Histeria identitária

Cuca, mais uma vítima da caça às bruxas identitária

Novo treinador do Corinthians, Cuca é um dos melhores técnicos da atualidade. A campanha contra ele ocorre enquanto se busca impulsionar estrangeiros medíocres no futebol nacional

O Argentino Juniors conseguiu derrubar o técnico Fernando Lázaro do comando do Corinthians. Em partida válida pela Libertadores na quarta-feira (19), o Timão perdeu por 1 × 0 contra o clube argentino. A principal torcida organizada corintiana, Gaviões da Fiel, publicou nota afirmando que Lázaro usou o Corinthians como “estágio”. 

Fato é que o time treinado por Fernando Lázaro não tinha criatividade e, por isso, não ameaçava os adversários. Sua demissão é, portanto, justa.

Nesta quinta-feira (20), o Timão anunciou Cuca, um dos melhores treinadores do Brasil, para comandar o Corinthians. Logo a informação saiu na imprensa que Cuca voltou a ser vítima da campanha de caça às bruxas, histérica e identitária, da qual sofre há, pelo menos, três anos, na Internet e na imprensa.

‘Corinthians precisa explicar por que passou por cima de condenação para contratar Cuca” diz manchete da CBN. “Em 1989, o então jogador do Grêmio foi condenado a 15 meses de prisão após ser acusado de manter relação sexual com uma garota de 13 anos em Berna, na Suíça”, afirma a reportagem.

Por causa de um suposto crime cometido há mais de 30 anos, Cuca, segundo os identitários, deveria ser totalmente cancelado, excluído de qualquer coisa envolvendo futebol. Deveria ser impedido de assumir qualquer cargo, de ter um emprego, enfim, de viver…

Este tipo de política, disfarçada pelo identitarismo como “defesa da mulher”, nada tem a ver com a esquerda. Trata-se de uma política repressiva, tipicamente direitista e bolsonarista. Tradicionalmente, sair por aí gritando e pedindo a prisão das pessoas é uma política da direita e se assemelha ao bordão “bandido bom é bandido morto”, ecoado pela extrema-direita. No caso, não exigem a morte física do treinador, mas sua “morte” social.

A esquerda não deve repetir essa política. Isso ocorre devido à infiltração do identitarismo, política impulsionada pelo imperialismo norte-americano, na esquerda nacional. Isso é totalmente errado. Mesmo tendo sido condenado, Cuca tem o total direito de seguir trabalhando, sem ser “cancelado”, isto é, excluída da vida pública; ainda mais se o suposto crime ocorreu há mais de 30 anos.

Ainda, é importante notar que o caso só tenha vindo à nota recentemente, por volta de 2020, quando Cuca pegou um time mediano do Santos e o levou à final da Libertadores. No ano seguinte, Cuca foi treinador do Atlético Mineiro e conquistou o Campeonato Brasileiro para o clube de Minas Gerais após 50 anos de seca. E ainda foi campeão da Copa do Brasil.

Sem dúvidas, Cuca é um dos melhores treinadores brasileiros da atualidade. Coincide que, quando estava em alta, fortaleceu-se a campanha persecutória contra ele, justamente no momento em que se busca, de todas as formas, impulsionar treinadores estrangeiros medíocres no futebol brasileiro.

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