Organizadas, sim!

Abaixo a repressão às torcidas, por um futebol sem polícia!

As torcidas organizadas, perseguidas desde sua origem nos anos 70, são elementos de cultura e socialização.

A justiça estadual do Rio de Janeiro, em mais uma decisão arbitrária, decretou a prisão de sete lideres de torcidas organizadas dos times Flamengo, Vasco e Fluminense.

O motivo da decretação da prisão foram as brigas ocorridas antes do jogo do último dia 5 de março entre os times do Rubro Negro e Cruz-Maltino. A promotoria não viu motivo para a prisão dos líderes das torcidas diante da fraqueza das provas apresentadas.

Torcedores das duas equipes entraram em confronto na Avenida Herculano de Freitas, no bairro São Cristóvão, arredores do Maracanã.

Durante a briga, oito pessoas ficaram feridas, todas deram entrada no hospital Souza Aguiar, uma não resistiu aos ferimentos e faleceu, três  permanecem internados, dois em estado grave e um estável.

Em mais uma briga de torcidas, de tantas já ocorridas, a solução apresentada pelo Estado é, como de costume, mais repressão.

Em vez de agir contra as torcidas organizadas, o governo deveria chamá-las para o diálogo e que juntos encontrassem as soluções para a questão das brigas. Porém, o juiz sequer considerou a opinião da promotoria de justiça, que não viu elementos de prova para decretação da prisão preventiva por 30 dias dos dirigentes das torcidas organizadas.

Essa decisão se baseia na famosa teoria do ‘Domínio do Fato’, amplamente usada no Brasil, de maneira distorcida, desde que o ministro negro do STF, Joaquim Barbosa, mostrou o caminho das pedras para que uma teoria não existente na jurisdição brasileira fosse importada de outro país para perseguir o PT e quem mais o apoiasse. Destacamos o fato de Joaquim Barbosa ser negro apenas para rebater o identitarismo, que vem insistindo que é preciso que o presidente Lula aponte uma mulher negra para a próxima vaga do Supremo. A cor da pele, muito menos o gênero, não podem ser critérios de excelência.

Conforme a teoria do Domínio do Fato, os diretores são culpados, pois, supostamente, deveriam saber o que seus afiliados fazem nos estádios e em suas vidas privadas, como se fossem babas de seus sócios. O Domínio do Fato, em sua origem, deveria ser utilizado apenas na área cível, não criminal; acrescentando o absurdo de que uma pessoa estará pagando pelos supostos crimes de outros.

E nem se sabe se as pessoas que iniciaram as agressões eram realmente pertencentes as torcidas organizadas, avulsos ou contratados pelos próprios órgãos de repressão para incriminar as torcidas, algo que já vimos acontecer em junho de 2013 contra o movimento que reivindicava a diminuição do preço das passagens de ônibus em São Paulo.

O que os fatos tem demonstrado é que a simples política de repressão não impede que essas brigas aconteçam, mas tem o efeito de afastar o povo trabalhador dos estádios. Bem como os ingressos caros, censura identitária e política nos estádios, proibição de venda de bebidas, jogos de torcida única, péssimo atendimento ao torcedor, do momento que sai de casa até quando volta, etc.

A violência nos estádios, na realidade, é a mesma que se vê nas favelas e nas periferias, e essa é apenas reflexo da violência cotidiana que vive o povo brasileiro.

Sem combater a raiz do problema, nenhuma medida repressiva terá condição de acabar com a violência, no máximo ela mudará de lugar, pois o que causa a violência é a falta de condições de vida para o povo.

As torcidas organizadas, perseguidas desde sua origem, nos anos 70, são elementos de cultura e socialização, onde o povo, apesar de todas as suas carências sociais e políticas, encontra meios para constituir núcleos de luta dos trabalhadores.

As organizadas já estiveram por diversas vezes nas ruas na luta contra o golpe e contra o fascismo. É essa politização que o Estado teme e por isso persegue e quer acabar com essas torcidas.

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