Henrique Áreas de Araujo

Militante do PCO, é membro do Comitê Central do partido. É coordenador do GARI (Grupo por Uma Arte Revolucionária e Independente) e vocalista da banda Revolução Permanente. Formado em Política pela Unicamp, participou do movimento estudantil. É trabalhador demitido político dos Correios e foi diretor da Fentect (Federação Nacional dos Trabalhadores dos Correios)

Coluna

A Santa Inquisição identitária contra Antônio Vieira

PSOL conclui processo da Inquisição e, enfim, consegue condenar o Padre à fogueira

A Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro aprovou, por iniciativa de psolistas, a retirada do busto do Padre António Vieira dos jardins da PUC. Pelo jeito, a maioria direitista da Câmara não exitou em aprovar o projeto, das duas, uma: ou a direita nacional está se tornando uma grande defensora das questões identitárias, ou os vereadores do Rio – quase todos -, incluindo os do PSOL, são uma turba de ignorantes que não sabem quem foi António Vieira, nunca leram nada dele e, convenhamos, nunca leram nada de nada.

Além da flagrante demostração de ignorância e obscurantismo, a medida ainda tem um toque de deselegância. O busto foi um presente da Câmara Municipal de Lisboa, em retribuição ao busto de Machado de Assis presenteado à Universidade Católica Portuguesa em 2008.

Os portugueses, acusados de serem terríveis colonizadores, reconhecem a importância de Machado de Assis, brasileiro, mulato, autodidata, um monumento de toda a literatura em língua portuguesa. E os portugueses, esses colonizadores maldosos, retribuem com o busto de outro monumento de nossa língua, Padre António Vieira. O correto seria chamá-lo luso-brasileiro, mas a verdade é que Antônio Vieira era brasileiro já que nasceu em Lisboa, mas chegou ao Brasil colônia com cerca de seis anos, passando a maior parte de sua vida no Brasil, tendo morrido em Salvador em 1697.

Se não conhecêssemos a esquerda pequeno-burguesa, contaminada pelo identitarismo, poderíamos dizer que é espantoso que um projeto obscurantista como esse tenha vindo de vereadores da esquerda. Nenhuma loucura identitária da esquerda espanta, o nível cultural e político é cada vez menor.

Em tempos normais, veríamos a esquerda defendendo que as obras culturais do nosso povo e da humanidade em geral devem ser preservadas, agora, querem tacar fogo em tudo.

Padre Vieira foi um monumento da literatura em língua portuguesa. Apenas isso já seria mais do que suficiente para que ele fosse estudado, homenageado, idolatrado como tal. Mesmo se ele tivesse sido um defensor da escravidão, como afirmam os ignorantes, isso não mudaria nada. O problema é que, ao contrário do que os ignorantes inventaram, o Padre António Vieira foi contra a escravidão, dentro, logicamente, dos limites de seu tempo.

Mais ainda, por várias posições progressistas em sua época foi perseguido pela Santa Inquisição e esteve muito perto de ser queimado na fogueira.

Quem diria que séculos depois, uma câmara cheia de vereadores insignificantes, fosse concluir o trabalho da Inquisição e promover a queima de António Vieira.

Padre Vieira: o homem que protestou e convenceu Deus

* A opinião dos colunistas não reflete, necessariamente, a opinião deste Diário

Gostou do artigo? Faça uma doação!

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Quero saber mais antes de contribuir

 

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.