Submissão e capachismo

Estadão defende Ucrânia, mas é contra a soberania do Brasil

O Estadão fala em defesa da soberania da Ucrânia, mas é contra a soberania do próprio País, defendendo a submissão do Brasil ao TPI e ao imperialismo.

Jornal mais conservador do País, o Estado de S. Paulo tem como ofício o ataque aos trabalhadores e governos nacionalistas, por isso, qualquer representação que tenha posicionamento em favor da soberania nacional, é alvo de linchamento e ataques edazes.

Este foi o caso do editorial (“Notas & Informações”) intitulado “Companheiro Vladimir e o tribunal da história”, a partir de um vocabulário digno do bolsonarismo, com artifícios retóricos extraídos dos mais reacionários círculos, imputando à Lula, um presidente nacionalista, um “desrespeito à soberania” por ser contrário à prisão de Putin.

“Quem desrespeita a soberania brasileira é Lula” diz o editorial. De acordo com o jornal “a Constituição do País, fruto da vontade e do poder soberanos do povo brasileiro, estabelece, no artigo 5.º, parágrafo 4.º, que “o Brasil se submete à jurisdição de Tribunal Penal Internacional [TPI] a cuja criação tenha manifestado adesão”, complementa.

O Brasil aderiu ao TPI durante o governo entreguista de FHC em 2002. Em razão da pressão, à época, foi votada uma PEC em 2004 para inserir essa lei. Mas, na visão do Estadão, uma ruptura com o acordo de Roma não poderia ser rediscutida.

O TPI está acima da própria Constituição brasileira, e isso deve ser discutido e revogado, pois trata-se de uma retumbante submissão. Contudo para o Estadão, “Lula, em nome de seus megalomaníacos devaneios antiamericanos, não se constrangeu em vandalizar um princípio constitucional brasileiro para adular um criminoso de guerra”, ataca.

Além do ataque à Rússia, pressionada pela OTAN há 74 anos, o Estadão sugere que Lula é “antiamericano” pelo fato de defender a soberania.

O jornal adotou uma linha de franco ataque, bem diferente dos tempos de Bolsonaro, quando o jornal rasgava elogios ao ex-presidente.

O imperialismo deu a ordem ao Estadão para que atacasse ao mesmo tempo Lula e Putin. Vejamos, de acordo com o Estadão, Putin seria um “autocrata” que comete “inúmeros e pavorosos crimes de guerra em sua perversa agressão à Ucrânia” e por isso teve ordem de prisão expedida pelo Tribunal Penal Internacional (TPI). 

Não é demais relembrar aqui, que após o golpe do Euromaidan de 2014, duas repúblicas da região do Donbass se tornaram independentes, e logo em seguida a essa proclamação, Kiev procedeu com ataques militares utilizando batalhões nazistas contra o povo russo da região. 

A guerra contra o Donbass prosseguiu por 8 anos até que a Rússia reconheceu a independência de Donetsk e Lugansk e organizou uma operação especial de defesa dessas repúblicas. 

Se alguém que deveria responder por crimes de guerra seria o ex-presidente ucraniano, Petro Poroshenko e o atual presidente, Volodymyr Zelensky, além do Biden (que alimenta a guerra com armas).

Se Putin fosse um criminoso de guerra, teria investido com a segunda maior força militar do mundo, em um bombardeio a Kiev, assim como a OTAN fez contra a Sérvia em 1999. Não foi o caso da Rússia, mas foi o caso da OTAN.

Voltando ao editorial farsa do Estadão, o editorialista, manifesta sua repulsa à Lula. De acordo com a matéria, “Lula da Silva, que não perde o cacoete de sindicalista e saliva por uma boa luta de classes, tem Putin em alta conta porque o considera um símbolo da resistência aos Estados Unidos e ao Ocidente. No bestiário lulopetista, Putin é hoje uma espécie de Fidel Castro das estepes”.

