Reino Unido

Espionagem sionista é responsável pela queda de Jeremy Corbyn

Por trás da perseguição a Corbyn, que levou à perda da sua posição de líder do Partido Trabalhista, esteve uma operação de espionagem sionista envolvendo parlamentares trabalhistas

Jeremy Corbyn foi líder do Partido Trabalhista inglês durante os anos de 2015 de 2019, durante os quais sofreu intensa campanha difamatória, em que foi acusado de antissemitismo por sua defesa da luta do povo palestino contra o Estado de “Israel”. Em razão da defesa dos palestinos contra o monstro sionista, após ter perdido a liderança do partido, a perseguição não cessou, e Corbyn eventualmente enfrentou uma penalidade de suspensão, no ano de 2020.

Ocorre que por trás de toda essa perseguição, que se deu por meio de virulenta campanha difamatória, havia a espionagem sionista, na qual estava envolvida membros do próprio Partido Trabalhista, agentes governamentais (ex-militares e ex-oficiais de inteligência, em especial), atuando principalmente através de fundações e think tanks.

Com a ação revolucionária da resistência armada palestina, que se deu no 7 de outubro, e o apoio das massas a essa luta, vem ressurgindo as denúncias de uma rede de espionagem sionista de espiões britânicos infiltrada no Partido Trabalhista que fora responsável pela campanha de calúnias e difamação contra Corbyn.

A campanha difamatória e persecutória contra Corbyn, conforme dito, já existia enquanto ele era líder de seu partido, entre os anos de 2015 e 2019. Uma das pessoas-chave dessa campanha era uma parlamentar trabalhista de nome Ruth Smeeth, a qual, não coincidentemente, fora membro do Movimento Trabalhista Judeu britânico em 2019. Corbyn não foi o seu único alvo de difamação, sendo o ativista Marc Wadsworth e parlamentar trabalhista Chris Williamson também caluniados como antissemitas.

Sua atuação sabotadora do próprio partido viria a lhe custar seu assento no parlamento, em 2019. Contudo, tais acusações de antissemitismo não eram por acaso, não decorriam apenas do fato de que ela tinha ascendência judia. Não, ela possui vínculos estreitos com o sionismo, afinal foi diretora de relações-públicas do lobby sionista Centro de Comunicações e Pesquisa “Israel” da Grã-Bretanha (BICOM, na sigla em inglês). Recebeu doações de figuras importantes do BICOM. Foi inclusive informante sensível e confidencial da embaixada dos EUA no Reino Unido, conforme telegramas diplomáticos divulgados pela Wikileaks, em 2011.

Tendo essa pessoa em mente, deve-se também ter conhecimento a respeito da Integrity Initiative, entidade controlada pelo Institute for Statecraft, um think tank “pró-democracia” fundado por Christopher Donnelly and Daniel Lafayeedney e composta por veteranos militares e membros da inteligência britânica. O instituto recebe financiamento do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Reino Unido. A título de curiosidade, foi declarada por lei uma organização “indesejada” na Rússia em 2023.

Pois bem, sobre ela, cumpre informar que em 2018 foram vazados documentos comprovando que a organização utilizava-se da inteligência levantada pelo Estado britânico para realizar campanhas de desinformação contra a Rússia, mas também contra políticos internos vistos como inimigos, como Corbyn, conforme denúncia reverberada pelo sítio Mintpress.

Voltando à parlamentar trabalhista Ruth Smeeth, uma das pontas de lança da campanha de difamação contra Corbyn no interior do partido, em 2017, ela foi convidada para uma reunião do Institute for Statecraft. Especula-se que tenha sido convidada pessoalmente por seu fundador, Daniel Lafayeedney.

É importante entender quem é Lafayeedney, pois há indícios de ter sido uma figura de importância na perseguição a Corbyn. Trata-se de um veterano SAS (Special Air Service), estas que são as forças especiais do Exército Britânico, unidade especializada em “contraterrorismo” e operações de espionagem e reconhecimento. Segundo a Wikipedia, “Muitas das informações sobre o SAS são altamente confidenciais e a unidade não é comentada nem pelo governo britânico, nem pelo Ministério da Defesa devido ao sigilo e à sensibilidade de suas operações”.

