Com a chegada do final do ano, acompanhada de acontecimentos decisivos para o Brasil, como as eleições que deram a presidência a Lula e a Copa do Mundo do Catar, da qual fomos – infeliz e injustamente – eliminados, é fácil nos esquecermos de tudo o que aconteceu desde o distante mês de janeiro. Essa mudança de eixo da política nacional, naturalmente, afetou os brasileiros vivendo no exterior e dificultou ainda mais o trabalho de balanço das atividades da célula internacional de militantes do Partido da Causa Operária.
Antes de entrarmos no balanço qualitativo, vamos ao quantitativo. Em número de países, o cenário não se modificou significativamente. Temos atividade militante em 9 países: Estados Unidos, Portugal, Espanha, França, Reino Unido, Suíça, Alemanha, Áustria e República Tcheca. Sofremos um desfalque na Finlândia devido ao retorno de um dos nossos companheiros ao Brasil, em caráter definitivo.
Ao longo do ano, chegamos a ter um companheiro atuando diretamente do Irã, país de grande interesse para a nossa campanha internacionalista de luta contra a opressão imperialista. O companheiro, porém, retornou ao Brasil ao longo deste ano e trabalhará conosco daqui.
Se considerarmos os amigos da célula, ainda temos presença no Japão, no Canadá, na Bélgica e na Suécia. Um dos objetivos da célula para 2023 será acompanhar os contatos que o PCO recebe pelas redes sociais e nas transmissões da Causa Operária TV e seus canais parceiros. Há muitos brasileiros vivendo no exterior que buscam contato com o Partido e há muito o que melhorar na integração desses companheiros em alguma atividade que contribua para a construção e o crescimento do PCO.
Do ponto de vista qualitativo, a célula deu um grande salto. No início deste ano, quando se iniciou a invasão russa da Ucrânia, o Partido decidiu enviar dois correspondentes à Rússia para acompanhar de perto a manobra defensiva do governo de Vladimir Putin contra o avanço das forças imperialistas da OTAN contra suas fronteiras. Nossos companheiros Rafael Dantas, membro da direção nacional e um dos coordenadores de célula internacional, e Eduardo Vasco, foram até a República Popular de Lugansk para trazer informações preciosas sobre a luta travada pela população local contra os batalhões fascistas ucranianos há pelo menos oito anos.
Esse trabalho contou, em grande medida, com o apoio da célula internacional. Tanto na campanha de levantamento de recursos – a trágica desvalorização do real em relação às moedas dos países imperialistas é conveniente nesses momentos – como no envio desses recursos aos companheiros, burlando as sanções impostas à Rússia. Até mesmo cidadãos russos que trabalham na ou para a Europa Ocidental encontravam dificuldades para enviar seus salários para casa, mas foi com eles que achamos uma via.
No mais, a célula incorporou-se mais à imprensa revolucionária. O blogue internacionalismo tornou-se responsabilidade conjunta dos companheiros do exterior, que passaram a atuar de forma mais regular no podcast “O Mundo em 1 Hora”, transmitido pela Rádio Causa Operária e no programa “Correspondente Internacional”, transmitido pela Causa Operária TV Reserva. Nossos companheiros também passaram a contribuir de forma mais regular para a nossa imprensa escrita, tanto para este diário online, como para o Jornal Causa Operária e o recém-lançado Dossiê Causa Operária.
Ainda não está em circulação, mas a célula internacional está trabalhando na tradução dos principais artigos analíticos publicanos na nossa imprensa para organizá-los numa nova publicação, voltada ao público internacional, em inglês e português. A revista servirá para levar as ideias do Partido tanto a brasileiros vivendo no exterior como a setores da esquerda de outros países que certamente buscam saber o que pensa a esquerda revolucionária brasileira.
No que diz respeito a atividades de rua, militantes da célula internacional do PCO não deixaram de participar – e organizar – mobilizações de brasileiros no exterior por Lula presidente e fora Bolsonaro. Em Portugal, nossa atividade consolidou-se no trabalho do Comitê de Luta de Portugal, sediado na cidade do Porto, que organizou uma importante frente de trabalho político com outros coletivos de brasileiros expatriados no país ibérico.

O trabalho junto aos brasileiros no exterior também foi expressivo em Nova Iorque, nos EUA, onde nos aproximamos de coletivos pequenos burgueses e introduzimos uma importante crítica à infiltração identitária e imperialista na esquerda, e em Barcelona, na Espanha. Vale destacar que, na Espanha, nos aproximamos dos poucos movimentos de esquerda que denunciam a atuação da OTAN contra a Rússia e pedem o fim do apoio financeiro que o governo imperialista espanhol dá, em conjunto com a União Europeia, ao regime fascista ucraniano.
Finalmente, apesar do ano turbulento para o PCO, com a perseguição judicial em ano eleitoral, com direito à derrubada dos principais perfis nas redes sociais do Partido, a célula internacional conseguiu manter seus tradicionais debates aos domingos. A atividade expandiu-se para o público brasileiro e transformou-se numa via de comunicação de simpatizantes com o PCO. Convidamos a todos que busquem esclarecimentos sobre posicionamentos do Partido ou que queiram simplesmente debater os principais temas políticos a semana a se juntar a nós todos os domingos às 16 horas no horário de Brasília.
Em 2022 estabelecemos uma base sólida; para 2023, queremos expandir esse trabalho com mais militantes e simpatizantes.





