Entrevista

“A juventude continua na defesa do socialismo”, avisa Raúl Salas

Representante da principal organização de jovens de Cuba ataca o bloqueio genocida imposto pelos EUA: "afeta crianças, adolescentes, jovens, mulheres e a sociedade cubana", diz

Membro da direção da União de Jovens Comunistas de Cuba, Raúl Denis Salas foi uma das personalidades presentes no Foro de São Paulo, que aconteceu entre os dias 29 de junho a 2 de julho em Brasília, e teve presença de diversas organizações de esquerda de toda a América Latina, entre elas o Partido da Causa Operária.

Diário Causa Operária (DCO): Qual é a importância do Foro de São Paulo na luta contra o bloqueio?

Raúl Denis Salas: O Foro de São Paulo tem sido uma espécie de encontro de convergência e construção de alianças e estratégias em uma luta comum, incluindo a denúncia do bloqueio econômico, comercial e financeiro do governo dos Estados Unidos contra Cuba. Essa política econômica (os embargos) tem mais de sessenta anos e tem como objetivo sufocar o povo cubano, supostamente, sob a premissa de que o bloqueio é para criar crises ao governo, mas não é assim. O bloqueio afeta diretamente a população [civil], o povo cubano, e este espaço, o Foro de São Paulo, torna-se um meio de denúncia no qual os países, por meio de diferentes organizações de esquerda, comunistas e socialistas se unem em uma causa comum, que é exigir do governo norte-americano a eliminação imediata do bloqueio, bem como das mais de duzentas medidas que foram aplicadas para reforçar o bloqueio a Cuba.

Além disso, o Foro é um espaço para exigir a exclusão de Cuba da lista de países e estados patrocinadores do terrorismo. O bloqueio é uma das medidas mais cruéis e desumanas que podem ser aplicadas contra qualquer país do mundo. Vai contra as medidas, resoluções, programas e projetos internacionais existentes em matéria de relações internacionais. Pedimos ao governo dos Estados Unidos que cumpra o mandato que mais de cem países exigem todos os anos na ONU para a eliminação do bloqueio. O Foro de São Paulo, repito, é um espaço que contribui para essa causa.

DCO: Qual é o papel da juventude nessa luta contra o bloqueio?

Raúl Denis Salas: A juventude assume como uma bandeira essencial a luta contra o bloqueio porque nós, jovens cubanos, nascemos e crescemos sob as consequências negativas do bloqueio econômico. E isso nos afeta de todas as formas possíveis. Socialmente e economicamente, no acesso às novas tecnologias da informação e comunicação, mas também é a juventude que continua a defesa da soberania e do socialismo cubano. Por isso, também assumimos como uma bandeira a luta contra a erradicação do bloqueio.

DCO: Estivemos no Primeiro de Maio em Cuba e vimos que a falta de combustível impossibilitou a realização de um Primeiro de Maio nacional. Qual é o principal efeito do bloqueio na juventude?

Raúl Denis Salas: O efeito do bloqueio não apenas afeta os jovens, mas toda a sociedade em geral. As perseguições resultantes do bloqueio aos navios que transportam petróleo e impedem sua entrada em Cuba afetam diretamente a sociedade em geral, e com isso os jovens.

Durante a pandemia, o fato de o governo dos Estados Unidos nos negar o fornecimento de oxigênio necessário para auxiliar os convalescentes afetou não apenas a sociedade em geral, mas também os jovens. O fato de não poderemos estabelecer acordos entre as universidades cubanas e as universidades estrangeiras devido ao bloqueio, dificulta o intercâmbio cultural e de conhecimento entre nossos estudantes. O bloqueio, portanto, existe, persiste e afeta crianças, adolescentes, jovens, mulheres, donas de casa e a sociedade cubana em geral.

Apesar de tudo isso, o povo cubano não perde a perspectiva. Lembro agora mesmo de um escritor cubano e latino-americano por excelência, Lezama Lima, quando dizia que apenas o difícil é estimulante.

O bloqueio existe, temos enfrentado essa política genocida por mais de sessenta anos e a resposta do povo cubano tem sido uma resistência criativa além das medidas unilaterais, além das sanções impostas, além da ativação do Título III do bloqueio, além de qualquer política que o governo americano aplique a Cuba.

O povo cubano continua empenhado em construir diariamente e superar os obstáculos com resistência, com criatividade, com incentivo, utilizando a ciência, a técnica e a inovação com base em nossas potencialidades. Mesmo com o bloqueio, os cubanos não ficam de braços cruzados, superamos cada um desses obstáculos.

Outro elemento importante está relacionado ao fato de termos conseguido enfrentar toda essa situação graças à solidariedade internacional e ao apoio majoritário que recebemos todos os anos nas Nações Unidas, graças aos países da América Latina e do Caribe, que também se envolvem constantemente em nos ajudar. Sacha Llorenti disse isso no dia da inauguração do Foro de São Paulo: se queremos enfrentar o bloqueio, façamos mais comércio com Cuba, sigamos acompanhando Cuba. Essa é a única maneira que temos de enfrentar internacionalmente as ações e consequências do bloqueio contra nosso país.

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