O imperialismo está ruindo

França: mais um bloco desaba no edifício imperialista?

A França necessita de uma saída não subserviente aos Estados Unidos

Em entrevista dada ao jornal Les Echos, publicada no último domingo (9), o presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou que a Europa “não tem interesse em acelerar a crise em relação a Taiuan” e defendeu uma “autonomia estratégica” para evitar que os países europeus sejam “vassalos” dos Estados Unidos. Na avaliação do presidente, a França deveria ocupar uma posição de “3º polo”, de maneira independente dos Estados Unidos e da China.

A declaração tem bastante importância no momento, pois pode indicar uma tendência da burguesia francesa a querer se distanciar da dominação norte-americana sobre a Europa.

Após a Segunda Guerra Mundial, a ONU (Organização das Nações Unidas) se consolidou em torno de apenas cinco nações com poder total de veto em relação a quaisquer assuntos no plano internacional. Todos esses países possuem pesados armamentos nucleares; em especial Estados Unidos e atualmente a Rússia (ex-União Soviética). Três dessas são nações imperialistas e atualmente Rússia e China estabeleceram um pacto, denominado para muitos de “consórcio sino-russo”, com diversas parcerias estratégias no plano econômico, militar e político-diplomático. Podemos considerar nações líderes no plano geopolítico estratégico regional e nunca nações imperialistas, porque, tanto economicamente como politicamente, não possuem a capacidade de alcance no processo de dominação na macroestrutura capitalista.

Ao mesmo tempo, Inglaterra e França são países imperialistas que outrora tiveram condições de disputar o controle, ao menos, de grande parte do mundo ocidental, mas que; ao longo do século 20; em especial pós segunda guerra, perderam muito do seu poder, refletido no processo de independência das suas ex-colônias; começando pela Índia (Inglaterra) logo após o fim do conflito mundial e demais colônias africanas, tomando como exemplo a Argélia (França) no final da década de 1950.

Apesar da derrota na segunda guerra, os três perdedores (Alemanha, Japão e Itália) se consolidaram como países do condomínio imperialista (G-7 consórcio dos sete países mais ricos do mundo) e até certo ponto, principalmente Japão e Alemanha, “corriam por fora” como os maiores concorrentes as fatias maiores do mercado capitalista, rivalizando com os Estados Unidos. O Japão perdeu sua pujança econômica na década de 1990, mas a Alemanha conseguiu consolidar a sua posição de maior líder no Mercado comum Europeu.

A Inglaterra “aceitou” fazer parte do consórcio anglo-saxão com os Estados Unidos, mesmo que, na condição de “satélite de luxo” dos Estados Unidos, enquanto que a Alemanha tornou-se o país mais subserviente, das nações consideradas mais importantes, em relação aos ditames do imperialismo comandado pelos Estados Unidos, em particular na guerra da Ucrânia. A Itália também se tornou, ao mesmo tempo, um país subordinado às condições impostas pelos Estados Unidos, nessa atual fase de “necessidade” de impor sua força, como forma de garantir seus domínios.

Apesar do presidente francês Emmanuel Macron apresentar suas credenciais de “servo” ao todo poderoso Estados Unidos no que diz respeito a empreitada da guerra da Ucrânia, ainda notamos claramente uma retórica que aponta para uma relativa autonomia da França perante aos ditames estadunidenses. Podemos discutir até que ponto Macron está disposto a caminhar lado a lado com Biden rumo a uma ruptura total com os chineses, mas, ao mesmo tempo, as revoltas na França impulsionaram a luta de classes parcialmente estancada e colocaram a burguesia em xeque.

