Afonso Teixeira

Tradutor, formado em Letras pela USP e doutorado em Linguística com tese em tradução. Tem formação como músico, biólogo e cientista político.

Rebeliões revolucionárias

A nova descolonização da África

. Se fôssemos comparar os países a entidades biológicas, podemos dizer que a França é um parasita. A riqueza do país deve-se, em grande parte, à África

A reunião dos países africanos, em São Petersburgo, que contou com quarenta, dos 54 países da África, foi tratada pelo jornal O Estado de S. Paulo, como “uma cúpula esvaziada”.

O presidente russo Vladímir Putin não organizou a cúpula apenas para falar de grãos de cereais. A verdadeira discussão foi a descolonização da África. Ficou claro pelo discurso de Ibrahim Traoré, presidente de Burquina Faso. Foi uma fala contundente contra o colonialismo francês. Um daqueles discursos que deveriam ser colocados ao lado do discurso de Martin Luther King em Montgomery.

Traoré disse que a África é um continente rico em recursos naturais. Ela tem o solo, a água e o sol. Mas seus chefes de Estado saem pelo mundo mendigando dinheiro para aplacar a fome de seus habitantes. Agradeceu a Rússia pelo envio de grãos, mas ressaltou a interferência do imperialismo na África e a necessidade de o povo lutar pela sua liberdade até à morte.

O enorme apoio popular que A Traoré recebeu poderá fazer dele uma espécie de Hugo Chaves africano.

Enquanto isso, revoltas no Níger e no Mali formam um corredor de revoltas no Sahel que já se propaga pelo Chade e pela República Centro-Africana.

Toda essa revolta ocorre contra a França. Se fôssemos comparar os países a entidades biológicas, podemos dizer que a França é um parasita. A riqueza do país deve-se, em grande parte, à África. Quando qualquer país, ex-colônia da França, tenta uma revolta nacionalista, a França manda um agente para resolver o problema.

Em 1984, Thomas Sankara libertou o país, que deixou de chamar-se Alto Volta (por causa do rio Volta) e passou a chamar-se Burquina Faso (terra dos homens íntegros). Foi assassinado três anos depois numa conspiração que envolveu a França e os Estados Unidos. Os EUA, diga-se de passagem, são especialistas em assassinar presidentes africanos. Qualquer sinal de revolta contra a fome é resolvido dessa maneira.

Hoje, com a revolta no Sahel, países vizinhos já anunciaram que se o presidente deposto do Mali não for restituído ao poder, eles intervirão militarmente para garantir que isso aconteça. Esses países são os mesmos que conspiraram junto aos Estados Unidos e França para o assassinato de Sankara.

Mas essa ameaça pode não se concretizar. Em primeiro lugar porque a França passa, ela própria, por uma revolta interna contra as medidas neoliberais do presidente Macron. Em segundo porque uma medida dessas será vista claramente pelo mundo todo como uma medida neocolonial. Em terceiro lugar porque, agora, os países em revolta, contarão com ajuda russa.

Não sabemos o que virá. Pode ser que a revolta africana seja contida. Mas a semente da revolta já foi plantada e espalha-se rapidamente. Cedo ou tarde, a África encontrará o seu lugar ao sol.

*A opinião deste colunista não reflete, necessariamente, a opinião do Diário Causa Operária

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