Internacional Golpista 

A nova política revolucionária do PCB: fora BRICS! 

Para os stalinistas todos os governos que entram em conflito o imperialismo são ditaduras brutais que devem ser derrubadas, e ao que tudo indica, Lula já entrou nessa lista

Os resquícios do stalinismo que sobraram após a queda da URSS se tornam cada vez mais um apêndice do imperialismo. A antiga 3ª Internacional ao que tudo indica se tornou a internacional do golpismo de esquerda. O PCB é a versão brasileira, que faz campanha contra o governo Lula e ainda divulga em seu sítio as campanhas golpistas da Venezuela e do Irã, dois países atacados diretamente pelo imperialismo. O útlimo caso foi a tradução de um artigo do Partido Comunista do Irã (Tudeh) publicado no sítio do PCB: “Irã: crise econômica, ditadura teocrática e o papel da esquerda.”

A análise já começa com a tese máxima do golpismo. A culpa da crise econômica não é das pesadíssimas sanções econômicas que o imperialismo impões ao Irã, a culpa é do próprio governo: “Nas quatro décadas desde a Revolução Iraniana de 1979, contra a ditadura comandada pelo Xá Mohammad Reza Pahlevi, uma monarquia autocrática pró-Ocidente, a principal razão para o declínio da economia do país tem sido o processo de concentração do grande capital improdutivo e seu domínio em muitas esferas econômicas e políticas.” Antes de 2022 o governo do Irã era o mais sancionado do planeta, ele só foi ultrapassado pela Rússia devido a sua guerra contra a OTAN.

É preciso então apresentar uma tese que desconsidere as sanções, que é o que fazem os stalinistas: “Nas últimas três décadas, em particular, o núcleo da estratégia econômica da República Islâmica – sob as ordens diretas do “líder supremo” Khamenei – tem se concentrado principalmente no fortalecimento e na “proteção” do regime [isto é, para escorar e assegurar a sobrevivência do regime]. Isso foi feito tentando impulsionar o crescimento econômico por meio de políticas de “livre mercado”, a fim de colher rapidamente enormes lucros da acumulação de grande capital improdutivo privado e semiprivado”.

O primeiro ponto é que o Tudeh utiliza aspas para falar da proteção do regime. Isto é, eles desconsideram que existe uma real tentativa de defender o país contra as investidas do imperialismo. A realidade é que em todo o texto, não são citadas as palavras EUA, sanções e nem imperialismo. O texto não especifica o que seria esse “livre mercado”, o que é de se estranhar visto que as sanções impõem que as empresas imperialistas não atuem no Irã. O governo por sua vez também se choca com o imperialismo justamente por não aderir à política neoliberal. A crítica portanto não faz sentido nenhum, ela foi inventada pois é necessária alguma justificativa econômica para atacar o governo. 

Então os stalinsitas adentram a clássica política de luta contra a corrupção: “Por um lado, a ditadura teocrática sempre procurou encobrir tal corrupção financeira e essas atividades rentistas com todos os tipos de enganos religiosos. Assim, sempre que tal corrupção é descoberta em meio a rivalidades entre facções e lutas internas do regime, o “líder supremo” geralmente emite uma diretiva para interromper novas exposições ou investigações, sob o pretexto de “não prolongar”, de modo a “proteger” o regime.” Para os brasileiros, que já estão vacinados, isso liga o sinal vermelho. O problema do país seria a corrupção do governo em relação às empresas? Após uma Lava Jato fica claro que “corrupção” não é algo que destrói a economia, já a suposta luta do imperialismo contra essa corrupção é altamente destrutiva. 

O Tudeh então expõe 4 teses absurdas: “1) A incorrigibilidade da atual “economia política” extremamente injusta no Irã, que representa uma contradição irreconciliável com as demandas da classe trabalhadora do país e dos setores populares, ou seja, a maioria do povo, e é contra os interesses nacionais;” A política nacionalista do Irã é contra os interesses nacionais. Seria então o governo que mais luta contra o imperialismo no Oriente Médio na verdade um governo pró-imperialista? O interessante é que é a mesma tese que o PCB apresenta no Brasil. Um governo atacado pelo imperialismo seria na realidade imperialista. 

Outra tese é: “3) O fortalecimento das camadas superiores da burguesia [cujos interesses do capital estão ligados ao regime, numa relação de dependência mútua]. Estes capitalistas não apoiarão o crescimento econômico orientado para o desenvolvimento ou mesmo quaisquer mudanças socioeconômicas fundamentais e substanciais para o benefício do povo e dos interesses nacionais do Irã;” De fato o interesse dos capitalistas não é identico ao dos trabalhadores. Contudo a burguesia iraniana é uma das que mais combate o imperialismo no planeta, nesse sentido ela tem sim um ponto de encontro com os trabalhadores. A classe operária do Irã deve apoiar todas as medidas anti-imperialistas do governo sem abdicar de ter um partido próprio. 

A última tese é emblemática para mostrar o pró imperialismo do Tudeh: “4) A total incapacidade de todos os governos/administrações [do regime], independentemente de qual facção ou pessoa esteja no comando, para resolver as multifacetadas crises socioeconômicas e ambientais em benefício do povo, mesmo supondo que eles estivessem inclinados a fazer isso.” Se o governo é totalmente incapaz a conclusão lógica é que ele tem que cair. E além disso o foco no ambiental, em um país atrasado, é uma demonstração de que a ideologia e a política dos stalinistas do Irã é formada de fora do país, muito provavelmente nos EUA. 

O texto ao concluir apresenta o programa do partido: “Eliminação completa do governo absoluto do “líder supremo”, separação completa da religião do estado (incluindo todas as instituições executivas, legislativas e judiciárias) e de todos os assuntos de planejamento social; Suspensão total dos programas econômicos neoliberais em todos os setores-chave da economia; Defesa da soberania nacional do Irã e oposição a qualquer interferência estrangeira nos assuntos internos do país; Libertação de todos os militantes sindicais, presos políticos e presos de consciência detidos; Liberdade para todos os partidos políticos, organizações e sindicatos.”

As últimas pautas aparentam ser todas muito válidas, o problema maior está nas primeiras duas. Os tais programas neoliberais só existem na cabeça dos stalinistas iranianos, tal qual o Lula neoliberal foi inventado pela esquerda golpista do Brasil. Mas o primeiro ponto é ainda pior. O Tudeh pede abertamente a derrubada do governo, quando este está em confronto aberto com o imperialismo, algo totalmente absurdo. Seria o equivalente à “fora Putin”, ou “fora Maduro” e ao próprio “fora Lula”. É uma política totalmente pró imperialista. O caso do Irã é importante pois expõe a política do PCB no Brasil. O “fora Lula” já existe, os stalinistas apenas são covardes demais para expressá-lo antes de uma grande campanha da direita contra o presidente.

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