HISTÓRIA DA PALESTINA

Betar, a milícia fascista que elegeu 3 premiês israelenses

O partido de Benjamin Netanyahu, o Likud, tem em sua origem um grupo paramilitar fascista puro sangue, o Betar, fundado por Vladimir "Hitler" Jabotinsky

A imprensa imperialista busca, em todas as oportunidades, pintar o Estado de “Israel” como sendo uma democracia, aliás a única democracia do Oriente Médio. Mesmo tendo um primeiro-ministro como Benjamin Netanyahu, e um partido como o Likud no poder, “Israel” ainda assim continua sendo propagandeada como uma democracia.

Conforme dito por Rui Costa Pimenta, presidente do Partido da Causa Operária (PCO), em sua tradicional Análise Política da Semana, no último sábado (18), “Benjamin Netanyahu está no poder há muito tempo e a maior parte do pessoal político israelense é do Likud, a continuação em forma de partido político de uma organização fascista da década de 30″, disse o dirigente, acrescentando: “Fascista no sentido absolutamente literal da palavra. Era um pessoal que andava de camisa marrom, fazendo saudação romana, e que tinha como palavra de ordem Alemanha para Hitler, Itália para Mussolini e a Palestina para os sionistas. Este é o Likud”.

Essa organização da qual se originou o Likud, atual partido de Netanyahu, chama-se Betar, organização esta fundada no ano de 1923.

Naquela época já existia o movimento sionista. Dada a crise por qual passava o imperialismo no século XX, e o consequente acirramento da luta de classes, foi-se gestando o que se pode chamar de um sionismo de extrema-direita ou sionismo revisionista (apesar de o sionismo em si já ser um movimento de extrema-direita). A figura chave desse sionismo de extrema-direita foi um judeu nascido na Rússia chamado Vladimir (Ze’ev) Jabotinsky.

Insatisfeito com a linha política do movimento sionista e de sua liderança (Chaim Weizmann), Jabotinsky decidiu formar um novo partido para agrupar os compartilhavam de sua concepção do sionismo, qual seja, a Aliança dos Sionistas Revisionistas (Hatzohar). O Betar era sua ala paramilitar, organização caracterizada por seu caráter militarista, exaltação da violência, oposição virulenta ao socialista e culto à personalidade ao seu líder Jabotinsky. Em suma, todas as características de uma organização tipicamente fascista.

No que ele diferenciava do sionismo tradicional (ao menos à época) era que Jabotinsky defendia que os judeus ocupantes da Palestina deveriam ter uma abordagem mais extrema em violenta tanto em relação aos britânicos do Mandato quanto em relação à população árabe local. Ele também advogava que o “Estado Judeu” deveria se estender do Mar Mediterrâneo à Península Arábica e ao Rio Eufrates, no Iraque, abarcando as duas margens do Rio Jordão.

O sionismo extremo de Jabotinsky era inclusive alvo de críticas por parte dos sionistas “moderados” ou “de esquerda” (as palavras estão entre aspas, pois o sionismo é, em si, um movimento de extrema-direita).

O já mencionado Chaim Weizmann, presidente da Organização Sionista Mundial (fundada por Theodor Herzl), comparava o movimento liderado por Jabotinsky ao fascismo Italiano.

No mesmo sentido, segundo o sítio Anu Museum, Ben Gurion, o fundador do Estado de “Israel”, chamava-o de “Vladimir Hitler” e inclusive chegou a escrever em um polêmico panfleto um capítulo intitulado “Jabotinsky seguindo os passos de Hitler”. Vale sempre lembrar que “Israel” foi fundado sobre a limpeza étnica da Palestina. E, por limpeza étnica, diz-se a expulsão de quase 1 milhão de palestinos de suas terras, o que só foi possível através da mais abjeta violência de milícias fascistas do sionismo, apoiadas pelo imperialismo. Tais milícias, quando não recebiam ordens expressas de Ben Gurion, tinham suas ações validadas por ele após o fato. E o fundador de Israel compara Jabotinsky a Hitler.

Justamente por seu caráter extremo, que estava em consonância com o acirramento da luta de classes do final da década de XX do século passado, o Betar acabou se tornando um dos ramos do sionismo mais populares da Europa, de forma que na década de 20 teve cerca de 60 mil membros. Apesar de ter sido fundando na Latvia, sua principal base de massas foi a Polônia, o país com a maior população judia no início do século XX – cerca de 3,3 milhões de judeus.