A burguesia francesa, diante do acirramento das dificuldades colocadas pela guerra da Ucrânia, inclusive ao seu próprio país, sob o ponto de vista econômico, e ainda, muito apreensiva diante das batalhas campais que evoluíram, principalmente em Paris, em torno do barril de pólvora que ascendeu, a partir do autoritarismo da medida de Macron, de ter colocado “goela abaixo” dos franceses uma reforma da previdência antipopular e antidemocrática. A situação caótica na França preocupa a burguesia e seu porta voz Macron, empurrando-o para a tentativa de impor uma política externa mais independente daquela imposta pelos Estados Unidos, em particular se tratando da China. As tensões com a guerra na Ucrânia e agora envolvendo Taiuan fizeram com que Macron fosse a público, através de uma entrevista e declarasse que a posição francesa não é de subserviência aos ditames dos Estados Unidos.

Segundo o portal Poder 360, “Macron retornou de uma viagem à China, onde se encontrou com o presidente Xi Jinping. Na mesma data da entrevista, os militares chineses simularam ataques de precisão contra Taiuan. Foi o 2º dia de exercícios ao redor da ilha. “O pior seria pensar que nós, europeus, devíamos seguir o exemplo nesta matéria e adaptarmo-nos ao ritmo americano e ao exagero chinês“, afirmou. Macron disse que a Europa deve aproveitar para construir uma posição alternativa entre EUA e China. “Se houver uma aceleração da conflagração do duopólio, não teremos tempo nem meios para financiar nossa autonomia estratégica e nos tornaremos vassalos enquanto podemos ser o 3º polo se tivermos alguns anos para construí-lo“, declarou. Na avaliação de Macron, sem autonomia estratégica há risco de a Europa sair da história. “A autonomia estratégica deve ser a luta da Europa. Não queremos depender dos outros em questões críticas. O dia em que você não tiver mais escolha de energia, de como se defender, de redes sociais, de inteligência artificial porque não temos mais infraestrutura nesses assuntos, você deixa a história por um momento“, disse. Ao mesmo tempo que as falas de Macron são bastante contundentes no sentido da reafirmação no que diz respeito a posição da França enquanto país independente, a retórica nem sempre baliza a prática política; ainda mais se tratando das disputas geopolíticas e estratégicas, onde a Europa aponta para uma crise ainda maior. De qualquer modo, isso por si só já é revelador.

O próprio imperialismo abriu os caminhos para uma crise sem precedentes, pelos menos desde a segunda guerra mundial, onde pela primeira vez, ogivas nucleares são o maior instrumental político moderador em tempos de disputas e acirramento da crise do imperialismo.

A Europa acuada, por intermédio do presidente francês Emmanuel Macron (o homem dos banqueiros) revela a fragilidade do imperialismo na sua capacidade de manter o atual sistema ultraliberal funcionando como garantidor da superexploração do trabalho em nível mundial, da extorsão dos recursos naturais dos países periféricos e do rentismo desenfreado a partir dos desvios do orçamento público nacional. Essa dificuldade de avançar universalmente no sequestro dos bens públicos, no arrocho salarial, na intensificação da especulação financeira e outras formas reacionárias de impor a concentração de riquezas a todo custo, sob o ponto de vista interno e mesmo se tratando de países atrasados e há muito subordinados pelo grande capital faz com que esse modelo seja colocado em xeque.

Potências regionais como a Rússia e China colocaram obstáculos a continuidade desse modelo sob o comando dos Estados Unidos e agora são vistas como nações inimigas, além de outras de menor calibre. Leia-se “agora” pelo fato de que nesse momento a crise se intensificou, mas esses países nunca deixaram de ser vistos como nações ameaçadoras a ordem global, sob o ponto de vista do domínio do “xerife do mundo” – os EUA. A crise de acumulação do próprio sistema econômica na Era da globalização econômica e financeira neoliberal está entrando em colapso e a pilhagem imperialista se faz ainda mais necessária paradoxalmente, impondo um regime de acumulação ultraliberal com ainda mais fascismo e autoritarismo, se assim necessitar. Se a crise do imperialismo se revela nas palavras de Macron, talvez uma fissura interna no interior do bloco imperialista acelere ainda mais o caos que está por vir.

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