HISTÓRIA DA PALESTINA

60 palestinos foram assassinados pela Haganá em vilarejo

"Um soldado da Brigada Kiryati capturou 10 homens e 2 mulheres. Todos foram mortos, exceto uma jovem mulher que foi estuprada e descartada"

Abu Chucha era um vilarejo árabe da época do Mandato Britânico da Palestina que foi atacado por tropas sionistas em 1948, durante o processo de limpeza étnica que passou a ser chamado pelos palestinos de al Nakba (a catástrofe).

Assim como se deu em mais de 500 aldeias de cidades palestinas, Abu Chucha foi alvo de uma violência fascista por parte dos judeus sionistas para expulsar os palestinos de suas terras, para então tomá-las e sobre elas erigir um Estado judeu. Nessas circunstâncias é que se davam os massacres.

A aldeia foi alvo de vários ataques nos meses de abril e maio de 1948, sendo que o último teve lugar na noite do dia 13 e na manhã do dia 14, data da declaração oficial de independência de “Israel”. De início, quem se encarregou da ofensiva foi a Brigada Givati, das Forças de Defesa de Israel, como parte da Operação Baraque. Contudo, foram substituídos por milícias fascistas de um kibutz (comuna) próximo, as quais, por sua vez, foram então substituídas por outra brigada das FDI, a Kiriati.

Contando com uma população total de entre 870 e 950 árabes palestinos, estima-se que mais de 60 foram massacrados pelas tropas do sionismo. O ataque é relatado em detalhes pelo historiador israelense Benny Morris, em seu livro O Nascimento do Problema dos Refugiados Palestinos. Segundo Morris, tudo teve início com bombardeios, o qual abriram caminho para a ofensiva terrestre de dois batalhões. Apesar dos morteiros terem resultado nas explosões de casas dos aldeões, e alguns terem fugido, muitos permaneceram:

“Abu Shusha, a sudeste de Ramle, foi bombardeada nos dias 13 e 14 de maio e depois foi invadida por unidades dos 51º e 54º batalhões; alguns habitantes fugiram e casas foram destruídas. No entanto, muitos habitantes aparentemente permaneceram”.

Dias se passaram, e relatos sobre o massacre começaram a surgir, tanto por parte da Legião Árabe quanto por parte dos próprios sionistas, em seus relatórios oficiais (é claro, reduzindo os números de mortos):

“Em 19 de maio, uma unidade próxima da Legião Árabe relatou que ‘os judeus… estavam matando os habitantes de Abu Shusha’. Um dia depois, a Giv’ati relatou que cerca de 30 árabes haviam sido mortos durante o ataque de 13 e 14 de maio, embora os árabes afirmassem que ‘mais de 70’ tinham morrido. O relatório da Giv’ati pode ter sido uma forma indireta de se referir a mortes após 14 de maio. Em 21 de maio, autoridades árabes em Ramle informaram a Cruz Vermelha que ‘os judeus haviam cometido atos bárbaros’ em Abu Shusha e pediram intervenção da Cruz Vermelha”.

Para além de testemunhos, os números do massacre são também corroborados pelo fato de que uma cova coletiva com 52 esqueletos ter sido encontrada na localidade em 1995. No mesmo sentido, segundo os estudos mais recentes da Universidade Palestina de Birzeit, localizada na Cisjordânia, o massacre teria resultado em cerca de 60 vítimas.

Para além das mortes, houve também caso de estupro, cometido por ninguém menos que um sionista da Haganá, uma milícia fascista do sionismo, notória pela crueldade com a qual levou a cabo a limpeza étnica nos anos 47-48. Este ocorrido é relato pelo já citado historiador Benny Morris, na mesma obra:

“Um soldado da Haganá tentou estuprar duas vezes uma prisioneira de 20 anos.”

No mesmo sentido, outro historiador judeu israelense, Aryeh Yitzhaki, que cita os depoimentos dos Kheil Mishmar (Unidades de Guardas), depoimentos estes retirados dos arquivos das Forças de defesa de “Israel”:

“Um soldado da Brigada Kiryati capturou 10 homens e 2 mulheres. Todos foram mortos, exceto uma jovem mulher que foi estuprada e descartada. Ao amanhecer de 14 de maio, unidades da brigada Giv’ati assaltaram a vila de Abu Shusha. Os habitantes que fugiam foram baleados à vista. Outros foram mortos nas ruas ou assassinados com machados. Alguns foram alinhados contra uma parede e executados. Nenhum homem restou; as mulheres tiveram que enterrar os mortos.”

Por onde se olha, por toda a região da Palestina, desde quando os sionistas passaram a ser apoiados pelo imperialismo em seu projeto de erguer um Estado judeu, mas em especial no ano de 1948; há massacres cometidos pelas tropas fascistas do sionismo, os quais recorreram à mais cruel violência para expulsar quase 1 milhão de palestinos árabes de suas terras.

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