Uma política nazista

Censura de juiz não é luta contra racismo: resposta a Nêggo Tom

A defesa de Ricado Nêggo Tom, colunista do Brasil 247, da censura da população é uma política que irá se voltar contra toda a população e, particularmente, contra os negros

O colunista Ricardo Nêggo Tom escreveu para página do Brasil 247, a coluna Que merda é essa, Porchat?, onde ele expressa a opinião dele a respeito do caso Léo Lins e, mais particularmente, da defesa que Fábio Porchat fez de seu colega comediante e de sua denúncia contra a censura sofrida por ele.

Na coluna de Nêggo Tom, ele afirma que a defesa de Porchat teria sido motivada pelo fato de ele ser branco e de ele estar agindo no sentido de “manter os privilégios da branquitude”, isso seria o comportamento natural de qualquer pessoa branca, mesmo as que se dizem “antirracistas”. Segundo ele:

“[…] os brancos, e, até mesmo os antirracistas, acabam sempre convergindo em algum ponto sensível às outras etnias. Afinal, a lógica racista sob a qual eles foram educados, com raras exceções, tem em sua essência a ideia de que eles são os normais, o padrão universal”.

“[…]isso se dá, naturalmente, através de um pacto de cumplicidade que, quando não está excluindo pretos de forma direta, está relativizando suas questões, invisibilizando a sua representatividade e questionando as suas reivindicações. Tudo para manter o sacrossanto privilégio da branquitude. Mesmo que este se apresente de forma profana indecente e criminosa”.

Para Nêggo Tom, Porchat, ao denunciar a censura promovida pelo judiciário brasileiro, não está defendendo a liberdade de expressão dos comediantes ou da população, mas está simplesmente procurando “invisibilizar a representatividade” dos negros e “questionando suas reivindicações”, para manter o “sacrossanto privilégio da branquitude”.

Essa colocação é absurda. A defesa de que os comediantes digam o que bem entendem em suas apresentações não vai “invisibilizar” a “representatividade” de ninguém, muito pelo contrário. O direito à liberdade de expressão deve ser universal, e sua defesa é benéfica para os setores explorados. Além disso, a censura não é uma reivindicação verdadeira da luta do negro ou de nenhum outro setor oprimido. Pedir a censura é algo que irá prejudicar principalmente os oprimidos, que são os que mais sentem a mão pesada da repressão no Estado burguês.

Nêggo Tom expressa de forma clara sua posição neste trecho:

“O humorista Fábio Porchat […] classificou como “uma vergonha” e “inaceitável”, a decisão do Ministério Público de São Paulo, que também proibiu cautelarmente o humorista de voltar a manifestar o seu humor ácido […]. Algo que deveria estar sendo celebrado pela sociedade como uma conquista civilizatória. Mas, Fábio Porchat não gostou”.

Para ele, a censura e a proibição prévia de Léo Lins de fazer suas piadas seria uma conquista civilizatória e não uma violência repressiva dura contra toda a população. No fim das contas, a política defendida por Nêggo Tom é literalmente a mesma política dos nazistas. Quaisquer pessoas que não acreditem inteiramente no que ele acredita merecem ir para a cadeia. Da mesma forma, na Alemanha nazista, se você passasse por um oficial da SS e não dissesse Heil Hitler, você corria o risco de ir preso. 

Trata-se de uma política reacionária, direitista e truculenta, que visa impôr às pessoas uma determinada ideologia, por meio da ameaça da repressão e da força bruta. Trata-se, primeiramente, de uma política totalmente não funcional – a repressão não fará ninguém concordar com você, mas irá gerar revolta em toda população, levando ao efeito exatamente contrário. Além disso, é uma política que irá favorecer os detentores do poder político que, ao contrário do que pode crer Nêggo Tom, não são os negros e nem mesmo é a esquerda, mas sim a burguesia e os juízes fascistas que para eles trabalham. 

Ademais, é totalmente absurda a ideia de que a censura contra qualquer pessoa representa alguma luta contra o racismo. Trata-se de um veto de um juiz contra um cidadão, algo reacionário e que não irá ajudar no desenvolvimento da luta dos negros, que deve se dar contra o Estado capitalista e a burguesia e não junto com eles. É, além de tudo, uma covardia se esconder atrás das saias dos juízes para levar adiante a sua “luta” contra seus inimigos políticos. Nesse caso, a única luta que está ocorrendo é a do poder Judiciário para ter mais poder contra a população.  

Com a política de censura cada vez mais acentuada no Brasil, a política identitária vai se revelando com cada vez mais clareza aos olhos da população, trata-se de uma política de defesa, não dos oprimidos, mas do poder da burguesia e do imperialismo de poder impedir sua expressão. Nêggo Tom, de forma consciente ou não, age, portanto, como um avalista da ofensiva repressiva da burguesia contra o povo. Sob o pretexto de estar defendendo os negros, ele defende uma política que irá, no fim das contas, levar a uma maior repressão na sociedade, o que irá, no fim das contas, recair com maior intensidade sobre os negros, os maiores prejudicados pela política nazista de perseguição e prisão da população.

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