Movimento de solidariedade

Ampliar os atos em defesa da Palestina no Brasil!

Manifestações têm todo um potencial que ainda não foi explorado

No dia 29 de novembro, mais de 30 cidades organizaram manifestações em apoio ao povo palestino. Em São Paulo, onde o movimento se desenvolve com maior amplitude, organizações de esquerda, árabes e a população em geral compareceu pela sétima vez para demonstrar sua solidariedade. No dia 3 de dezembro, pouco depois, a capital paulista voltou a ser palco de mais uma manifestação, a primeira desde a retomada dos bombardeios por Israel após o acordo de trégua.

As manifestações têm revelado a tenacidade do movimento, que tem sido capaz de organizar atos públicos praticamente toda semana. Os atos estão sendo marcados por uma unidade das organizações presentes, que vem defendendo o fim do genocídio sionista como questão central, independentemente das diferenças entre cada entidade presente. Na manifestação do dia 3 de dezembro, por exemplo, falaram no carro de som tanto militantes do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU), como do Partido da Causa Operária (PCO), do Partido dos Trabalhadores (PT) e da comunidade árabe em São Paulo.

Por outro lado, há ainda todo um potencial para que a mobilização em apoio ao povo palestino se desenvolva. Esse potencial pode ser visto não só na determinação das pessoas que vêm participando dos atos, como na recepção que a população em geral tem tido à campanha de solidariedade. Os militantes do Partido da Causa Operária e os ativistas dos comitês de luta distribuíram mais de 150 mil panfletos convocando os últimos atos em São Paulo, além de colar 65 mil cartazes e distribuir 50 mil adesivos em dezenas de cidades. Essa campanha de rua, na qual mais de 550 mil materiais já foram impressos, tem possibilitado um contato direto com a população.

É falsa a ideia de que o povo não apoia a Palestina. Isso está demonstrado não só no sucesso da campanha de rua, como até mesmo em pesquisas organizadas pela própria imprensa burguesa. No dia 25 de outubro, pouco tempo após o ataque que intensificou os conflitos entre israelenses e palestinos, uma pesquisa da Genial/Quaest afirmou que 57% dos brasileiros consideravam o Hamas uma organização terrorista. O que a pesquisa revela, portanto, é que, mesmo com toda a propaganda de guerra contra a resistência palestina, praticamente metade da população não considera o Hamas “terrorista”. Se a pesquisa fosse feita hoje, quando muitas das mentiras dos órgãos de inteligência de Israel já vieram à tona, o apoio ao Hamas seria muito maior.

Se a maioria da população brasileira considera a luta do Hamas justa – a ponto de não merecer ser chamado de “terrorista” -, a quantidade de pessoas que tem algum grau de simpatia pela causa palestina é, necessariamente, muito superior.

Uma pesquisa mais recente, publicada nos Estados Unidos, também indica que há cada vez menos gente acreditando nas mentiras propagadas pelo sionismo. Uma pesquisa feita por Harvard-Harris mostrou que 48% dos jovens com idade entre 18 e 24 anos apoiavam o Hamas. As grandes manifestações registradas não apenas nos Estados Unidos, mas também em países como a Inglaterra e a Alemanha, também indicam que o movimento brasileiro ainda não explorou todo o seu potencial.

Um dos problemas para que as manifestações cresçam está na participação muito tímida de setores da esquerda. A Central Única dos Trabalhadores (CUT), uma das maiores organizações operárias do mundo, tem participado dos atos, mas com uma presença muito simbólica. É preciso ir aos locais de trabalho, fazer assembleias e mobilizar os seus sindicatos. O trabalhador que reage bem às panfletagens é o mesmo que trabalha nas fábricas onde há sindicalistas cutistas: basta, portanto, que haja um chamado, que haja uma mobilização para que participem.

Os partidos de esquerda com representação parlamentar estão, todos eles, completamente paralisados diante do genocídio sionista. O Partido dos Trabalhadores (PT), hoje não apenas o maior partido de esquerda do País, como também o partido do presidente da República, até hoje não convocou os atos em defesa do povo palestino. À exceção de algumas figuras públicas, como o jornalista Breno Altman, e de poucos militantes de base, o PT não tem comparecido os atos. A mesma política vem sendo seguida pelo PSOL e pelo PCdoB.

A falta de envolvimento dessas organizações nas manifestações reflete a forte pressão do sionismo no Brasil. O petista Breno Altman já foi censurado duas vezes pelo Poder Judiciário por solicitação da Confederação Israelita do Brasil (Conib). A mesma Conib, por sua vez, apareceu recentemente em uma “visita” à Polícia Federal, mostrando a influência que o lobby sionista tem sobre as instituições brasileiras. A mesma Polícia Federal ainda agiu sob orientação do Mossad, o serviço de inteligência israelense, para prender três brasileiros sob a acusação ridícula de planejarem “atentados terroristas” em conjunto com o partido libanês Hesbolá. Por fim, é preciso destacar que os deputados e figuras públicas bolsonaristas estão envolvidos até a medula com a defesa do Estado de Israel, atuando também como agentes da repressão contra o movimento. Em duas ocasiões, figuras do bolsonarismo protocolaram queixas-crime contra militantes do Partido da Causa Operária.

Há um clima cada vez mais repressivo no Brasil, que é, por sua vez, resultado justamente da tendência à mobilização em torno da causa palestina. Quanto mais cresce a indignação pelo que acontece em Gaza, quanto mais aparecem as denúncias dos crimes de Israel, maior a repressão.

Não há outra saída: é preciso enfrentar as provocações sionistas-bolsonaristas. Se o movimento sair derrotado, a extrema-direita dará um passo significativo para estabelecer uma ditadura no Brasil. Se, por outro lado, for derrotado, a esquerda dará um importante passo na luta dos oprimidos de todo o mundo.

Ao mesmo tempo em que é preciso aumentar a participação das entidades nas manifestações, é preciso, para que a mobilização cresça, aumentar também o calendário de mobilização. Enquanto houver bombardeios sobre a Faixa de Gaza, é preciso que haja manifestações toda semana. É preciso que as organizações que estão, neste momento, dedicadas a apoiar o povo palestino se reúnam e publiquem um calendário de atividades para as próximas semanas, que incluam desde atividades pequenas e rotineiras, como grandes manifestações.

Os grandes atos, por fim, precisam ser convocados amplamente, com antecedência. É preciso convocá-los com panfletos, cartazes, campanhas publicitárias, indo às ocupações, bairros operários, universidades, terminais de ônibus e escolas. É hora de fazer o movimento em defesa do povo palestino subir de patamar.

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