Daniel Lafayeedney, conforme levantamento feito pelo Al Mayadeen, possui profundas relações com o aparato militar e de inteligência sionista. Na década de 2000 dirigiu na Universidade de Oxford um programa de Estudo do Terrorismo e Inteligência Global, chamado Pluscarden, do qual participaram, como palestrantes, Yaakov Amidror, Isaac Ben-Israel e Yoram Dinstein.

Para se ter uma ideia, Yaakov Amidror é ex-major general do exército de “Israel”, ex-conselheiro de segurança nacional; ex-chefe do Departamento de Pesquisa da inteligência militar israelense, tendo sido responsável por várias operações de espionagens contra o Irã. Já Isaac Ben-Israel terminou seu serviço militar nas FDI no posto de general; foi chefe de Cibernética de 2010 a 2012 durante o governo de Netanyahu. Quanto a Yoram Dinstein, trata-se de um jurista que “transformou a secção ‘Tel Aviv’ da Amnistia Internacional numa ala do Ministério dos Negócios Estrangeiros de Israel, enquanto chefiava o capítulo na década de 1970”, segundo reportagem do próprio Haaretz, repercutida pelo Al Mayadeen.

Pois bem, voltando a Lafayeedney, no ano de 2017 ele participou da Conferência anual de “Israel” em Herzliya sobre “contra-terrorismo”. Foi como membro da BICOM. Coincidentemente (ou não), Ruth Smeeth ainda trabalhava no setor de relações-públicas da organização, de forma que se especula que ela possa ter tido parte nisto, haja vista sua relação com o sionismo.

Assim, as relações de Ruth Smeeth com o sionismo e seu aparato de propaganda e inteligência eram maiores do que poderia parecer à primeira vista, dando um maior sentido ao seu papel na perseguição a Corbyn. Ademais disto, essa perseguição ainda foi facilitada pelo fato de ela ter se tornada secretária pessoal de Tom Watson, (vice-presidente do Partido Trabalhista de 2015 a 2019) pouco tempo após ter participado da reunião da Integrity Initiative, passando a ter habituais reuniões privadas com Corbyn.

Paralelamente a isto, a Integrity Intiative seguia em sua campanha contra Corbyn. Em 2018, contratou Glen O’Hara, professor de História Moderna e Contemporânea na Oxford Brookes University, para fazer uma apresentação com o título de “Quem são os corbinitas e em que eles acreditam?”. Uma apresentação semelhante ao PowerPoint de Deltan Dallangol contra Lula, mas mais sofisticada. Veja o documento completo no sítio The Grayzone.

Em outro front, das relações entre o imperialismo britânico e o sionismo, documentos vazados indicam que aproximadamente na mesma época, Lafayeedney esteve em “Israel” para tratar de assuntos militares e de inteligência. Apesar da ausência de declarações oficiais, em suas notas de viagem Lafayeedney explica que tem o interesse de tornar as forças militares de ambos os países mais competentes no combate à guerra moderna, para isto sendo necessária a criação de unidades especializadas como a 77ª Brigada do Exército Britânico (uma unidade especializada em redes sociais, ou seja, desinformação e difamação).

Sobre este último ponto, cumpre informar a respeito de um dos métodos de ação da Integrity Initiative, segundo os documentos vazados em 2018: criar uma rede de pessoas para propagar desinformação, difamar, influenciar a opinião pública e, consequentemente, a política governamental (composta por jornalistas, acadêmicos, especialistas, políticos e funcionários de segurança).

Voltando a Lafayeedney, atentando para algo que não parece ser coincidência, logo após sua ida a “Israel” em 2018, aprofundou-se a campanha de difamação contra Corbyn, em que o líder trabalhista fora incessantemente acusado de antissemitismo e ameaçado de penalidades criminais, a ponto de forçarem-lhe a perda da liderança do Partido Trabalhista e chance ao cargo de primeiro-ministro.

Ao fim, o atual líder do Partido Trabalhista britânico é um sionista, por nome de Keir Starmer, que já declarou “apoiar o sionismo sem reservas”.

Vê-se, então, que, por trás das acusações difamatórias de antissemitismo contra Corbyn e da perseguição que levou à perda da sua posição de líder do Partido Trabalhista e a uma eventual penalidade de suspensão, esteve uma complexa operação de espionagem sionista que envolveu parlamentares de seu próprio partido, o governo britânico, ex-militares e membros da inteligência.

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