Vinícius Rodrigues

Militante do Partido da Causa Operária no Rio de Janeiro e membro da Direção Nacional da Aliança da Juventude Revolucionária (AJR).

Reestatização da Eletrobrás!

A sabotagem imperialista à indústria nuclear do Brasil

Toda nação tem o direito de desenvolver e produzir usinas, armas e qualquer tipo de tecnologia nuclear

Uma dos alvos mais pesados dos ataques do imperialismo ao Irã é a questão do enriquecimento de urânio para a produção de energia nuclear. Até mesmo os cientistas nucleares iranianos foram assassinados de tão violenta que é a campanha para impedir que o país persa adquira essa tecnologia. Contudo no Brasil, um país muito maior que o Irã e com tecnologia mais avançada, essa disputa com o imperialismo não aparece de forma tão intensa. O que existe na verdade é uma ocultação do ataque imperialista à tecnologia nuclear brasileira.

O Brasil é um dos poucos países do planeta que possui usinas nucleares. Há dois reatores no município de Angra dos Reis, no Rio de Janeiro. Com exceção de países europeus há apenas 11 países com reatores nucleares: Argentina, Armênia, Brasil, China, Índia, Irã, Japão, Coreia do Sul, México, Paquistão, África do Sul e a província rebelde de Taiuan. Desses, à exceção da Armênia, apenas os países atrasados mais fortes têm a capacidade de produção de energia nuclear, e o Brasil tem um dos mais antigos programas nucleares além de possuir possivelmente a 2ª maior reserva de urânio no mundo.

No ano de 1956 foi criada a Comissão Nacional de Energia Nuclear e se iniciaram os estudos organizados da engenharia nuclear. Em 1965, foi fundado o Instituto de Engenharia Nuclear. Em 1972, iniciou-se a construção da primeira usina nuclear brasileira, Angra 1, que passou a produzir energia no ano de 1982. A sabotagem se iniciou já na década de 1970. Angra 2 começou a ser construída em 1976, as obras foram paralisadas, voltaram apenas em 1994 e a usina só começou a produzir energia em 2001, 25 anos após o início da construção.

A maior sabotagem de todas aconteceu com a usina Angra 3, que teve sua construção iniciada em 1984 e não foi concluída até hoje. As obras se aceleraram no governo Lula com o PAC mas foram totalmente paralisadas com a Operação Lava Jato. Aqui aparece diretamente o ataque do imperialismo à tecnologia nuclear brasileira. Angra 3 não foi o único alvo mas toda a Eletronuclear, uma subsidiária da Eletrobrás. O seu presidente, o Almirante Othon, foi preso pela Lava Jato e a sua pesquisa de décadas de construção de um submarino nuclear foi totalmente destruída. A pena foi uma das mais desproporcionais: 43 anos de prisão.

O interessante é que agora que a Eletrobrás foi privatizada e que as usinas de Angra não estão mais sobre o controle do Estado nacional, as obras de Angra 3 foram iniciadas novamente, em novembro de 2022. A estimativa é que em 2028, quando as 3 usinas estiverem ativas, apenas o complexo nuclear de Angra produzirá 3% da energia do país. Em comparação, a Usina de Itaipu, maior hidrelétrica do mundo em produção de energia, fornece 8,4% da energia do Brasil. Ou seja, um complexo de usinas nucleares produz 35% do que produz a maior hidrelétrica do planeta.

Com a privatização, a tecnologia nuclear que ainda existe  no Brasil será controlada pelos acionistas da Eletronuclear, que serão em sua grande maioria estrangeiros, como acontece com os acionistas da Petrobrás. A entrega de usinas nucleares para o setor privado já é algo criminoso, mas o que aconteceu desde a Lava Jato é que toda a rede de tecnologia e indústria nuclear ou foi destruída ou passou para a mão dos estrangeiros.

Esse é o motivo da diferença da campanha imperialista contra a tecnologia nuclear iraniana e a brasileira. No Irã há uma luta pelo controle e pelo desenvolvimento dessa tecnologia, enquanto no Brasil, que teria muito mais facilidade de construir usinas e até armas nucleares, ela na prática já esta sob o controle do imperialismo. Da mesma forma que é preciso lutar contra o saque nacional do Petróleo brasileiro é preciso lançar uma luta em defesa da reestatização e desenvolvimento de todo o setor nuclear nacional.

* A opinião dos colunistas não reflete, necessariamente, a opinião deste Diário

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