Primeiramente, Lula não se mostrou tão próximo à Putin ideologicamente, a ponto de a matéria afirmar que o presidente brasileiro tenha no presidente russo, um símbolo de resistência. Lula resiste à pressão da burguesia e do imperialismo há mais tempo que seu homólogo. 

Em segundo lugar, Lula também é um dos signatários da fundação dos BRICS, além de ser formulador de inúmeras estratégias nacionalistas, o que refuta a ideia de que o presidente brasileiro necessite de uma referência nacionalista.

De forma caluniosa, a matéria imputa à Lula e militantes de esquerda, uma espécie de maquiavelismo, que é inexistente. A esquerda não tem uma poderosa máquina de comunicações, precisa acordar cedo, ir às fábricas, escolas, praças e estações de metrô e trem para vender jornais e distribuir panfletos, que em nada se assemelham a um fuzil. 

Contudo, de acordo com o Estadão, no “antiamericanismo apalermado do chefão petista, Fidel, Putin e quejandos não cometem crimes nem violam direitos, apenas se defendem como podem da sanha imperialista dos ianques”.

O jornal continua “Se para isso esses heróis de Lula tiverem que prender e fuzilar dissidentes ou invadir um país soberano e atacar áreas civis, então que seja. Como disse um inspirado Fidel em 1953, ‘a história me absolverá’”.

Aqui, de fato, é preciso deixar absolutamente claro: a Rússia realmente se defende do imperialismo. A OTAN chegou na fronteira com o país eurasiático com toda força militar disponível contra a Rússia, sem contar a guerra por procuração na Ucrânia.

Deste modo, se Lula chegou à conclusão de que a Rússia sofre toda pressão dos verdadeiros criminosos da OTAN e da Ucrânia, é porque realmente a questão do Brasil com o tribunal internacional deve ser revista.

Esse tribunal foi criado pelo Estatuto de Roma e 123 países são signatários. Os Estados Unidos não são signatários e não há nenhuma cobrança disso por parte do Estadão.

Apesar disso, verdade seja dita, trata-se de um tribunal sem nenhuma legitimidade, que serve apenas para julgar de modo relâmpago, todo e qualquer político que afronte o imperialismo. Como Putin vem de fato humilhando a OTAN, tomaram uma medida de propaganda, típica de Goebbels e que o Estadão parece apreciar.

Lastreado por toda propaganda imperialista, o editorialista do Estadão, desprovido de maiores conhecimentos, simplifica a questão geopolítica por trás do pensamento estratégico de Lula. Ao se voltar para os BRICS, Lula quer ter as melhores relações com a Rússia, pois isso diz respeito à política de Estado. 

A Rússia tem muitos investimentos no Brasil e vice-versa. Para que essa relação seja mantida da melhor maneira possível, a fim de não prejudicar o Brasil, Lula acena com uma orientação de caráter nacionalista. Portanto, o que o editorialista chama de “afirmações irresponsáveis”, chamamos aqui de afirmações responsáveis, estratégicas e nacionalistas

O material redigido pelo Estadão tem um final previsível e fatídico, que é a defesa da submissão nacional do Brasil aos Estados Unidos. “Mas é inútil procurar lógica ou coerência num discurso cujo único propósito é antagonizar os Estados Unidos e fustigar o Ocidente. Não se sabe o que o Brasil ganha com isso, mas sabe-se o que perde: respeito”. Ora, o editorialista, funcionário do imperialismo e da banca internacional, não percebe que o Brasil não é respeitado pelo imperialismo se não se impor.

O próprio fato de o Brasil se posicionar, soberanamente, em busca da ruptura com o tratado de Roma, com todo o frisson do imperialismo para pressionar o país, demonstra que a postura de Lula elevou o nível de respeito ao País.

Os países avançados temem que o Brasil desperte e promova uma ruptura com o regime político imperialista. Mas, para o funcionário do imperialismo, isso não é importante. Uma questão de prioridades e submissão… Entretanto, ao lermos o editorial do Estadão, fica mais fácil visualizar e perceber que Lula está no caminho certo e precisa ser apoiado.

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