Outro lavajatista

Flávio Dino no STF?

A sanha repressiva desmesurada de Dino levou a um reforço no genocídio dos índios do MS. Uma vez no STF, sua falta de escrúpulos voltaria-se contra Lula e povo com mais vigor

Com a crise da campanha golpista da “mulher negra” no Supremo Tribunal Federal (STF), as forças golpistas que passaram as últimas semanas chantageando o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), partiram agora para o plano B: o atual ministro da Justiça, Flavio Dino (PSB). Em um dos mais desavergonhados órgãos golpistas do País, O Globo, Merval Pereira (“a voz de deus”) publicou no último dia 20 uma coluna dizendo ser “possível” uma eventual “ida do ministro Flavio Dino para o STF” (“Politicagem vai definir ministérios e ministros”). Segundo o colunista, “é normal que o presidente queira colocar um ministro [para o STF] que tenha a mesma linha ideológica” e conclui: “Neste caso, Flavio Dino se enquadra perfeitamente.” Nada mais distante da realidade.

Flavio Dino, deve-se lembrar, apoiou Aécio Neves (PSDB) nas eleições presidenciais de 2014, com a operação Lava Jato já em marcha para destruir o governo da então presidenta, Dilma Rousseff. No mesmo ano, elegera-se governador do Maranhão pela primeira vez, tendo o tucano Carlos Brandão como vice.

Tendo sido empossado pela então presidenta petista à presidência da Embratur, Dino já revelava na época que lealdade não é um valor cultuado pelo atual ministro de Lula. Em outro reflexo disso, o então recém-eleito governador maranhense reconhecia que seu partido (na época o PCdoB) apoiava Dilma, mas escudava-se da grave incongruência alegando que o PSDB havia sido “determinante” para sua eleição, uma posição tipicamente carreirista e que revela onde sua lealdade realmente está.

Em 2016, auge da campanha golpista que iria derrubar Dilma Rousseff, Dino declarou (em entrevista ao portal UOL, do Grupo Folha), que o golpe em marcha contra a presidenta era uma manobra “dos que têm medo da Lava Jato” e que “A questão central é seguir apoiando as investigações [da operação golpista], apoiar o trabalho, desde que constitucional e legal, que seja feito pelo Ministério Público, pela polícia e pela Justiça”, ao que conclui conclamando que “quem cometeu erros e crimes que os paguem”, obviamente fingindo não ver os inúmeros crimes cometidos pelos lavajatistas.

A ligação de Dino com o PSDB é tamanha que ao sair do PCdoB, em junho de 2021, o ex-governador pulou para o PSB. Inicialmente um partido dos setores mais frágeis do latifúndio nordestino, o PSB gradualmente foi sendo convertido em braço esquerdo do PSDB, processo que se acentuou com a desmoralização do partido abertamente pró-imperialista, a partir do golpe de 2016. Para lá migrou também o atual vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, ex-governador de São Paulo e organizador de massacres históricos como o de Pinheirinhos, em São José dos Campos.

Se no passado recente demonstrou estômago para usar o PCdoB como trampolim e se alçar à posição de governador, mesmo que apoiado pelo partido mais pró-imperialista do País, seus meses à frente do ministério da Justiça constituem uma das piores manchas do governo Lula. A sanha repressiva desmesurada de Dino levou a um reforço no genocídio dos índios do Mato Grosso do Sul, onde o ministro foi anunciar milhões de reais em apoio às condições dos policiais locais para reprimir os povos indígenas.

Também no Rio de Janeiro, onde as mais distintas agências policiais são dadas a verdadeiras loucuras em sua campanha de terror contra a população das favelas, Flavio Dino esteve presente recentemente, levando milhões de reais aos responsáveis pelo massacre da população trabalhadora do estado. Os “mimos” de Dino, deve-se lembrar, são concedidos também ao setor que compõe uma das mais numerosas bases sociais do bolsonarismo.

Isso deve ser lembrado sempre que a inocente esquerda pequeno-burguesa se assustar com a quantidade de bolsonaristas armados. Realmente estão e quem os armou não foi outro, mas o atual ministro da Justiça.

Os trabalhadores não devem cair no erro de acreditar que a luta contra a chantagem da “mulher negra” no STF está ganha, mas tampouco devem aceitar um carreirista e repressor notório como Flavio Dino na instância máxima do Judiciário. O STF não deveria existir, mas ser extinto, como parte de uma ampla e democrática reforma do sistema judiciário.

Existindo, no entanto, deve-se lutar que o órgão não tenha mais elementos em seu corpo de ministros alinhados ao imperialismo. É o que pretende a imprensa golpista, ao defender de maneira tão entusiasmada a tal “mulher negra” como também o lavajatista Flavio Dino.

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