Mitologia de esquerda

A ala infalivelmente otimista da esquerda nacional

A análise politica serve para identificar o desenvolvimento da situação, mas se tudo aparece como uma maravilha não precisaríamos fazer nada

Do ponto de vista da situação política nacional, tivemos nessa semana mais um episódio importante que foi a eleição da mesa das duas casas do congresso nacional. Nesse caso, alguns setores tentam criar uma certa mitologia. Estamos ingressando numa interpretação do quadro político por determinados setores que é completamente enganosa e perigosa.

São os setores que dizem que a invasão do dia 8 de janeiro foi uma tentativa de golpe de Estado derrotada pela ação institucional do governo Lula. Como houve uma tentativa que foi supostamente derrotada, se abriria um mar de tranquilidade.

Agora na eleição para o congresso, que foi outra etapa desse processo, o governo Lula conseguiu eleger o presidente da câmara e do senado. Sobre isso, apresentaram uma matéria intitulada “Lula vence o terceiro turno”. 

Quando Lula exonerou o comandante do exército e colocou um “tucano bolsonarista” no lugar, falaram que ele teria encontrado o marechal Lott e agora ele teria vencido o terceiro turno. Quer dizer, temos uma ala da política nacional que é infalivelmente otimista, quando o perigo aparece eles ficam muito assustados. Analisar a situação política assim é muito perigoso.

A análise politica serve para identificar o desenvolvimento da situação, quais são os problemas, as vantagens e desvantagens que o povo trabalhador teria na situação, a verdadeira relação de forças, e tudo mais, e sobre a base disso é que vamos atuar, mas se tudo aparece como uma maravilha não precisaríamos fazer nada, apenas esperar o governo Lula aparecer com uma solução de todos os problemas nacionais, sendo que as condições para resolver ele já tem. Isso não é nada nem próximo da realidade.

Lula reelegeu Rodrigo Pacheco, considerado um “semi bolsonarista”, que foi eleito com 49 votos, alguns desses votos são de bolsonaristas ferrenhos. Se o governo Lula quiser aprovar no congresso nacional uma PEC, vai precisar de no mínimo 49 votos. Ou seja, se toda a bancada que votou no Pacheco votar a favor, Lula aprova a PEC, mas se apenas 1 discordar, não aprova.

A situação está muito apertada, se fomos comparar a votação com os últimos 20 anos de votação para a mesa do senado, é uma das mais baixas de todas, o que significa que a oposição é bastante forte. Normalmente a burguesia se unifica em torno de uma candidatura, juntando aproximadamente 70 votos. Com os 49 votos (8 a mais do que o necessário para se eleger), mostra uma votação baixíssima de Pacheco.

Isso sem falar que a política que Pacheco irá levar é incerta. Certamente ele não é do PT e nem um apoiador. Na melhor das hipóteses desse cenário fantasioso, ele seria uma pessoa da terceira via — se considerarmos a terceira via como algo melhor que os bolsonaristas, o que é duvidoso.

Na câmara foi reeleito o atual presidente, Arthur Lira, o qual é um bolsonarista. Lira foi a base de apoio do bolsonarismo no congresso nacional. Apesar de ser apontado como um ser extraordinariamente fisiológico, um homem do “toma lá dá cá”, assim como Pacheco, mas isso não garante nada. O governo lula esta se apoiando num prédio cujos alicerces são feitos de barro. Não podemos falar que os problemas estão resolvidos.

O governo conseguiu uma vitória esperada, principalmente considerando a adaptação à direita no congresso nacional. Sendo assim, é uma vitória em termos. Não foi um candidato do governo que ganhou as eleições nas duas casas, foi um candidato da direita que o governo considerou melhor apoiar do que a alternativa. No caso da câmara nem mesmo houve oposição, Arthur Lira foi eleito com uma esmagadora maioria de votos.

No senado a oposição reergueu a cabeça, se apresentando de maneira coesa na eleição do Marinho, um direitista mais linha dura. Isso é importante porque não é comum começar o governo com a oposição já batendo de frente e se colocando como oposição.

A situação só não é pior do que aconteceu com a Dilma na eleição para o congresso em 2014. Nessa situação, o Eduardo Cunha se lançou como candidato e teve uma maioria esmagadora, contra o candidato alternativo apresentado pela Dilma, atropelada pelo rolo compressor do Eduardo Cunha. 

A situação do Lula não é igual, mas também não é ótima. A oposição já se apresentou e vão estruturar uma luta constante contra o governo dentro do congresso. Vão fazer pressão por dentro e provavelmente chamarão manifestações de rua contra determinados projetos que o PT vai lançar. 

Se o governo do PT enfrentar uma situação crítica na economia em algum momento, por exemplo, isso pode se transformar numa política abertamente dirigida a derrotar o governo, uma política golpista.

É assim que as peças estão distribuídas no tabuleiro, temos que analisar as questões do jeito que são, de forma real e material. Não adianta fingir que está tudo maravilhoso por que não é assim. Lula precisará mobilizar suas bases para defender seu governo, ou correrá graves riscos.

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