Milei e Bolsonaro

Extrema direita cresce porque esquerda abandonou os trabalhadores

Integrante da ala direita do PT critica a esquerda por continuar "crendo no velho projeto proletário"

Dizer que a esquerda tem culpa no cartório pela vitória eleitoral de Javier Milei, na Argentina, não quer dizer muita coisa. É praticamente um consenso. Afinal, o candidato apoiado pela maioria das organizações da esquerda argentina foi derrotado, mesmo com a “máquina” do governo Alberto Fernández na mão, para um fascistoide que fala abertamente em privatizar o que sobrou da economia de seu país. A questão que fica, no entanto, é: no que a esquerda efetivamente errou para que Milei saísse vencedor?

Para Tarso Genro, notório intelectual da ala direita do Partido dos Trabalhadores, a resposta estaria em uma insistência da esquerda na crença do “velho projeto proletário”. O ex-governador do Rio Grande do Sul acusa a classe operária ou a esquerda – o texto é ambíguo – de não ter “tugido nem mugido” para combater a “reforma trabalhista, ou mesmo para defender a democracia política em vias de destruição”.

Tarso Genro não deixa claro qual é exatamente sua caracterização acerca da “velha esquerda”, mas é bastante claro em se opor ao que sempre foi conhecido como esquerda: a defesa dos interesses dos trabalhadores. Ao mesmo tempo, diante da crise em que a política identitária entrou, o dirigente petista logo parte para criticar “uma outra parte da esquerda refugiou-se num identitarismo insuficiente, como se isso já revelasse o nascimento de uma nova história da esquerda”.

Se o problema que levou à vitória de Javier Milei não foi nem o identitarismo, nem o apelo da esquerda ao “velho proletariado”, qual teria sido então o erro? Genro não explica, restringindo-se a dizer que Milei e Bolsonaro “são o fundo do poço de uma esquerda envelhecida, que não soube responder unida à retomada do fascismo – contido nos projetos neoliberais em curso – nem à destruição dos valores democráticos da razão iluminista transformada em mitologia do mercado, como pulsação histérica de um presente sem futuro”.

A resposta de Genro está em outro artigo, escrito em maio deste ano:

“O que se pergunta é se ainda existe a possibilidade de compor uma ampla aliança social e política, de classes e fragmentos, para bloquear o fascismo e alargar a democracia política. Só uma pessoa pode comandar este processo, que exige muita ousadia, sinceridade e independência de espírito: é o jovem Presidente Boric que poderá demonstrar, assim, que a democracia tem futuro no Chile e na América do Sul, se for convencido ou convencer-se que fragmentos dispersos, não só não formam uma totalidade, como não atravessam alegre e seriamente as ruas da esperança”.

Boric é o típico político identitário – o que revela que Tarso Genro, no final das contas, não é um verdadeiro crítico dessa política. Mas o que também fica claro no elogio do dirigente a Boric é que o seu problema com o “velho proletariado” é que, para Tarso Genro, a luta de classes não existe – ou seria, na melhor das hipóteses, algo que deveria ficar em segundo plano. Para o dirigente petista, abstrações como “democracia” e “energias utópicas” estão acima da seguinte questão: a que classe tal figura responde?

O caso Boric é emblemático porque apresenta justamente o que há de mais nocivo para a esquerda. Ao mesmo tempo em que apresenta uma aparência “moderna”, para arrancar elogios de pessoas como Tarso Genro, Boric se comporta como um representante dos interesses do imperialismo. Boric, para quem não se lembra, é aquele que criticou Lula por não “condenar a Rússia” na guerra contra a OTAN. É também aquele que tentou criar uma organização paralela ao Foro de São Paulo, de modo a se opor a governos como o de Nicolás Maduro e de Daniel Ortega, que são constantemente hostilizados pelo chileno.

O problema da luta de classes, contudo, é o problema central da esquerda. A esquerda argentina perdeu as eleições justamente porque o presidente que apoiava, Alberto Fernández, é o resultado de uma política desastrosa de capitulações e adaptações perante os maiores inimigos dos trabalhadores. O problema da Argentina e de todo o mundo está justamente no “velho proletariado”: enquanto a esquerda levar adiante uma política de convivência com o imperialismo, ficará desmoralizada perante as massas e, assim, abrirá o caminho para a intervenção da extrema-direita.

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