Dia de Hoje na História

6/12/1904: é instituído corolário de Roosevelt à Doutrina Monroe

Em discurso ao congresso, era estabelecido que as Américas eram para os norte-americanos. Os EUA assumiam o seu caráter imperialista

Nesta data, no ano de 1904, Theodore Roosevelt, o 26° presidente dos Estados Unidos da América, realizava um acréscimo revelador à chamada doutrina Monroe durante o anual discurso presidencial ao Congresso estadunidense. Esse acréscimo estabelecia que os EUA assumiriam ser a polícia internacional do Hemisfério Ocidental, ou seja, das Américas, para impedir que os estados latino-americanos saíssem da ordem estabelecida e questionassem as condições pelas potências mundiais.

A declaração de Teddy Roosevelt era o anúncio para o mundo e em especial que os Estados Unidos haviam entrado no estágio superior do capitalismo, ou seja, no imperialismo. Em outras palavras estabelecer a segurança para a exportação dos capitais estadunidenses e a garantia do monopólio econômico e político dos territórios fornecedores de matérias-primas e da venda dos seus produtos industrializados. Ao mesmo tempo se colocava como um aliado do imperialismo europeu como protetor dos investimentos realizados na região desde que não competissem diretamente com os dos EUA.

Contudo o que seria a Doutrina Monroe? Pois bem em dezembro de 1823, em sua mensagem o 5º presidente dos EUA, James Monroe, afirmou “como um princípio que afeta os direitos e interesses dos Estados Unidos, que os continentes americanos, em virtude da condição livre e independente que adquiriram e conservam, não podem mais ser considerados, no futuro, como suscetíveis de colonização por nenhuma potência europeia”.  Assim vários estados latino americanos começaram a se referir a este princípio como a Doutrina Monroe, esperando o apoio do primeiro estado que tinha se livrado do domínio europeu nas Américas.

Era de certa forma uma resposta à ameaça velada às intenções das potências europeias, principalmente a chamada Santa Aliança (um acordo entre os impérios russo, austríaco e prussiano), que tinha com objetivo combater as ideias liberais e desejava estabelecer um status quo anterior a revolução francesa (1789) e mesmo à ação britânica nas Américas. Contudo era mais uma intenção do que uma efetiva política exterior, pois na época os EUA não tinham um exército e uma marinha capaz de enfrentar um estado como a Inglaterra, fato comprovado durante a Guerra de 1812.

A tal doutrina Monroe, vista como uma postura contra a recolonização europeia nas Américas, não se referia à expansão territorial dos Estados Unidos. Em 1848 como resultado da guerra contra o México eles anexaram os Texas, o Arizona, o Novo México e a Califórnia. Concomitantemente foram restringindo à força as populações indígenas em espaços bastante limitados.

A doutrina Monroe não impediu a intervenção francesa no México durante os anos de 1861 e 1868 e nem as ações britânicas na Guatemala que dariam origem ao Estado de Belize.

A segunda etapa desta expansão acontece depois da resolução da Guerra Civil (1861-1865) através de dois eixos principais, o Caribe e o Pacífico. O principal impulso desta expansão se deu aproveitando a luta pela independência de Cuba contra a decadente Espanha. O motivo para os Estados Unidos atacarem a Espanha foi a explosão do navio USS Maine no porto de Havana. Os jornais estadunidenses inflamavam a população dizendo que foi um afundamento provocado pelos espanhóis.

Aproveitando a oportunidade, o presidente William MC Kinley (1897-1901) pediu a permissão de iniciar a guerra dia 11 de abril de 1898, dois dias depois que a Espanha tinha concedido o armistício para os rebeldes cubanos.

Pela participação das dez semanas de guerra contra a Espanha, os Estados Unidos receberam Porto Rico, Guam e Filipinas. As duas últimas se juntavam ao Havaí, a Samoa Americana e outras ilhas como possessões estadunidenses no Pacífico.

