Israel

Fascismo, sionismo e nazismo são a mesma coisa

O fascismo não é uma ideologia, mas um movimento político impulsionado pelo imperialismo desde os anos 1920 e presente em praticamente todos os regimes desde então

No artigo “A banalização do termo ‘fascista’ e suas implicações políticas” (André Moragas e Ivan Marcondes, 5/12/2023), o jornal bolsonarista Gazeta do Povo destaca que o “PCO cita os ataques terroristas [em referência à ofensiva do Hamas contra Israel. Grifo nosso] como parte de uma suposta luta contra o fascismo que, segundo o partido, deveria ser apoiada por toda a esquerda”, discorrendo sobre o problema do fascismo, mais especificamente do termo. Diz Gazeta do Povo:

Muitas vezes, o termo “fascista” é aplicado de maneira superficial, sem uma compreensão real de seu significado. Hoje, ser rotulado como “fascista” parece depender unicamente da oposição a pautas progressistas, como casamento gay, descriminalização do aborto ou das drogas. Além disso, discordar de conquistas de pessoas que pertencem a minorias, mas têm afiliações políticas de direita, também pode resultar na aplicação desse rótulo. Isso demonstra que, na maioria das vezes, o alvo não é a posição política em si, mas sim a resistência a ideias opostas.

Ainda que muitos grupos da esquerda pequeno-burguesa de fato usem a palavra “fascismo” como um adjetivo moral, o erro está na colocação desses grupos, não na caracterização apresentada pelo Partido da Causa Operária (PCO) em relação a Israel. Mais adiante no artigo, Gazeta do Povo apresenta uma definição do que seria fascismo, baseada no filósofo Norberto Bobbio, a saber:

“O fascismo é descrito como um sistema autoritário de dominação que envolve a monopolização da representação política por um partido único hierarquicamente organizado, uma ideologia que idolatra o líder, exalta a nação, rejeita o individualismo liberal e promove a colaboração de classes em oposição ao socialismo e comunismo. Além disso, o fascismo busca a expansão imperialista em nome das nações mais pobres, envolve a mobilização das massas, o aniquilamento de oposições por meio da violência e terror, bem como a manipulação da propaganda e um controle estatal crescente sobre a economia.” Nada mais distante da verdade.

O primeiro erro consiste em considerar o fascismo uma ideologia, mais do que um método. Isso fica claro em colocações como “idolatra o líder, rejeita o individualismo liberal e promove a colaboração de classes”. Ocorre que nenhum desses pressupostos existia, por exemplo, no regime do chamado “austrofascismo”, existente na (como o nome indica) Áustria e que permaneceria vigente até a anexação do país pela Alemanha.

Sob a liderança do Engelbert Dollfuss (1932-1934), o governo fascista da Áustria contou, por exemplo, com Ludwig von Mises como conselheiro econômico do chanceler, inviabilizando a tese da rejeição ao individualismo liberal. No mesmo parágrafo, a matéria menciona “um controle estatal crescente sobre a economia”, o que, embora tenha sido assumido como verdadeiro por referência a Bobbio, precisaria ser demonstrado na prática, uma vez que Mises é, sabidamente, opositor da teoria.

O próprio “pai” do fascismo, o italiano Benito Mussolini, mesmo proclamando qualquer demagogia que o momento pedisse, praticava uma política expressa em seu “A doutrina do fascismo” muito mais simpática ao liberalismo econômico do que os defensores desta corrente gostariam de admitir:

“O Estado corporativo considera que a iniciativa privada na esfera da produção é o instrumento mais eficaz e útil no interesse da nação. Tendo em vista o fato de que a organização privada da produção é uma função de interesse nacional, o organizador da empresa é responsável perante o Estado pela direção dada à produção. A intervenção do Estado na produção econômica ocorre somente quando a iniciativa privada é inexistente ou insuficiente, ou quando os interesses políticos do Estado estão envolvidos. Essa intervenção pode assumir a forma de controle, assistência ou gestão direta”, publicou o Duce.

Igualmente equivocada está a premissa de que “o fascismo busca a expansão imperialista em nome das nações mais pobres”. Não está claro se ao mencionar “expansão imperialista”, Gazeta do Povo considera o uso vulgar do termo imperialismo, como sinônimo de uma expansão territorial, o que, além de errado, induz a uma concepção confusa do fascismo, tendo em vista a supracitada experiência do “austrofascismo”, que não tentou expandir seu território e nem por isso foi menos fascista. O mesmo pode ser dito de experiências como a de Portugal, Espanha e das ditaduras militares da América Latina ao longo do século XX, não registrou mobilizações militares de maiores envergadura do que a vã tentativa argentina de retomar as ilhas Malvinas, território argentino roubado do país vizinho pela Inglaterra.

Caso esteja se referindo aos monopólios imperialistas, poderíamos dizer que é verdade que o fascismo busca sua expansão, porém seria preciso esclarecer que não apenas as nações de desenvolvimento capitalista avançado – onde os monopólios se constituíram e dominaram o sistema econômico, e político -, sofrem com regimes fascistas. Como visto acima, mesmo as nações atrasadas da América do Sul e de continentes ainda mais pobres amargaram a experiência infernal das ditaduras fascistas.

Tampouco está acertada a ideia da colaboração de classes. Fosse o caso, não haveria necessidade de estabelecer uma ditadura, ou, como escreveu Gazeta do Povo, de promover “o aniquilamento de oposições por meio da violência e terror”. De todos os pontos levantados pelo órgão bolsonarista, este – enfim – é o ponto comum que une a Itália de Mussolini à Alemanha de Hitler, ao governo Dollfuss na Áustria, Salazar em Portugal, as ditaduras militares latino-americanas e praticamente, todos os regimes políticos desde a ascensão do fascismo, nos anos 1920, o que inclui as ditaduras e também as chamadas “democracias”, ferozmente inimigas dos direitos e das liberdades democráticas, tais como a liberdade de expressão.

É a este movimento, baseado fundamentalmente na mais brutal repressão e no terror, que os marxistas se referem ao caracterizar o Estado de Israel como um regime fascista. O componente racial existente no sionismo o coloca como par de uma das mais extremas e criminosas expressões do fascismo: o nazismo.

É isso o que alinha fascistas, nazistas e sionistas, estabelecendo os três como o mesmo fenômeno político. Não se trata de um adjetivo moral ou algo do gênero, mas de uma caracterização que tampouco é baseada em ideologia, mas no método de ação truculento, o principal adotado pelo imperialismo e que busca impor sua política por meio do horror.

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