Henrique Áreas de Araujo

Militante do PCO, é membro do Comitê Central do partido. É coordenador do GARI (Grupo por Uma Arte Revolucionária e Independente) e vocalista da banda Revolução Permanente. Formado em Política pela Unicamp, participou do movimento estudantil. É trabalhador demitido político dos Correios e foi diretor da Fentect (Federação Nacional dos Trabalhadores dos Correios)

Relativa?

“Democracia” é nome fantasia para escravidão dos países africanos

Imperialismo evoca a "democracia" contra os golpe nacionalistas na África para manter o roubo desses países

Ao defender o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, Lula afirmou que a “democracia é relativa”. A fala do presidente brasileiro foi criticada pela direita como sendo uma “defesa da ditadura”, mas a crítica só prova justamente o que Lula falou.

E Lula está certo. Tudo o que é apoiado pelos países imperialistas é democrático, segundo a propaganda em sua imprensa, já os regimes que não têm o apoio do imperialismo são ditaduras. Nesse sentido, um regime com muitas eleições pode ser uma ditadura, como bem afirmou Lula a Venezuela “tem mais eleições do que o Brasil, desde que o [ex-presidente Hugo] Chávez tomou posse”, seriam 29 eleições em 24 anos.

Por sua vez, quando o imperialismo dá golpes de Estado como os que ocorreram na América do Sul nos anos 60 e 70, colocando ditaduras sangrentas no poder, só décadas depois, bem timidamente, elas serão chamadas de ditaduras. Outro caso bem interessante é o da Arábia Saudita. Reconhecidamente um dos países mais fechados do mundo, na propaganda imperialista o Irã, mais liberal, sempre foi muito mais ditadura do que lá. Mas eis que agora que os sauditas se agrupam com o Irã, com a Rússia e entram nos BRICS, o imperialismo descobriu uma ditadura na Arábia Saudita.

Essa mesma “relatividade” pode ser aplicada no caso da África. Os vários golpes nacionalistas que aconteceram em Burquina Faso, Mali, Níger e Gabão acabaram com a “democracia” imposta pelo imperialismo.

O golpe no Gabão, por exemplo, derrubou o presidente Ali Bongo que havia acabado de ser eleito com 65% dos votos. Misteriosamente, esses votos não se transformaram em apoio popular, pelo contrário, quem mostrou ter apoio foram os militares golpistas. Obviamente que essa democracia que daria o terceiro mandato para Ali Bongo que, por sua vez, herdou o poder do pai, Omar Bongo, presidente de 1967 a 2009, quando morreu.

Em todos os casos, o imperialismo reivindicou a “democracia”, acusando os golpistas de serem ditadores.

Mas essa democracia dos países imperialistas era apenas uma fachada para roubar esses países. Os governos depostos pelos golpistas eram marionetes dos interesses franceses e norte-americanos. É para isso que serve a tal “democracia”, apenas uma cobertura para espoliar os países.

O povo comemorou todos esses golpes não porque ama ou odeia essa “democracia”, mas porque cansou de ser roubado pelos países estrangeiros. A melhor democracia é aquela que garante ao povo o mínimo de existência, que garante que um país possa aproveitar suas riquezas em benefício próprio.

O imperialismo, que grita agora contra o golpe e levanta a “democracia” para atacar esses países, é quem deixou e deixa o povo africano na mais absoluta miséria.

Gostou do artigo? Faça uma doação!

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Quero saber mais antes de contribuir

 

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.