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Sub-humanos

SP: prefeito usa reforma de desculpa e tira sem tetos de praças

Prefeitura da capital coloca grades em torno de praça com concentração de moradores de rua


As Subprefeituras de São Paulo começam, novamente, a realizar obras de aparência nas praças. Na última quinta-feira (1º), foram colocadas grades em volta da praça Marechal Deodoro, no bairro de Santa Cecília, e teve início obras nesta praça, bem como estão previstas pelas Subprefeituras diversas obras em várias praças, obras para enfeitar as praças.

A movimentação levou à retirada dos mendigos que dormiam ali. Porém, no mesmo dia à tarde, mesmo com as obras, um morador de rua foi encontrado dormindo num banco da praça. Em consequência desta retirada de moradores de rua das praças, o número de barracas debaixo do Minhocão, elevado João Goulart, que fica próximo à praça, aumentou. A previsão para o término das obras, segundo informação da própria secretaria de obras da Subprefeitura da Sé, é o primeiro semestre de 2023.

Foram colocadas grades, também, na praça Princesa Isabel, que será transformada em parque, a 1,4 quilômetro de distância da praça Marechal Deodoro. Esta tinha sido ocupada por dependentes químicos da cracolândia. Também ao lado da sede da prefeitura, a praça do Patriarca começou a ser cercada no mesmo dia.

A revitalização faz parte de um projeto que, segundo divulgado pelas secretarias de urbanização, vai alterar a sinalização turística na região do chamado triângulo histórico, que fica entre a praça da Sé, o largo São Bento e o largo São Francisco. As obras serão de paisagismo, reparo de orlas, colocação de gramas.

No governo anterior, em 2020, já havia obras nas praças, bem como na praça Marechal Deodoro, quando a prefeitura instalou equipamentos de ginástica sem consulta prévia dos verdadeiros donos da praça, a população local, que dividiram espaço com os brinquedos para atividades infantis.

Agora, com o novo prefeito, Ricardo Nunes (MDB), que assumiu em 2021, a importância passou a ser tirar os moradores de rua das vistas das pessoas.

A primeira fase do paisagismo é expulsar os moradores de rua das paisagens, ignorando a responsabilidade dos governos com os desabrigados. Os moradores de rua que tinham sido retirados da cracolândia foram para as praças. Segundo o Instituto Qualitest, pesquisa encomendada pela prefeitura de SP, o número de moradores de rua na cidade aumentou 31% de 2019 para 2021, passando de 24.344 para 31.884 e aumentou 50% desde 2015, quando havia 15.905 

Na cidade de São Paulo, 96,7% das pessoas em situação de rua são brasileiras. Destes, 55% são naturais do estado de São Paulo e 30% são naturais do município de São Paulo.

Considerando todo o país, o aumento de pessoas morando nas ruas, segundo os dados do CENSO SUAS do IPEA, de setembro de 2012 até março de 2020, foi de 139%, chegando a quase 222 mil brasileiros em março de 2020. Algo que tende a aumentar com a crise econômica.

Até 2016, o Brasil não contava com dados oficiais sobre a população em situação de rua, e isso prejudicava a implementação de políticas públicas voltadas para este contingente. Para contornar esta dificuldade, o IPEA realizou vários levantamentos e pesquisas apresentando nestes a estimativa da população em situação de rua no Brasil utilizando-se de dados disponibilizados por 1.924 municípios via Censo do Sistema Único de Assistência Social (Censo Suas).

Seis anos depois, e nada de políticas públicas para os moradores de rua. Apenas decidiram maquiar as praças e parques com políticas de restauração e embelezamento, isolando com grades para manter a invisibilidade dos moradores de rua. O próximo passo é colocar a guarda municipal para expulsar os moradores de rua que decidirem retornar às praças.

Cada vez mais vão expulsando os moradores de rua dos locais disponíveis, transformando estes em locais indisponíveis para quem está em situação de rua. Nota-se que o problema não é o de falta de dados para se ter políticas públicas, o problema é a falta de políticos para fazer políticas públicas.

Afinal, a existência de moradores de rua significa ter que investir em políticas de moradia e saneamento, políticas de desenvolvimento das cidades. Para isso, seria necessário a burguesia financeira abdicar do que ela retira dos cofres públicos todos os anos, algo em torno de R$2 trilhões, conforme destacado pela auditora fiscal M.Fatorelli.

Somente o Estado controlado totalmente pela classe trabalhadora, livre da influência da burguesia, tem condições de libertar o povo brasileiro da opressão do imperialismo, e, por conseguinte, resolver não só os problemas de moradia e saneamento, mas todos os outros, ou seja, de saúde, educação, industrialização, segurança etc.

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