos reféns. No momento em que estava sendo solta, Rimon se esquivou de qualquer contato físico com o terrorista. Ele recuou, obedeceu. Seu não foi NÃO. Ela parou diante dele, falou algumas palavras e encarou com firmeza o fundo dos seus olhos. Por alguns instantes, embora ostentasse uma metralhadora, o terrorista se desarmou. O pijama rosa se impôs à indumentária militar.”

Pelo trecho em questão, sequer é possível saber se de fato a ex-prisioneira quis “deixar uma mensagem”. Tudo o que é possível fazer através do relato de Korich é simplesmente que ela “não sorriu” para os militantes do Hamas. Perceba, leitor, a brutal diferença para esse ato de “resistência” da israelense para a declaração do tio de um dos palestinos que acabou de ser liberto por Israel: “Por que você acha que ele estava na prisão? É por causa de tudo o que ele viu aqui, tudo a que ele foi exposto – isso o fez querer sair e lutar”. No mesmo artigo do The New York Times de onde foi extraída essa declaração, os funcionários das prisões israelenses foram acusados de “racionar água e eletricidade” e de ter “confiscado TVs e rádios e impedido a visita de parentes, criando efetivamente um apagão de informações”.

A exaltação da suposta “heroína” vai servir, no decorrer do artigo, para que Korich critique as “feministas” que ignoram os “exemplos” que viriam das “mulheres israelenses”. Diz ela:

“Não é de hoje que suas credenciais feministas não impressionam. Em Gaza, desde a ascensão do Hamas ao poder (2007), os níveis de violência à mulher são alarmantes. Uma pesquisa realizada em 2022 apontou que 37,5% das mulheres casadas em Gaza tinham sofrido violência doméstica nos 12 meses anteriores. Porém, poucas têm a coragem de denunciar e preferem tolerar os abusos para manter a unidade familiar. Crimes são tacitamente permitidos pelo governo do Hamas —se não explicitamente tolerados— para preservar dano à honra… dos homens, é claro”.

Mais uma vez, mentiras da senhora Korich. A pesquisa na qual Korich se baseia foi feita pela AFP – uma pesquisa que não tem qualquer mérito científico, apresenta números que ninguém sabe como foram formulados. Já os “crimes tacitamente permitidos pelo Hamas” são também uma acusação da qual Korich não tem prova alguma. Pelo contrário, sendo o Hamas um grupo de orientação islâmica, um cenário em que as mulheres sejam maltratadas abertamente é, na verdade, improvável.

Ainda que tudo fosse verdadeiro, cobrar que as “feministas” exaltem uma mulher por supostamente enfrentar o Hamas é ridículo. Na prática, o que Korich quer dizer é que defender o Estado nazista de Israel é “empoderar” as mulheres. Isto é, que defender um Estado que já matou mais de 6 mil mulheres, é “empoderador”. Trata-se exatamente do oposto: o Hamas, por ser o grupo que mais está lutando contra o genocídio sionista, é quem mais está lutando para libertar as mulheres palestinas da opressão do imperialismo.

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