Guerra Imperialista

28/06/1919: Tratado de Versalhes é firmado – Fim da 1ª Guerra

O tratado não resolveu a disputa imperialista que provocou a Grande Guerra, mas sim estimulou o aparecimento de uma extrema-direita com consequências ainda mais mortíferas

Há cento e quatro anos era afirmado um tratado que buscava estabelecer paz ao conflito mais sangrento da trajetória da Humanidade até aquele momento. Era encerrada uma guerra que tinha provocado aproximadamente dez milhões de mortos e mais de vinte milhões de pessoas feridas sem contar as que ficaram com traumas psicológicos.

A chamada Grande Guerra tinha durado mil e quinhentos e noventa e sete dias, a partir de 28 de julho de 1914. Os combates tinha sido suspensos com a assinatura do armísticio em 11 de novembro de 1918, que estabelecia a rendição incondicional da Alemanha. Só que em realidade, não havia como a ela continuar na guerra, pois as greves se espalhavam pelo país, enquanto seus marinheiros estavam amotinados e o processo revolucionário se acelerava.

Esta rendição incondicional somada ao fato de Alemanha ter declarado guerra primeiro à França e invadido a Bélgica por esta não autorizar a passagem das tropas germânicas possibilitou que os diplomatas aliados incluíssem um artigo no tratado que responsabilizava a Alemanha e seus aliados como os únicos culpados pela guerra, o chamado artigo 231.

O artigo serviu de fundamento para o estabelecimento das reparações aos Aliados associado com um regime de sanções. O montante devido às reparações alemães a serem pagas era de 132 bilhões de marco-ouro, o equivalente a US$33 bilhões de dólares na época, atualmente seriam US$442 bilhões de dólares ou R$2,1 trilhões de reais.

Alemanha teria que entregar o correspondente a dois anos de todo o seu produto nacional bruto da época, tendo perdido 13% do seu território anterior a guerra, todas as suas colônias e com parte do território ocupado por tropas francesas e belgas.

É importante lembrar que as negociações que resultaram nas clausulas do tratado de Versalhes se estenderam por seis meses, mas só incluíam os diplomatas dos Estados vencedores sem a presença dos derrotados e da Rússia sobre o controle dos bolcheviques. Os derrotados só podiam aceitar as clausulas sem poder propor alterações.

O governo social-democrata alemão aceitou a inclusão com o país submetido a um bloqueio naval e com a região do Reno ocupada por tropas estrangeiras. Já na época, economistas como John Maynard Keynes criticavam o volume das reparações e a quantidade de sanções impostas à Alemanha, ainda que militares como o general Ferdinand Foch queriam a dissolução do país.

A posição deste general demonstra como a Primeira Guerra Mundial era o ápice de uma disputa entre potências imperialistas. Esta rivalidade se intensificou com o surgimento do Império Alemão em 1870, após a derrota da França. Em pouco tempo, este novo Estado iniciou um esforço para enfrentar a dominação mundial britânica em uma corrida pela maior marinha do mundo, além da conquista de novos mercados e matéria-primas para as suas indústrias.

Os marxistas logo perceberam qual seria o futuro desta disputa. Em 1888, Frederick Engels alertava os seus companheiros que a próxima guerra alcançaria um nível de destruição nunca vista. A guerra dos Trinta Anos (1618-1648) em três ou quatro anos.

Na passagem do século XIX para o século XX, as potências europeias buscavam ampliar as suas colonias e garantir as que já possuíam para ter um reserva de mercado e de fornecimento de matérias-primas. Assim, França, Grã-Bretanha, Rússia, Alemanha, Itália e Império Austro-húngaro se dividiram em dois blocos de alianças de defesa mutua.

Em 1870, a vitória prussiana sobre a França marcou o surgimento da Alemanha unificada como um novo império incluindo duas regiões do país derrotado, Alsácia e Lorena. A burguesia francesa nunca aceitou esta perda e até nas escolas era dito que estas regiões seriam retomadas. Os alemães sabiam disto e assumiram uma diplomacia visando o isolamento francês, o que seria efetivo até 1891, quando o Império Russo se aproximou da França. Como reação, a Alemanha estabeleceu uma aliança militar de defesa mútua com o Império Austro-húngaro e o Reino da Itália, a chamada Tríplice Aliança.

Em 1904, França e Grã-Bretanha estabeleciam a Entente Cordiale, uma outra aliança militar. Já em 1907, a Grã-Bretanha, superando as diferenças com a Rússia na Ásia Central, celebrou um acordo com o país eslavo. Este conjunto de alianças diplomáticas foram o fundamento da Tríplice Entente como contraponto à Tríplice Aliança.

Ao mesmo tempo, a corrida das potências por mais colônias era cada vez mais intensa, provocando repetidas crises diplomáticas, principalmente no Marrocos com as crises de Tanger (1905-1906) e de Agadir (1911), e nos Bálcãs, que se arrastava desde 1877 quando o Império Austro-húngaro anexou a Bósnia-Herzegovina do Império Otomano.

Assim, todos esperavam que a guerra iria acontecer em um determinado momento com cada país procurando conseguir uma mobilização geral o mais rápido possível e possuindo planos detalhados de ataque.

A Segunda Internacional, reunindo os partidos socialistas da Europa, vinha denunciando a guerra iminente principalmente depois de 1907 e conclamando que os trabalhadores de todos os países entrassem em greve como forma de impedir um conflito mortífero. Infelizmente, todos os partidos socialistas que estavam nos vários parlamentos votaram a favor da liberação de recursos para o conflito mesmo com a denúncia e as críticas do partido bolchevique liderado por Vladimir Lênin.

Logo com a conivência destes partidos, os blocos imperialistas empregaram o sentimento de nacionalismo e de patriotismo para arrastar a classe trabalhadora para o abatedouro nos campos de batalha, sem contar nas inúmeras horas de trabalho sem aumento na remuneração nas fábricas de armamentos, no caso com as mulheres assumindo estes postos de trabalho.

A sociedade alemã nunca aceitou que a Alemanha fosse considerada a única culpada. O CáiserGuilherme II, após sua renúncia, vivia tranquilamente na Holanda. Os generais, mesmo sabendo que a rendição permitiria a conservação de uma força militar que pudesse impedir uma revolução comunista aos moldes da Rússia e que foi tentada pelos comunistas alemães entre 1918 e 1919, diziam que o governo social-democrata alemão tinha apunhalado os militares pelas costas.

Foi nesse clima de traição somado ao discurso antissistema e anticomunista que os nazistas começaram a obter projeção no país. Passados quatorze anos, eles assumiriam o poder com o apoio da burguesia alemã. Em vinte anos, o mundo estaria em guerra novamente, comprovando que tratados de paz não são capazes de superar as disputas imperialistas inerentes ao sistema capitalista.

Gostou do artigo? Faça uma doação!

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Quero saber mais antes de contribuir

 

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.