O STF é o fascismo

A demonização de Bolsonaro esconde os verdadeiros golpistas

A esquerda pequeno burguesa, por não lutar contra o fascismo, não entende o que é e o que não é de fato uma vitória contra o fascismo

A esquerda pequeno burguesa está em festa com o julgamento farsa de Bolsonaro. Os mesmos que não lutaram pelo fora Bolsonaro, sabotaram essa luta quando ela começou e que só passaram a apoiar Lula presidente quando achavam que ele seria vitorioso são os que mais gritam de alegria. É uma campanha de demonização de Bolsonaro, que conscientemente ou não, tem como efeito final apagar a culpa de todos os setores da direita responsáveis pela destruição do Brasil, a direita golpista tradicional. É o caso de Márcia Tiburi que publicou o texto: “Bolsonaro inelegível”. Reflexões sobre o fim de um ciclo” publicado no sítio Brasil 247.

O texto começa com um tom quase religioso, não há argumentos muito políticos, o ex presidente Bolsonaro seria a própria reencarnação do mal. “Em 17/04/2016 um homem mau, um perverso narcísico atuando na política por décadas, se fazendo passar por um mero mentecapto, capturou psiquicamente a metade de um país. Numa nação já vampirizada por outros homens inescrupulosos e cínicos, esse homem cravou, sem piedade, seus dentes sedentos de sangue.” Aqui já fica claro como Tibura está muito distante de uma análise política concreta. Nesse, que foi o dia do golpe, Bolsonaro era uma figura ultra secundária, quem vencia era o MDB e o PSDB, algo que a filósofa não comenta em momento algum em seu texto.

A política de perseguição a Bolsonaro, orquestrada pela direita, tem justamente esse objetivo. Até a palavra golpista está tentando ser esvaziada de seu conteúdo político. Golpista, que desde 2016, significou primeiramente o PSDB, o imperialismo, o STF e a imprensa burguesa agora está sendo transformada por estes em um ataque especificamente aos bolsonaristas. E especificamente a ala mais fraca do bolsonarismo, os generais, que seguem no poder não são taxados de golpistas. Tiburi nesse sentido joga água nesse moinho, de reciclar a imagem da direita usando o ataque à Bolsonaro.

 Na análise de Tiburi Bolsonaro foi a principal força por detrás de sua eleição: “O horror manipulado se tornou objeto do psicopoder, ou seja, do cálculo que o poder faz sobre o que as pessoas pensam, sentem, acreditam e fazem. E assim as massas manipuladas foram levadas a sentir todo o ódio de que pudessem ser capazes, um ódio delirante, incontido, alucinado, sem limites. Esse homem mau, mestre na manipulação, como outros que o seguiram e se uniram a ele e seguem barbarizando em postos eletivos, alcançou o feito de se tornar presidente desse país imenso.” Ela ignora que foi o golpe de 2016 e a prisão de Lula, a direita tradicional e o imperialismo que elegeram Bolsonaro.

O artigo segue nesse tom, colocando Bolsonaro como uma espécie de demonio com um poder gigantesco: “Ele mistificou a desqualificação moral e política, e a competência e a especialização deram lugar ao terraplanismo e todo tipo de delírio negacionista. Adulando as massas, fazendo-as acreditar que a violência em que vivem é o melhor dos mundos, ele e seus parceiros, fascistizaram um país inteiro.” É a repetição do mesmo argumento novamente, todo que aconteceu no Brasil, que também não é especificado, é culpa do bolsonarismo. A “fascistização”, crescimento da extrema direita, foi totalmente estimulado pela imprensa e pelo PSDB, mas isso é taxado como culpa de Bolsonaro.

Ela também afirma: “Pela hipnose política, pessoas que deveriam pensar livremente e que acreditaram ser livres até mesmo para odiar, foram transformadas em gente sem capacidade de compreender o sentido da vida como uma construção coletiva para o bem comum. Incitando o ódio, através de um discurso delirante, aquele homem mau acionou com os gatilhos que ele e seus agentes publicitários dominam e manipulam muito bem”. É novamente algo que não foi feito principalmente por Bolsonaro mas pela imprensa burguesa, quem gerou toda a campanha contra o PT e  Lula, a maior campanha de “odio” realizada nos últimos anos, tão forte que gerou o próprio Bolsonaro.

O texto conclui com a análise sobre a inelegibilidade de Bolsonaro: “Esse dia histórico de derrota do fascismo pela inelegibilidade de um de seus principais líderes.” Esse é o grande erro de toda a esquerda pequeno burguesa, considerar o avanço do judiciário como uma derrota do fascismo. Aqui vale lembrar do caso do próprio nazismo. Adolf Hitler por muito tempo era reprimido pelo próprio Estado burguês alemão. Ele, ao contrário de Bolsonaro, realmente tentou um golpe, o famoso Putsch da cervejaria. Ele foi reprimido e preso. O que aconteceu? A prisão de Hitler foi um grande impuslo para o crescimento do partido nazista.

Não é preciso ir tão longe também. Bolsonaro é mais parecido com Trump do que com Hitler, e nos EUA o caso é muito semelhante ao Brasil. O judiciário e todo o aparato de repressão perseguem Trump. Até agora no entanto não houve vitória contra o trumpismo, pelo contrário, a sua força cresce cada vez mais. Trump ainda é o favorito para vencer as eleições presidenciais nos EUA. No Brasil existe o presidente Lula para atrapalhar Bolsonaro, mas ele pode ainda ganhar apoio da burguesia, tal qual em 2018, por cima de toda a popularidade que já está ganhando por sua política. 

As vitórias sobre o fascismo só são reais quando vem da luta da classe operária. A eleição de Lula em 2022 foi uma vitória contra o fascismo. Bolsonaro foi apoiado pelo conjunto da burguesia e foi derrotado pela mobilização operária. Sua inelegibilidade não tem nada a ver com isso. É uma briga entre a direita. Tal qual a Lava Jato atacando a Odebrecht, e varios deputados não foi uma vitória dos trabalhadores. A inelegibilidade de Bolsonaro no fim será usada também para atacar os trabalhadores.

O grande problema de Tiburi e de toda a esquerda pequeno burguesa é que eles caem no canto do vigário de que Bolsonaro é o pior que existe no Brasil, “o pior presidente da história”. Isso é uma farsa completa, Temer era pior que Bolsonaro, FHC nem se fala, todos os presidentes militares. Bolsonaro na realidade teve dificuldade em atacar os trabalhadores em seus 4 anos de governo. Esse argumento de que Bolsonaro é o mau encarnado ofusca o mal real do Brasil. O imperialismo, o Congresso, o judiciáio, a imprensa burguesa e as forças armadas, essas sim as grandes inimigas da classe operária. Elas devem ser derrotadas para que haja a derrota do fascismo.

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