Líbia e Obama

Líbia: demagogia de Obama não esconde o genocídio que ele causou

Cinismo do terrorista e ex-presidente norte-americano revela caráter desumano da política imperialista

Nos últimos dias, enchentes devastaram a Líbia e deixaram milhares de mortos, além dos 10 mil desaparecidos. A tragédia, apesar de natural, tem dedo humano, pois todo o caos na Líbia começou graças ao imperialismo, quando, a fim de assegurar sua dominação, bombardeou o país e provocou a morte de Gaddafi. De forma cínica, no entanto, o ex-presidente Obama abriu uma vaquinha para arrecadar doações para a Líbia, o mesmo país que ele ordenou que fosse bombardeado.

Dentre as diversas cidades que tiveram mortos e desaparecidos, Derna, no nordeste da Líbia, foi gravemente afetada, tendo duas barragens destruídas e quatro pontes. Como resultado, mais de mil civis perderam suas vidas. As tempestades e enchentes, no entanto, apesar de serem acidentes naturais, escancararam para críticas até da ONU, braço imperialista, pela falta de sistemas de alerta, políticas de gestão de emergência e infraestrutura. O que as críticas omitem, no entanto, é que a Líbia enfrenta um caos político e social desde 2011, após a invasão da OTAN que resultou na morte de Muammar Gaddafi, ex-presidente libanês.

Atualmente, o país está dividido entre um governo pró-imperialista em Trípoli, grupos ligados ao Gaddafi e forças jihadistas, apoiadas pelo Estado Islâmico, o que tem dificultado sistematicamente a mobilidade dentro do próprio território, dificultando, também, que existam equipes de resgate treinadas e aptas a ajudar na situação atual. Petteri Taalas, chefe da Organização Meteorológica Mundial da ONU (OMM), destacou que alertas e evacuações poderiam ter evitado a maioria das vítimas, mas recusa-se a criticar o principal responsável para que a Líbia não tenha estrutura nem sequer de prever que as tragédias aconteceriam: o imperialismo e sua guerra contra o povo líbio.

É preciso deixar claro, uma vez mais, que o caos enfrentado pelo país desde 2011 se dá desde que o imperialismo levou à morte o ex-presidente Muammar Gaddafi, fazendo com que eclodissem conflitos entre forças pró-imperialistas, pró-Gaddafi e o Estado Islâmico. Além de todas as vítimas ao longo da última década, os 5 mil mortos, 10 mil desaparecidos e 30 mil desalojados são culpa, sobretudo, do imperialismo norte-americano.

Sobre a catástrofe na Líbia, no entanto, a piada de mal gosto que aconteceu na última sexta-feira (15) foi a postagem do terrorista e ex-presidente Barack Obama, que, de forma cínica, listava formas de doar para ajudar o povo líbio através de seu instituto “The Obama Foundation”. Na postagem, ele falava para quem “deseja ajudar as pessoas afetadas pelas enchentes na Líbia”, listando diversas ONGs, entidades e afins.

Obama esse que, apenas no último ano do seu mandato, ordenou que 12.191 bombas fossem lançadas na Síria, 12.095 no Iraque, 1.337 no Afeganistão, 496 na Líbia, 34 no Iêmen, 12 na Somália e, para demonstrar sua pacificidade, apenas três no Paquistão. Totalizando, foram em torno de 27 mil bombas distribuídas em 7 países. É válido destacar que, anos antes, foi o mesmo Obama que ganhou o prêmio Nobel da Paz.

Obama, no entanto, admitiu que seu “pior erro” foi não dar suporte à Líbia após a morte de Muammar Gaddafi, reconhecendo que a intervenção dos EUA em 2011 resultou no caos, com milícias tomando o controle e a ascenção do Estado Islâmico na Líbia. No mais, tudo que ele “se arrependeu”, segundo suas próprias palavras, foi por não ter planejado o período pós-intervenção na Líbia. Desde que Obama liderou a incursão contra o povo líbio, que resultou na morte de Gaddafi, a Líbia passou a ser conhecida por ter um mercado de escravos, onde negros líbios eram leiloados por valores baixos. 

Outro fator curioso, conforme revelou este Diário em sua cobertura, é a participação de Ali Bongo, ex-presidente do Gabão derrubado há poucas semanas. Bongo, mencionado como “o homem do Obama na África”, recebeu um assento temporário no Conselho de Segurança da ONU em 2010, onde apoiou resoluções que impuseram sanções econômicas à Líbia e estabeleceram uma zona de exclusão aérea, fazendo com que fosse o primeiro líder africano a pedir a derrubada de Gaddafi, influenciando outros líderes africanos a fazerem o mesmo. No mais, ele possuia contato direto com outros líderes africanos e foi utilizado pelo imperialismo para convencer Gaddafi a renunciar, reiterando o papel estratégico do Gabão na influência sobre os demais líderes.

Por fim, enquanto o Obama, no auge de seu conforto, caçoa do povo líbio fingindo solidariedade, o povo real continua a sofrer as consequências de uma intervenção criminosa e do caos resultante, um lembrete de que o imperialismo e suas ações têm um custo humano significativo.

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