A Nova Democracia

A Nova Democracia insiste na fantasia da ‘Rússia imperialista’

Tentando convencer internautas de que a Rússia é um país imperialista, A Nova Democracia prova que é justamente o contrário.

A Nova Democracia

A Nova Democracia publicou um vídeo em seu canal se propondo a responder às questões polêmicas que teriam surgido nos comentários de um vídeo anterior: “Por que a guerra da Ucrânia é uma guerra de agressão imperialista”.

“Como podem afirmar que a guerra contra Ucrânia é uma guerra de agressão se a Rússia não é imperialista?” Na resposta, a apresentadora diz que sim, que na análise de A Nova Democracia é um país imperialista. Pois a Rússia, desde meados do século XX já foi categorizada por Lênin – que morreu em 1924 – como um país imperialista.

A apresentadora começa a elencar aquilo que Lênin teria caracterizado como imperialismo: “que o imperialismo, que é o capitalismo na sua fase monopolista, agonizante, parasitária em decomposição e composto de quatro fatores, sendo: Primeiro, concentração da produção monopolista. Em segundo lugar, o monopólio das matérias-primas necessárias, essenciais para a indústria de base; em terceiro, o capital financeiro, ou as oligarquias financeiras. Em quarto lugar, o monopólio que surge da necessidade da repartição e controle de territórios ao redor do globo”.

Por essa definição acima já se pode concluir que a Rússia não é imperialista. O império russo não é mesma que imperialismo. A Rússia era, e ainda é, um país atrasado. No começo do século XX sofria forte influência e controle da França e Inglaterra, esses, sim, dois países imperialistas e com várias colônias espalhadas pelo mundo.

O segundo ponto, o monopólio das matérias-primas, embora a Rússia detenha, devido a seu grande território, 30% das reservas mundiais de minérios e uma grande quantidade de petróleo e gás natural, a maioria desses produtos deixa o país na forma de commodities, o que evidencia seu atraso. O gás russo, por exemplo, é utilizado para mover a indústria da Alemanha e da Itália, outros dois países imperialistas. Podemos usar como exemplo os países produtores de petróleo, que até ontem eram obrigados a usar esse produto para lastrear o dólar, moeda do principal país imperialista: os Estados Unidos da América.

Zona de influência

A Nova Democracia afirma que a Rússia tem áreas de influência no Oriente Médio. Ocorre que eles são frutos de acordos. A Síria, por exemplo, pediu ajuda dos russos para combater o Estado Islâmico, grupo utilizado pelo imperialismo para tentar derrubar o governo Bashar Al-Assad.

Em seguida, trata das ações militares na Geórgia, na Chechênia e na Ucrânia. Que esse seria um traço do imperialismo, a invasão de países. O único detalhe que foi deixado de lado no vídeo que essas ações são defensivas. Respostas a ações de desestabilização provocada pelo imperialismo, como tentativa de revoluções coloridas, intrusão da OTAN. Nada disso é abordado na resposta.

Imperialismo fragmentado

Contra os argumentos de que a Rússia não pode ser considerada imperialista por exportar capitais, pois até o Brasil faz esse tipo de operação com a Petrobrás, por exemplo. De que ocupação militares de outros territórios são práticas que a Índia e o Paquistão, por exemplo, mantêm. O vídeo mente quando diz que os russos fazem ocupação colonial de outros países; e diz que, somando todas essas partes, poderíamos dizer que a Rússia é um país imperialista. Tanto seria assim, que a Rússia é o único país no mundo que faz frente ao ‘imperialismo ianque’ na questão bélica’.

Sobre a questão bélica, a Rússia não é páreo para a OTAN, embora o país tenha se preparado para uma guerra que sabia inevitável. O país viu o imperialismo expandindo seus pactos militares em direçao ao Leste mesmo com o fim o Pacto de Varsóvia. Os russos sabem, desde sempre, que o imperialismo precisa controlar todos os recursos naturais e mercados mundiais, por isso seria essencial frangmentar a Rússia em diversos países, como fizeram com a antiga Iugoslávia.

Czarismo

Para comprovar sua tese, A Nova Resistência volta a citar Lênin e destaca o seguinte trecho: “Lènin, no século passado, afirmava o seguinte: o império czarista está envolvido, por assim dizer, em uma rede particularmente densa de relações pré-capitalistas”. (grifo nosso).

Bem, segundo Lênin, o imperialismo é a fase superior do capitalismo. Logo, relações pré-capitalistas não podem ser utilizadas para caracterizar o imperialismo.

O vídeo segue citando Lênin: “em geral o imperialismo militar feudal predomina na Rússia”. E ainda “na Rússia, o monopólio do poder militar, do imenso território onde instalações especiais para desapossar os povos indígenas, não russos na China etc., em parte complementa e em parte substitui o monopólio do capital financeiro mais moderno”.

O exemplo acima é outra demonstração de que Lênin não considerava a Rússia um país imperialista nos termos modernos que ele mesmo tratou de forma genial.

O imperialismo de verdade

Os Estados Unidos promovem, impunemente, há seis décadas, a asfixia da economia cubana. Podemos citar inúmeros outros, tais como Venezuela, Iraque, Irã, Afeganistão etc.

O imperialismo promove embargos econômicos por todo o planeta, e isso só é possível porque controla o sistema financeiro e o fluxo de capitais.

Neste exato momento, existem acordos militares sendo formados, e ampliados, na região do Indo-Pacífico como intuito de cercar a China. O imperialismo controla Israel e tem nele a faca no pescoço do Oriente Médio. A ex-ministra das relações exteriores britânicas, Liz Truss, chegou a cogitar que a OTAN, essa máquina de moer, se tornasse uma entidade global.

O imperialismo promove golpes de Estado em todos os continentes, destrói países inteiros para se apossar de seus mercados e de suas riquezas naturais.

O que A Nova Democracia faz é demonstrar que não entendeu o que seja o imperialismo, mesmo tendo à mão aquilo que escreveu Lênin e com todos os fatos que têm ocorrido no cenário internacional. Não conseguem enxergar que a Rússia, um país atrasado que vive de vender commodities, se viu obrigado a reagir devido ao cerco da OTAN. Trata-se de uma atitude defensiva. Ou será que os russos deveriam ficar de braços cruzados para experimentarem o mesmo destino de uma Iugoslávia ou de uma Líbia?

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