A capitulação do WSWS

“Fora Netanyahu” ou “Pelo fim do Estado de Israel”?

Ao pedir o fora Netanyahu setores da esquerda estão capitulando ante a pressão do imperialismo, adentrando a política burguesa de “Israel” e assim se opondo a luta dos palestinos

Um aspecto que fica um pouco esquecido na questão da luta dos palestinos contra a ocupação israelense é a política interna do Estado sionista. São 9 milhões de cidadãos, dentre estes 2 milhões são de palestinos que por sorte não foram expulsos durante a limpeza étnica mas vivem sob uma dura opressão. Um jornal que pretende ser trotskista, o World Socialist Web Site (WSWS), apresentou uma política para esses israelenses. O texto publicado em português no dia 11 de outubro é intitulado: “Derrubar o governo Netanyahu! Parar assalto sionista com apoio imperialista contra Gaza!”

Eles declaram: “Fazemos um apelo especial à classe trabalhadora israelense e a todos os elementos progressivos da população judia para que rejeitem o chauvinismo venal do regime. Os trabalhadores e jovens israelenses devem se desvencilhar e denunciar as ações criminosas do governo Netanyahu, que não representa seus interesses.” Como já anunciavam no título, responsabilizam o governo Netanyahu pelo atual massacre de palestinos, mas propõem uma política que só serve para trocar um sionista por outro.

A linha política dos revolucionários deve ser o fim do Estado de Israel. Um Estado que existe apenas pelo apoio do imperialismo, criado sobre o massacre do povo palestino e com o objetivo de dominar toda a região do Oriente Médio. Esse Estado é uma abominação e tem que ser desmantelado como um todo.

Basta citar um caso parecido, o da África do Sul do apartheid, para deixar evidente o erro. O que existia naquele momento era um Estado colonial apoiado sobre o imperialismo dos EUA para oprimir toda a região sul da África. Vale lembrar que a África do Sul invadiu Angola em uma guerra contra revolucionária para tentar derrubar o governo do MPLA. Os paralelos entre Israel e a África do Sul são muitos, portanto. Nessa situação, um branco sul-africano em 1980 deveria adotar qual política? A política correta, em meio ao levante da população negra contra o apartheid seria chamar pelo “fora Pieter Willem Botha!”. É evidente que não, a derrubada desse presidente levaria outro representante do apartheid a assumir. A única política correta seria a luta pelo fim do apartheid.

O motivo pelo qual o WSWS se afundou nesse terreno pantanoso da confusão política é a capitulação diante da pressão política do imperialismo e do sionismo. Isso impede uma luta coerente em defesa dos palestinos. Tal coisa fica clara na sua colocação vaga sobre um “Estado socialista unificado” como solução para o problema. É muito comum para a esquerda pequeno-burguesa, quando não tem uma política definida ou não tem coragem de bater de frente com a direita, limitar-se a formulações vagas, genéricas, como a “defesa da revolução operária” ou a “defesa do socialismo”. De fato todo marxista deve defender isso, mas o marxista não pode se esconder detrás de frases vagas, deve apresentar uma política concreta.

Um exemplo que deixa isso muito claro é a guerra na Ucrânia. Setores da esquerda pequeno-burguesa, ao invés de se posicionar de forma clara em defesa de uma nação oprimida contra o imperialismo, aderiram à “defesa dos operários da Ucrânia”, como se isso fosse uma política real. Mas o que é melhor para os operários da Ucrânia, a vitória da OTAN ou a vitória de Putin? É evidente que qualquer vitória da OTAN é uma derrota para todos os trabalhadores do mundo. Portanto a única posição correta é a defesa da vitória da Rússia, e por meio desta se defendem os operários da Ucrânia, a vitória da Rússia também é o que mais aproxima ambos os países da revolução socialista pois a vitória da OTAN é a vitória do imperialismo, ou seja, da contrarrevolução. 

Sendo assim a política voltada para os trabalhadores israelense não pode ser capituladora ante o sionismo e o imperialismo. A defesa da vitória dos palestinos contra o massacre sionista é uma política concreta: deve-se apoiar os que estão lutando, de fato, de armas nas mãos, contra seus agressores imperialistas. Não há luta em defesa dos palestinos sem que se lute pelo fim do Estado de Israel. E é essa a luta que está sendo levada a cabo pelos “terroristas” palestinos. É preciso, sem rodeios, nem disfarces, defender os atos do Hamas e de todos os grupos guerrilheiros palestinos na sua luta contra Israel e o imperialismo. A solução “comportada”, “civilizada”, “limpinha e cheirosa” da luta “política” pela substituição de um sionista por outro é apenas um encobrimento de uma capitulação.

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