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Ucrânia

Se houver guerra, a esquerda deve apoiar a Rússia e o Donbass

Imperialismo usa a Ucrânia como um fantoche e uma bucha de canhão para atacar os russos


Desde o final do ano passado, cidadãos de todo o mundo observam a escalada das tensões entre os Estados Unidos e a Rússia na Ucrânia. Nos últimos dias, esta crise tem alcançado proporções inéditas, tensionando ainda mais a situação e aumentando os ânimos das potências envolvidas.

Conflitos em Lugansk e Donetsk

Homem limpando dejetos após ataque ucraniano em 18 de fevereiro de 2022

Nessa quinta-feira (17), segundo representantes da República Popular de Lugansk (RPL) e da República Popular de Donetsk (RPD), no Donbass, tropas de Kiev quebraram o acordo de cessar-fogo firmado em 2014 ao lançarem tiros e bombas na região. É uma violação flagrante do Acordo de Minsk que, até o momento, impôs uma resolução pacífica de conflitos entre a Ucrânia, as regiões separatistas e a Rússia.

Além disso, Denis Pushilin, Chefe de Estado da RPD, afirmou esperar agressões militares por parte da Ucrânia, o que o obrigou, ao lado do Chefe de Estado da RPL, a iniciar uma evacuação em massa a partir dessa sexta-feira (18), em direção à Rússia.

Neste momento, essa investida destrói completamente a tentativa de distensionar o conflito entre os países. Apesar de o governo da Ucrânia ter negado as acusações, afirmando que não ordenou nenhum tipo de ataque, seria um claro pretexto para iniciar uma agressão militar contra a Rússia no momento em que as forças separatistas revidassem.

A posição estratégica de Donbass

A região de Donbass, localizada entre a Rússia e a Ucrânia, possui um valor estratégico inestimável para os dois países, uma vez que representa o pedaço de terra que falta para conectar a fronteira da Ucrânia diretamente à da Rússia, com importantes recursos minerais e sendo historicamente uma região altamente industrializada se comparada a muitas das outras regiões da antiga URSS.

Caso os ucranianos recuperassem o território, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), que manda na Ucrânia e principal força do imperialismo na Europa, estabeleceria uma fronteira normal com a Rússia. Ou seja, estaria grudada à Rússia, permitindo uma invasão muito mais direta do que seria neste momento. Os russos, na prática, utilizam o Donbass como um tampão para se proteger da OTAN.

Por isso, a Rússia precisa demonstrar a mais absoluta firmeza contra essas agressões. Caso contrário, o imperialismo poderá intensificar os seus ataques e efetivamente capturar Donbass, algo que representaria uma grave derrota para os russos.

O objetivo dos Estados Unidos

Soldado americano aponta arma para cidadão afegão no final de 2021

Antes de qualquer coisa, é preciso ficar claro que os russos são os oprimidos deste conflito. Finalmente, o imperialismo, no atual estágio em que se encontra, realiza guerras exclusivamente de modo ofensivo. Afinal, é ele quem domina a maior parte do mundo, é ele quem oprime a maior parte do mundo. Ou seja, é ele quem possui os recursos para ativamente saquear outros países atrasados.

A Rússia, por esse ângulo, está lutando para garantir a sua própria soberania frente aos ataques imperialistas contra a autonomia do país. O imperialismo utiliza a OTAN como um verdadeiro aparato de guerra no território europeu para, finalmente, avançar sobre o território russo.

A OTAN foi criada exatamente com esse propósito e, em outros momentos da história, já interveio militarmente em conflitos em diversas partes do mundo, como no Afeganistão, na Líbia, no Cossovo, no Iraque e em vários outros países. Vemos, então, que funciona como um posto militar estadunidense avançado, uma das principais armas do imperialismo.

A crise do imperialismo

Crise de 2008 ressoa até hoje no mundo todo

O fato é que, desde 1974, o imperialismo passa por uma crise nunca antes vista em toda a história do capitalismo ─ pior até do que a de 1929, pois já dura cinco décadas. Não é à toa que tivemos, em 2008, uma quebra financeira monumental nos Estados Unidos, algo que dura até os dias de hoje. Além disso, tivemos o coronavírus que, no mundo todo, apenas aprofundou esse quadro catastrófico, mostrando de uma vez por todas que a burguesia simplesmente não consegue se sustentar.

Por conseguinte, o imperialismo precisa de recursos em uma demanda que simplesmente não pode ser suprida com sua produção interna. Logo, invade os países atrasados como verdadeiros piratas, saqueando tudo que couber em seus bolsos. É o que ocorre, principalmente, na África e no Oriente Médio, com guerras brutais entre opressores e oprimidos resultando na morte de centenas de milhares de pessoas.

A Rússia é um país com enormes riquezas naturais, como gás e petróleo. É um país gigantesco que, para os imperialistas, possui um valor quase inestimável. Por isso os Estados Unidos atacam a Rússia.

Entretanto, em decorrência de seu poderio militar, a Rússia, assim como a China, consegue resistir à hegemonia imperialista e fazer uma frente efetiva contra a invasão de seu território. O governo de Putin, sendo nacionalista, não entrega de bandeja esses recursos ao imperialismo, o que resulta, inevitavelmente, em um conflito. 

É por esse motivo que um eventual conflito armado entre os Estados Unidos (diretamente ou por meio da Ucrânia) e a Rússia (diretamente ou por meio das repúblicas do Donbass) seria uma guerra de agressão imperialista contra um país oprimido. Qualquer outra explicação não passa de um malabarismo lógico que, no final, serve para justificar um ataque americano contra os russos, um mecanismo adotado pela imprensa burguesa.

O papel da esquerda

A esquerda precisa lutar incansavelmente contra o imperialismo

Depois de tudo isso, fica claro que, numa eventual guerra, a esquerda deve apoiar incondicionalmente a Rússia. Finalmente, este é o papel daqueles que se colocam como progressistas, defender o país oprimido contra o imperialismo, assim como foi feito na Síria, no Iraque, na Palestina, na Nicarágua, na Coreia, no Vietnã etc.

O contrário representaria uma das maiores capitulações da esquerda na luta dos trabalhadores. Finalmente, estariam apoiando, diretamente, os Estados Unidos, o maior inimigo de todos os povos oprimidos ao redor do mundo. E mais, seria uma defesa com base no identitarismo, uma ideologia também importada do Tio Sam!

Chega a ser redundante frisar essa questão. Todavia, “o Brasil não é para amadores” e, nesse sentido, vimos inúmeras defesas do imperialismo provenientes de partidos que se dizem marxistas, como é o caso do PSTU e do PCB. O exemplo mais recente é o do Talibã, onde, cegos pela ideologia identitária, apoiaram, por tabela, os Estados Unidos em sua guerra imperialista.

Portanto, temos aqui um verdadeiro divisor de águas. Acima de tudo, a esquerda não pode cair na propaganda imperialista da imprensa burguesa que, desde o princípio, se posicionou ao lado dos Estados Unidos. As lideranças dos trabalhadores devem se guiar por princípios, e não princípios do identitarismo, mas sim do marxismo. Caso contrário, em meio a toda a confusão que é, de fato, uma guerra, tomarão posições cada vez mais reacionárias, ferindo gravemente a luta dos trabalhadores no Brasil e no mundo.

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