Para se livrar da direita

A simples “esperteza” política não ganha jogo

Manobras parlamentares não são suficientes para resolver os problemas do governo Lula

Para o portal Brasil 247, Fernando Horta escreveu uma coluna chamada “O teste do tempo” em que ele tenta apresentar alguns conselhos para o governo Lula.

Segundo Horta, “Uma série de pequenos erros em sequência, vem tolindo a capacidade do governo de ter a mobilidade essencial para poder governar. As crises que estão avultando no governo não têm causa no ministro X ou no parlamentar Y, mas num conjunto de avaliações equivocadas, tomadas cada uma sem uma visão de conjunto apropriada e que vão empurrando o governo para uma posição de não retorno.”

Que o governo comete erros, é bem óbvio. Embora a causa fundamental de uma determinada política, em geral, deva ser encontrada nas classes e na relação de forças entre elas, não seria errado dizer que há causas secundárias, como diz ele, no “ministro X ou no parlamentar Y”.

Para Fernando Horta, no entanto, o problema é de esperteza e astúcia política.

O artigo é uma comparação da política com o xadrez, comparação válida, ainda que não seja completa. Se num jogo, basicamente o que importa é a preparação e ação dos jogadores, na política não basta apenas isso.

As críticas que Fernando Horta faz ao governo são, em geral, corretas. Quando ele afirma que Lula precisa se apoiar nas organizaçõs populares que o elegeram, Horta está correto. Da mesma maneira, ele está correto quando diz que a tal “frente ampla” “colaborou”, se muito, com 2,47% dos votos de Lula. “O cirismo, tebetismo, o apoio global, o voto pelo “fortalecimento das instituições” e tudo mais que se queira colocar aí são menores que 3% do total.”, afirma ele.

O equívoco de Horta, no entanto, é não enxergar os problemas concretos da política nacional. E assim, ele não apresenta, também uma solução palpável.

Ao comparar com o xadrez, Horta está defendendo que uma simples manobra política mais bem feita resolveria os problemas. “Num jogo de xadrez, conhecer a sua posição te permite saber se você está jogando para ganhar ou para empatar. Conhecer a posição do adversário, no entanto te permite querer um pouco mais do que a tua posição te permite.” Como dissemos, isso é correto até certo ponto. As manobras políticas, por mais inteligentes que sejam, não resolvem o problema, apesar de serem importantes.

Fernando Horta atribui certa ingenuidade de Lula nessas questões. Mas o principal problema de Lula, por mais que seja legítimo apontar erros nesse sentido, está longe de ser falta de astúcia política.

O problema aqui é justamente que a política de manobras, de acordos, de conciliação, simplesmente não estão dando nenhum resultado. Horta não propõe romper com essa política, mas acredita apenas que seria necessário aprimorá-la, se antecipar ao adversário etc.

Horta crê que ele, como mero colunista de um jornal, é mais esperto que Lula no quesito manobra política. Chega a ser ridículo.

O problema é justamente que o governo – e Lula sabe bem disso – tem pouca margem de manobra. Não há espaço para muita esperteza.

Qual seria a solução então? Horta resvala no problema ao citar que Lula deveria se apoiar nos movimentos populares que o elegeram. Genericamente está certo. Mas isso não é um simples problema de esperteza. Em primeiro lugar, essas organizações estão paradas. Assim, Lula nem tem em quem se apoiar. Precisaríamos, então, de uma política que colocasse essas organizações em movimento.

A relação de forças entre os golpistas sabotadores que estão no governo e as massas deve pender para estas. Sem isso, não basta Lula querer fazer. Fazer manobras é o que o governo já está fazendo, com muito ou nenhum resultado. E nisso concordamos com Horta.

O problema é saber qual será a melhor política para destravar a paralisia das organizações populares. Nesse caso, significa que o governo precisa abandonar a ilusão de que os acordos que estão sendo feitos vão resolver o problema. Não adianta ser mais ou menos esperto, a direita não está disposta a entregar um milímetro sequer.

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