Para lá Jabotinsky se mudou no final da década de 20, transformando o Betar e seu sionismo extremo em um movimento fascista de massas, o qual acabou se espraiando por comunidades judias de vários outros países da Europa.

Conforme informa o sítio Al Mayadeen, jornal da esquerda libanesa islâmica, Jabotinsky aproveitou-se do antissemitismo galopante que havia na Polônia ao final dos anos 30 para enviar o maior número de judeus (especialmente sionistas) para a Palestina, com o propósito de criar o “Israel”.

“Na Polónia, prevalecia um ambiente de anti-semitismo no final da década de 1930. Havia um sentimento entre os polacos de que os judeus estavam naturalmente predispostos ao comunismo e estavam sobrerepresentados em setores-chave da economia. Os judeus eram alvo de boicote econômico e foram aprovadas legislações antijudaicas. Esses desenvolvimentos foram vantajosos para a causa de Jabotinsky”.

A fim de se livrar dos judeus, a quem considerava indesejáveis, o Estado polonês chegou inclusive a forneceu ajuda diplomática militar ao Betar, milícia fascista de Jabotinsky, o qual aproveita a oportunidade para apresentar um plano que incluía a transferência de 1,5 milhões de judeus poloneses para a Palestina durante 10 anos:

“A Polônia estendeu ajuda diplomática e militar a Betar, prestando apoio público às posições Revisionistas na Liga das Nações e fornecendo treino militar e armas à milícia armada dos Revisionistas na Palestina, a ‘Irgun Tsvai Leumi’. Jabotinsky, por sua vez, apresentou ao governo polaco um plano para enviar 1,5 milhões de judeus para a Palestina durante um período de 10 anos. As autoridades polacas responderam calorosamente a isso, considerando-o como uma solução prática para reduzir significativamente a população judaica da Polônia. O esquema de Jabotinsky foi endossado por altos políticos polacos, incluindo o ministro dos Negócios Estrangeiros, o embaixador polaco na Grã-Bretanha e o cônsul-geral da Polônia na ocupada Al-Quds”.

Assim, muitos sionistas adeptos do sionismo de Jabotinsky acabaram por imigrar para a Palestina e atuar no processo que resultou na fundação de “Israel”. Deve-se dar destaque para um deles, Avraham Stern, o qual era tanto um membro do Betar, como também do Irgun, uma das miliciais fascistas do sionismo que atuavam na Palestina (junto da Hagana). Foi durante a Segunda Guerra Mundial que Stern rompeu com o Irgun, para formar sua própria milícia, a Lehi, que ficou pejorativamente conhecida como a Gangue Stern. A três conformaram os principais grupos paramilitares fascistas que se encarregaram da Nakba, nos anos de 47-48.

Como ocorreu tradicionalmente com a consolidação de regimes fascistas, as milícias e elementos mais extremos que foram fundamentais para a fundação do Estado fascista sionista são absorvidos pelo aparato estatal (nos casos em que não são eliminados). Nisto, conforme expõe o Al Mayadeen, o Estado de “Israel” incorporou “os membros do Lehi e do Irgun, juntamente com todos os sionistas revisionistas”, os quais foram “foram forçados a depor as armas e a juntar-se às forças de ocupação israelitas, juntamente com a Haganah do sionismo dominante sob Ben-Gurion e Weizmann”.

Os membros dessas miliciais fascistas, uma vez absorvidos pelo Estado, “formaram um partido político, Hirut, defendendo sua ideologia de extrema-direita e expansionista. Permaneceram na oposição durante 29 anos, até 1977, quando venceram as eleições gerais sob a coligação “Likud” e tomaram o poder”.

Os dois primeiros-ministros eleitos pelo Likud foram, respectivamente, Menachem Begin e Ytzhak Shamir, dois “betaristas”, ou seja, dois seguidores de Vladimir “Hitler” Jabotinsky. E agora, pela terceira vez, Benjamin Netanyahu, outro discípulo de Jabotinsky, ocupa o cargo de premier sionista, tendo inclusive feito um panegírico perante seu ídolo em 2015, conforme informação levanta pelo Al Mayadeen.

Assim, três primeiros-ministros da história de “Israel” são herdeiros diretos de um grupo fascista puro-sangue, o Betar. Combinados, eles ficaram no poder por quase 32 anos.

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