A ocupação das Filipinas revela que o apoio a independência de Cuba era somente uma desculpa porquanto naquele arquipélago existia um igual movimento de independência que controlava algumas regiões e contatava com amplo apoio popular. Mesmo assim foi iniciada uma guerra contra insurrecional bastante sangrenta que se estendeu em certas regiões ate 1914, provocando a morte de vários civis filipinos para quebrar o apoio popular à independência.

Assim, com o seu corolário, Roosevelt altera a Doutrina Monroe, conhecida como “as América para os americanos”, para significar “as Américas para os norte-americanos”, no caso os estadunidenses.

Quais argumentos ele apresentou naquele discurso? Dizia que era importante que os estados vizinhos fossem “estáveis, ordeiros e prósperos” e desta forma eles teriam a amizade dos EUA, isto é, receberiam investimentos e não seriam incomodados.

Ao mesmo tempo, caso, na percepção dos imperialistas estadunidenses, estes estados não conseguissem apresentar uma “razoável eficiência e decência em questões sociais e política”, e se não mantivessem a ordem e o pagamento das suas obrigações em especial as financeiras, estariam sujeitos à intervenção dos Estados Unidos.

Ele ressaltava que as nações civilizadas em qualquer lugar vizinho a um país que manifestasse uma “transgressão crônica, ou uma impotência” que “resulta num afrouxamento geral dos laços da sociedade civilizada”, tipo uma revolução provocada pela luta de classes, “teriam a obrigação, ainda com relutância, ao exercício de um poder de polícia internacional”.

Ao citar o pagamento de obrigações como algo que devia ser respeitado justificava a sua omissão em relação ao bloqueio naval que a Venezuela sofreu no ano de 1902 pelas marinhas da Grã Bretanha, Itália e Alemanha.

Roosevelt alegava se apoiar na Doutrina Monroe para justificar não só a sua omissão no caso venezuelano como também o apoio para a independência do Panamá da Colômbia principalmente tendo em vista que o Senado colombiano se negou a ratificar o acordo para a construção do canal do Panamá pelos EUA.

No discurso de 1904, ele esclarecia a área de prioridade da dominação, ou seja, o Caribe. Estabelecia o modelo a ser seguido por aqueles países seriam o da Cuba sobre a vigência da Emenda Platt.

Esta emenda foi uma condição para a retirada das tropas americanas da Ilha caribenha que estava desde o fim da guerra hispano-americana em 1898. Ela instituía um protetorado sobre o País.

A emenda trazia sete exigências que foram colocadas na constituição  cubana de 1902. As principais seriam a permissão de envio de tropas para intervir no pais e supervisionar as finanças e as relações internacionais cubanas. É importante lembrar que graças a esta emenda os EUA construíram a base naval de Guantánamo, que hoje mantém detidas as pessoas sem julgamento, mesmo com o estado cubano se recusando o pagamento do arrendamento desde 1959.

A politica revelada pelo Corolário Roosevelt se concretizou no estabelecimento de vários protetorados no Caribe e na América Central tais como Republica Dominicana (1905-1924), Nicarágua (1911-1934), Honduras (1912-1919), Haiti (1915-1934), além do Panamá (1903-1936) e a própria Cuba (1898-1934). É importante ressaltar que estes protetorados também estavam apoiado em uma parte da elite destes estados beneficiárias desta dominação às custas das classes trabalhadores locais.

Adotado como política exterior oficial pelos Estados Unidos, o corolário Roosevelt foi repudiado pela “Politica da Boa Vizinhança” em 1934. Uma politica anunciada pelo seu sobrinho Franklin Delano Roosevelt que tinha acabado de se tornar o 32º presidente.

Na realidade, esta nova política exterior era possível em razão que muitos daqueles países eram controlados por ditadores ligados aos Estados Unidos por exemplo, Fulgêncio Batista em Cuba,  Rafael Leônidas Trujillo na República Dominicana, Anastasio Somoza na Nicarágua e François Duvalier no Haiti.

Quem acompanha a impressa burguesa como parece ser o caso da esquerda pequeno burguesa e alguns partidos ligados a ONG como a Open Society acham que este tempo ficou para trás, não é o que parece para quem viveu o golpe de 2016.

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