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Valéria Guerra

Historiadora, artista (atriz) sob DRT 046699-RJ. Jornalismo UMESP-SP, término neste ano corrente. Bióloga e professora da Rede Estadual do Rio de Janeiro. Colaboradora textual do Site Brasil 247 há 4 anos. Escritora com livros publicados e textos para inúmeras Antologias, inclusive concursos de textos teatrais. Mestrando em psicologia da Educação. Escreveu o livro “Eu preciso de um Hulk” que se transformou em peça homônima

Povo e nação

Brasil, fratura exposta pelo bolsonarismo

O sistema é repressor contra os resistentes, e em se tratando de políticas partidárias, à esquerda ou à direita: "O homem é lobo do homem"

Guerra e política se constituem em termos (quase sinônimos) já que, na prática: ambas espoliam e pilham.

O país tem veias abertas, porém a maioria da população desconhece este fato. Na verdade, os três poderes parecem “três Olimpos”.

A tal imunidade parlamentar tem limites; legislar, julgar e executar é ofício do sistema tripartite da moderna democracia, mas não vemos tanta evolução de direitos humanos na direção do povo.

A nossa História começa com a espoliação indígena, e por mais que os livros didáticos de MORAL e CÍVICA tenham historiografado de outra forma o fato; a pesquisa comprometida com a História nos revela a realidade. O trecho abaixo expõe claramente suas feridas e fraturas…

“Foi no início do período republicano que o sertão fez sua aparição dramática no cenário da vida brasileira”. Cruz Costa assinala o choque produzido por Os Sertões, de Euclides da Cunha, junto aos círculos intelectuais europeizados das cidades brasileiras.

Com Euclides da Cunha iniciava-se a reação contra o “sibaritismo intelectual” daqueles círculos. No dizer de Euclides, à medida que as elites brasileiras procuravam tomar uma civilização de empréstimo, fugiam às “exigências da nossa própria nacionalidade”. Mais fundo se tornava “o contraste entre o nosso modo de viver e o daqueles rudes patrícios mais estrangeiros nesta terra do que os imigrantes da Europa”. Era o resgate dos sertões e do sertanejo que se impunha como tarefa de construção da nação. Uma construção dos escombros de uma sociedade, como um todo, e que se refaz a cada geração, em uma eterna discrepância sem final feliz.

As entranhas malsãs do poder público nunca ficaram tão evidentes no palco do bolsonarismo. Bolsonarismo este, que de forma irreverente e hostil, não se travestiu totalmente com a “velha máscara” da hipocrisia, que normalmente planeja a derrota do povo nas sombras dos gabinetes. O referido “ismo”, na maioria das vezes, se deu, na frente das câmeras, com sua retórica desvairada, que incluiu falas e atitudes nada políticas.

O extremismo de direita revelou aos brasileiros a enfermidade da elite e da burguesia: o liberalismo em alta.

A doença crônica ficou retida nas bolhas midiáticas de cativeiro, e nos salões de festas cheirando à monarquia.

O sistema de vigiar e punir a lá bolsonarismo se tornou a espuma evidente na superfície do imperialismo bolsonárico. O militarismo e a exaltação à tortura não ficaram submersos nas fossas profundas do mar ideológico.

O trabalhador brasileiro continua incólume em termos de progresso social: professores oprimidos, vendedores ambulantes surrados e uma população de rua cada vez mais opulenta crescendo na placa de Petri do capitalismo.

A frase abaixo deixa claro que a arma da retórica corrói a alma do incauto:

“Se eu disser que sou de esquerda, as pessoas não vão acreditar. Embora seja verdade. É verdade!”.

A frase de Fernando Henrique Cardoso funciona como o chantili do bolo do anacronismo político, que logra os incautos com o verniz da Sorbonne.

Na frase seguinte, a fratura fica completamente exposta: “- Cara, se não quer comprar fuzil, não enche o saco de quem quer comprar”.
Quando: agosto de 2021
Contexto: Em conversa com apoiadores no famoso cercadinho do Palácio da Alvorada, o presidente defendeu o direito da população de se armar. Na mesma ocasião, Bolsonaro afirmou que “tem que todo mundo comprar fuzil, pô. O povo armado jamais será escravizado.”

O sistema é repressor contra os resistentes, e em se tratando de políticas partidárias, à esquerda ou à direita: “O homem é lobo do homem”.

* A opinião dos colunistas não reflete, necessariamente, a opinião deste Diário

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